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Hanami - Cerejeiras em Flor | Crítica

No Japão, alemão tenta se reconciliar os desejos da mulher morta.

Cíntia Bertolino
18 de Outubro de 2008

Hanami - Cerejeiras em Flor

Hanami - Cerejeiras em Flor

Kirschblüten - Hanami
Alemanha , 2008 - 126
Drama

Direção:
Doris Dörrie

Roteiro:
Doris Dörrie

Elenco:
Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Maximilian Brückner, Nadja Uhl, Birgit Minichmayr, Felix Eitner, Floriane Daniel, Celine Tanneberger e Robert Döhlert.

Regular
hanami
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Muito embora sonhe com uma viagem ao Japão, Trudi Angermeier (Hannelore Elsner), não consegue sequer pensar na possibilidade de testemunhar toda a impotência do Monte Fuji, sem a companhia de seu marido, Rudi (Elmar Wepper).

Rudi, por sua vez, não deseja grandes aventuras na vida. Tudo o que ele quer é jantar e tomar uma cerveja logo após sair do trabalho para casa, situada num vilarejo bucólico, tão bonito quanto triste, esquecido em algum lugar da Baviera.

Mas nada permanece da mesma forma por muito tempo e a pacata vida do casal é perturbada pela notícia de que Rudi tem uma doença terminal. Quem ouve o péssimo augúrio é Trudi e ela decide não contar ao marido que ele pode morrer a qualquer instante.

Movida pela necessidade de fazer Rudi viver o que lhe resta de tempo, ela tenta convencer o marido a ir visitar o filho Karl (Maximilian Brückner) em Tóquio. Fascinada pelo butô, Trudi sempre quis ir ao Japão, mas tudo o que conseguiu foi convencer o marido a ir visitar o filho Klaus (Klaus Angermeier), os netos e a filha Karolin (Birgit Minichmayr).

Chegando lá, fica evidente que ninguém tem tempo para eles. Klaus sempre tem uma reunião importante; os netos não desgrudam do videogame e não sabem direito quem são os avós.

Já a filha Karolin não tem a mínima paciência com eles e os empurra para sua namorada Franzi (Nadja Uhl), a única que ouve e interage com o casal.

Cansados da impossibilidade de se relacionarem com os filhos e os netos, Rudi e Trudi resolvem passar alguns dias numa cidade às margens do Báltico.

Lá, o inesperado acontece. Trudi morre pacificamente enquanto dorme. Rudi vê-se completamente sozinho. E os filhos, insensíveis e egoístas, discutem logo após o funeral quem deve cuidar do pai, que eles consideram um fardo e deixam isso bem claro.

Desejoso de reparar uma dívida, aliviar o arrependimento de não ter sido mais gentil, de não ter viajado com a mulher, Rudi parte para Tóquio.

Lá, o filho o recebe com impaciência e indiferença. Ele resiste e sempre com o suéter de sua mulher sob o casaco, "a" leva para passear e ver as espetaculares cerejeiras em flor. No auge da depressão ele conhece Yu (Aya Irizuki), uma garota solitária, que mora numa tenda e dança no parque. Juntos eles vão ver o Monte Fuji.

O filme da diretora Doris Dörrie tem momentos sensíveis, ela foi competente em criar personagens egocêntricos extremamente convincentes - os filhos do casal são detestáveis, cada qual mergulhado em seu mundinho pequeno burguês -, mas no todo a história não funciona. Especialmente para quem tem baixa tolerância a melodramas.

A busca de Rudi pela essência das coisas que sua mulher amava, como a dança, o Japão, é ingênua demais. Ou talvez, nós vivamos num mundo em que não haja mais lugar para tal ingenuidade. Ela simplesmente é incompatível com o cinismo dos tempos modernos.


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Comentários (3)

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sem avatar Valdeci (12/08/2010 17:03:46)   -1 0
Hanami é uma festa tradicional japonesa de “apreciar flores”. O povo costuma fazer piquenique para comemorar as cerejeiras em flor que para eles possuem inúmeros significados: vida, continuidade felicidade e simplicidade. Além de ser a flor símbolo do Japão. Elas só florescem uma vez ao ano e dura cerca de uma semana. Por esta razão o povo fica em festa com suas cerejeiras em flor! Através desta metáfora do florescimento e da “continuidade” da cerejeira é que a roteirista e diretora Doris Dorrie conta sua comovente história do casal da terceira idade Rudi Angermeier (Elmar Wepper) e Trudi Angermeier (Hanellore Elsner).

Rudi Angermeier é um homem que detesta aventuras e leva uma vida pacata e tranquila. Acostumado com a rotina diária de levantar-se para ir ao trabalho e voltar ao fim do dia para casa, colocar seus chinelos e tomar sua cerveja. Não tem ambição alguma. Apenas um lema: “Uma maçã todo dia, a ida ao médio adia” Todavia, sofre de uma doença incurável e tem poucos meses de vida. Não sabe disso, já que sua esposa Trudi esconde a verdade.

Trudi Angermeier é uma mulher sonhadora que vive em função do marido. Relegou todos seus sonhos e suas fantasias para ser a companheira inseparável de Rudi. Soube da doença do esposo e sente que precisa fazer alguma coisa de importante para dar algum sentido a sua existência e a do querido companheiro. Sempre sonhou em conhecer o Japão e visitar o Monte Fuji além de ser uma amante da dança Butô (“Bu” significa dança, e “toh”, passo. Butô combina dança e teatro, em espetáculos centrados em temas como o nascimento, a sexualidade, o inconsciente, a morte, o grotesco. O corpo é esvaziado de referências culturais e se entrega a todo tipo de metamorfose). Quando recebe a notícia da doença de Rudi ela resolve convencer o marido a saírem do interior da Alemanha e visitar os filhos em Berlim como forma de aproximar a família nos últimos momentos.

Em Berlim reencontram os filhos Karolin, lésbica, e Klaus, casado e pai de duas crianças, que se mostram indiferentes a chegada do casal. Não possuem tempo, paciência ou mesmo afinidades entre eles. Os netos parecem desconhecer os avôs e a filha não tem a menor vontade de ficar “fazendo sala” para os pais. Assim o casal sente a indiferença dos filhos e netos e uma grande tristeza os acomete. Trudi – sabendo da doença do marido – resolve insistir na convivência entre eles na tentativa de aproximar a todos neste momento difícil. Mas para surpresa geral Trudi é encontrada morta pela manhã deixando Rudi inconsolável. Como forma de lembrar-se da esposa perdida e também para sentir-se mais perto dela, parte para o Japão para passar alguns dias em companhia de seu filho caçula Karl Angermeier (Maximilian Bruckner) que vive em Tóquio. Da mesma forma como seus irmãos não disponibiliza de tempo para fazer companhia ao pai e o abandona à própria sorte.

No Japão Rudi vive sozinho pelas ruas de Tóquio sem entender o idioma, a escrita e os costumes. Esta metáfora da “incomunicabilidade” é interessante já que – apesar de estar na companhia do filho – não consegue se comunicar ou se fazer entender e a afetividade entre ambos se anulam. Em seus passeios pela cidade conhece uma jovem dançarina de butô (papel de Aya Irizuki) que o transporta para um novo universo de compreensão, simbolismos e sensibilidades. Reencontra desta forma a paixão da esposa pelo país e a vontade que tinha de conhecer o Monte Fuji. Resolve então embarcar com a jovem dançarina para conhecer o Monte Fuji e a beleza simbólica da dança Butô para e assim estar mais próximo da querida mulher.

O filme é de uma beleza estética fantástica (pelas cerejeiras em flor), cenários naturais belíssimos e é claro pela interpretação de todo o elenco que supera, em muito, as expectativas dramáticas de uma produção que pretende tratar de assunto tão delicado. A cena em que a jovem dançarina faz seu bailado tendo como elemento um telefone é bárbaro. Seu simbolismo não poderia ser mais explicito: A Falta de comunicação entre pessoas que se amam; a rotina que distancia pessoas uma das outras e as pequenas declarações de afeto que não verbalizamos as pessoas que nos são caras. A incomunicabilidade dos amantes… A indiferença dos filhos… E, acima de tudo, a rotina que nos embrutece e silencia. Um filme de inúmeros simbolismos. Outra cena interessante é o momento em que Trudi resolve mostrar a Rudi a beleza da dança Butô. Ela parece querer aproximar o marido para a sua própria perspectiva de vida e trazer-lhe para o entendimento da beleza e do afeto. Como a dizer: Eu estou aqui, eu existo e, por amá-lo, perdôo por sua falta de comunicabilidade. E esta “comunicação” ele vai buscar depois como a querer reconciliar-se com a esposa e a finalmente entendê-la e amá-la muito mais. Não é à toa que usa as roupas da mulher em sua viagem. Veja o filme de espírito leve e não se acanhe em chorar ou a encontrar beleza nos clichês. Às vezes clichês nos dizem verdades que insistimos em não ver ou a acreditar.

Meu blog: http://maisde140caracteres.wordpress.com



Marcos Marcos (29/04/2010 21:40:45)   0 0
Tenho baixa tolerância a melodramas, mas gostei da forma sincera como as emoções e conflitos são representados no filme.

P.S.: Foi a pior crítica que já li aqui: o spoiler estraga a melhor surpresa do filme.



Fernando Fernando (04/04/2010 20:32:40)   1 0
Tendo a discordar da crítica. A morte leva pessoas a atitudes como a ingenuidade e melodrama.

A busca de Rudi pela essência das coisas que sua mulher amava, como a dança é de um homem que nunca dava importância a não ser a cerveja no final do dia.

Não acredito que esse seja o motivo dos dois ovos.




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