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George - O curioso

George - O curioso

Marcelo Hessel
20 de Julho de 2006

George, o Curioso
Curious George
EUA, 2006 - 86 min
Animação

Direção: Jun Falkenstein
Roteiro: Karey Kirkpatrick, Joe Stillman, Michael McCullers, Daniel Gerson, Rob Baird

Vozes no original: Drew Barrymore, David Cross, Will Ferrell, Hailey Noelle Johnson, Eugene Levy, Nadia Lewis, Ed ORoss, Joan Plowright, Dick Van Dyke.

Por que colar estrelas de plástico no teto do quarto quando se pode mirar o céu?

A idéia de que aproveitamos mal as coisas que o mundo oferece - conceito ambientalista cada vez mais em voga na mídia e nos meios culturais dos EUA - está no centro da história de George, o Curioso (Curious George, 2006), dirigido por Matthew OCallaghan (The Itsy Bitsy Spider). Um desenho consciente, sem ser didático demais, nasceu a partir daí. E a própria origem do personagem é ligada a propostas educativas.

O macaquinho George foi criado pelo casal alemão Hans Augusto Rey (1898-1977) e Margarete Elisabeth Waldstein (mais conhecida como Margret Rey, 1906-1996) e publicado pela Houghton Mifflin desde 1941 em uma série de livros. Desde então Curious George é um verdadeiro patrimônio da pré-escola dos Estados Unidos. O animal bisbilhoteiro tem a proposta de despertar na criançada em formação o mesmo sentimento de curiosidade pelas coisas novas que aparecem diante dos olhos.

Mais do que uma renovação de mídia, do papel para o cinema, a animação de OCallaghan é uma homenagem a esses 60 anos de histórias. E não sei você, mas é ótimo se deparar com um bicho animado que não fala como um humano. Depois de tantos leões, insetos e mamutes mimetizando o mundo dos homens, George é uma refrescante volta ao normal. E uma bem-vinda volta da animação tradicional, nesses dias 3D em que vivemos. Nisso também há um movimento de resgate da tradição, da inocência. E antes de ser um filme para crianças, George, o Curioso é um filme sem malícia.

Na história, Ted (voz de Will Ferrell no original, papel que se encaixa como se tivesse sido escrito para ele) é um guia de museu que não consegue cativar as crianças. Na verdade, todo o mundo do museu parece ultrapassado pela concorrência da internet e dos videogames. Para tentar salvar o lugar, antes que seja fechado e transformado em estacionamento, o atrapalhado guia vai parar na África. Ele procura um ídolo de pedra gigante que pode se tornar uma megaexposição. Acaba encontrando o pequeno macaco George - que segue Ted até a volta à cidade, onde a sua curiosidade dispara.

Evitar modismos e atualizações desnecessárias na premissa foi a experiência que a Imagine Entertainment aprendeu com os tropeços de O Grinch (2000) e O Gato (2003) - suas primeiras empreitadas de transposição de um clássico americano pré-escolar, no caso, a obra de Dr. Seuss, ao cinema. George, o Curioso é um desenho à moda antiga, mas isso não significa que seja maçante. Além das lições há momentos de arte, como a referência a King Kong, e de humor com timing impecável, como toda a sequência da correria no prédio de Ted.

Há as concessões aos clichês de sempre, claro, como interesses platônicos e tipos vilanescos, mas isso faz parte. O trabalho de OCallaghan não deixa de ser bastante digno e, em alguns momentos, muito inspirado. Sem contar a mensagem "verde", claro, que por si só já vale a aula aos menores.


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Comentários (1)

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edgar edgar (20/03/2011 21:23:03)   105 0
uma animação boazinha.

2 ovos.




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