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Glória ao Cineasta

Segundo filme da fase metalinguística de Takeshi Kitano estreia no Brasil

Marcelo Hessel
05 de Março de 2009

Glória ao Cineasta

Glória ao Cineasta

Kantoku · Banzai!
Japão , 2007 - 108
Comédia

Direção:
Takeshi Kitano

Roteiro:
Takeshi Kitano

Elenco:
Takeshi Kitano, Toru Emori, Kayoko Kishimoto, Anne Suzuki, Keiko Matsuzaka

Bom
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Depois de realizar em 2002 e 2003 Dolls e Zatoichi, dois filmes que se emancipam um pouco dos policiais que sobressaem na sua carreira, o japonês Takeshi Kitano começou a namorar a metalinguagem. Dos seus três longas dessa fase - Takeshis' (2005), Glória ao Cineasta (2007) e Aquiles e a Tartaruga (2008) - o segundo é o único a sair por enquanto no circuito comercial brasileiro. É o mais fraco dos três, mas serve de tiragosto das neuroses que assolam atualmente o ator, roteirista e diretor.

A grosso modo, dá pra identificar um crescendo, como se fosse uma fase metonímica que parte do particular para o geral: Takeshis' era um olhar sobre a figura de Kitano; Aquiles e a Tartaruga, sobre o ofício de artista de modo geral; no meio termo entra o longa de 2007, sobre muitas coisas, especificamente o cinema japonês.

O longa começa com uma narração em off dizendo que Kitano, depois de anos associado aos filmes de mafiosos, vai experimentar outro gênero. Mas qual?

Durante os 40 primeiros minutos de filme, ele tenta fazer um drama urbano familiar à moda Yasujiro Ozu, um filme de época rural com crianças, um de terror, filmes românticos, de samurai, de efeitos especiais... A cada tentativa abortada, o narrador relembra com comentários críticos que tal gênero já foi usado à exaustão ou que simplesmente não funciona na mão de Kitano.

Quando parecia que Glória ao Cineasta seguiria assim até o fim, uma historinha engrena (ainda que permaneça a estrutura de esquetes do começo): duas garotas tentam ganhar a vida fácil enquanto um meteoro se aproxima da Terra. Do seu lado, sempre fiel à sua persona de poucas palavras e movimentos econômicos, Beat Takeshi assiste a tudo com sua costumeira cara de parvo.

A distribuição algo frouxa de cenas de humor episódicas (algumas excelentes, como a briga no restaurante de lamen) têm em comum a violência, por mais caricatural, que está no coração da obra de Kitano. Nisso, são intimamente ligadas. Passam a ideia de que, independentemente do gênero, o diretor sempre mantém seus traços de estilo. Kitano é uma marca, afinal, e por isso mesmo se permite ser substituído em cena por um boneco às vezes (só vendo o filme para entender).

Acima do estudo sobre a obra do diretor, porém, está o olhar sobre a cinematografia japonesa. Glória ao Cineasta passeia por referências diversas - fãs de animês vão se identificar com os tombos coletivos - e chega até a citar um filme hollywoodiano que havia reciclado o imaginário japonês: Matrix. Não falta nem o robô gigante que dispara a luva de boxe como um foguete. É uma colagem de recortes que aos poucos cansa, mas não dá pra dizer que Kitano não se identifica com cada um deles.


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