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Kiko Goifman, um artista multimídia, premiado aqui e lá fora, traz no currículo várias obras que retratam a violência (carcerária, contra os idosos, etc.). Aos 33 anos, ele resolve fazer mais um documentário com seu tema preferido, só que, dessa vez, era ele mesmo seu principal personagem. O enredo? A busca por sua mãe biológica. Detalhe: com a ajuda da adotiva. A violência aqui não se manisfesta nas celas, nem devido à idade. Vem da curiosidade vital que, adormecida por décadas, resolveu vir à tona e persegui-lo. Surge também do preconceito intrínseco ao tabu da adoção.
Estão lá, todos os elementos necessários para um documentário piegas e melodramático. Mas o talento de Kiko faz 33 passar, brilhantemente, longe disso. Mostra seu drama pessoal chega a ser, muitas vezes, até engraçado. Antes de começar sua busca, ele vai atrás de detetives de anúncios de jornais pra coletar dicas. “Pobre mata, classe média dá porrada e rico contrata um detetive”, diz um deles.
Kiko, que também é antropólogo, ignora todos os conselhos dos investigadores, mas o clima detetivesco dá o tom a este longa-metragem de 74 minutos. Todo em preto e branco, com grande maioria das tomadas noturnas, lembra um filme noir. “Busquei pistas durante o dia. Senti o prazer das imagens nas noite”, justifica ele.
Durante as filmagens, Kiko manteve um diário online no site no. Essa interação com o público trouxe, além de publicidade, dicas importantes para sua busca. Pessoas que leram o site e se lembraram de fatos que poderiam ajudar o cineasta. Outra "ação" que trouxe publicidade ao projeto mas teve um saldo pra lá de negativo foi a entrevista que deu ao Fantástico. Segundo Kiko, quando a matéria foi pro ar, choveu mulheres (interesseiras) que diziam ser mãe dele.
Mas o que pode ser considerado o maior mérito do filme, pode também trai-lo. A edição rápida, o ritmo de videoclipe, o corte afiado das cenas dão contemporaneidade ao documentário. Um ineditismo que chega a surpreender, mas que, repetido em excesso, cansa. Fica uma vontade de ver mais informações e menos intervenções artísticas.
Porém, a técnica e a engenhosidade de Kiko acabam por valer a ida ao cinema que é, aliás, o único jeito de descobrir se ele achou ou não sua mãe biológica em seus 33 dias de busca.
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