1

Assista Agora

Fôlego

Kim Ki-Duk retoma em novo filme temas de Casa Vazia e Primavera, verão, outono, inverno... e primave

Érico Borgo
10 de Abril de 2008

Fôlego

Fôlego

Soom
Coréia do Sul , 2007 - 84
Drama

Direção:
Kim Ki-Duk

Roteiro:
Kim Ki-Duk

Elenco:
Chang Chen, Ha Jung-woo, Park Ji-a

Ótimo
fôlego

No memorável Casa Vazia, Kim Ki-Duk mostra um relacionamento silencioso e liberador entre dois indivíduos com problemas de adaptação. Em Primavera, verão, outono, inverno... e primavera, seu longa mais conhecido mundialmente, usa a passagem das estações para falar de maturidade. Tudo com uma roupagem zen. No novo trabalho, Fôlego (Soom, 2007), de certa forma Ki-Duk reúne todos os seus fascínios.

Diferente dos outros, porém, neste o cineasta sul-coreano parece mais distante, mais preocupado em não interferir, idéia reforçada pela figura do diretor do presídio. O personagem aparece apenas através dos reflexos do monitor de segurança, no qual observa os protagonistas. Desconfio, aliás, que o próprio Ki-Duk "interprete" esse espectral diretor.

No filme, Jang Jin (o taiwanês Chang Chen), condenado à morte, busca alguma espécie de controle em sua vida ao tentar suicidar-se na prisão. A notícia do ocorrido é assistida na televisão pela resignada Yeon (Park Ji-a), mãe de família que acompanha calada as traições do marido. Impulsivamente, ela vai até a prisão, onde consegue visitar Jin. Com ele, Yeon é capaz de falar, coisa que não faz em casa. Inicia-se assim um relacionamento em que cada visita é simbolizada por uma estação do ano - apesar de todo o filme se passar ao longo dos poucos dias antes da execução do condenado. É como se todo um ano fosse condensado no tempo.

Como os dois filmes citados anteriormente, o diálogo inexiste em Fôlego. Toda a produção é realizada apenas através de monólogos e linguagem não-verbal. O Marido (Ha Jung-woo) fala com Yeon, que fala com Jin, que não fala com ninguém (o ator taiwanês nem conseguiria - ele não fala coreano). O resultado é terno e equilibra bem o humor (espere só para ver os "números musicais" de Yeon...) e a dramaticidade.

A preocupação do cineasta com a fotografia, outra de suas marcas registradas, fica aqui a cargo de Seong Jong-mu, com quem ele trabalhou em Time - O amor contra a passagem do tempo. Limpa e precisa, a direção alterna momentos de absoluta limpeza (o apartamento e a cela) com arroubos de cor e informação (a sala de visitas), algo especialmente explorado no metafórico final. O inverno, claro. Época de morte... mas que também abre possibilidade de renascimento.


Compartilhar

Comentários (1)

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

Fernando Fernando (18/03/2010 23:39:20)   1 0
Caramba, acabei de ver esse filme, gostei muito!

O fato dos personagens realizarem monólogos durante o que deveriam ser diálogos foi uma sacada genial!

Recomendo!




None