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Adeus, Lênin!

Adeus, Lênin!

Érico Borgo
24 de Dezembro de 2003

Adeus, Lênin!
Good bye, Lenin!

Alemanha, 2002
Comédia/drama - 121 min.

Direção: Wolfgang Becker
Roteiro: Wolfgang Becker, Bernd Lichtenberg

Elenco: Daniel Brühl, Katrin Saß, Maria Simon, Chulpan Khamatova, Florian Lukas, Alexander Beyer, Burghart Klaußner, Michael Gwisdek

Depois da queda do muro, em novembro de 1989, os alemães orientais, que viviam sob o regime comunista, abraçaram o capitalismo do ocidente, seus produtos e consumismo. Entretanto, uma década depois, um sentimento nostálgico pelo antigo governo espalhou-se pela nação, alavancado pelo alto desemprego e insatisfação pela situação econômica que passavam. Chamado de "Ostalgie", o movimento fez com que fábricas de produtos comunistas (como cosméticos, produtos de banho, produtos de limpeza e alimentos) voltassem à ativa, programas de TV com entrevistas com políticos e atletas pré-queda fossem lançados, jovens começassem a vestir roupas com temáticas pró-GDR (a Alemanha Oriental), etc. Outro importante fruto desse movimento foi a comédia Adeus, Lênin! (Goodbye Lenin!), tremendo sucesso de bilheteria por lá.

O filme, escrito e dirigido por Wolfgang Becker (os outros quatro trabalhos do cineasta permanecem inéditos por aqui), começa algumas semanas antes da queda do muro. Christiane (Katrin Sass) é uma apaixonada colaboradora do regime comunista. Aos quarenta e tantos anos, presencia uma manifestação nas ruas na qual seu filho Alex (Daniel Bruhl) é espancado por policiais e preso. Chocada, ela sofre um colapso e entra em coma no meio da confusão.

Quando Christiane desperta, vários meses depois, o médico revela à família que seu coração está extremamente fraco e que qualquer choque será fatal. Então, como explicar à mãe que o muro de Berlim caiu enquanto ela convalescia e que as duas Alemanhas foram unificadas sob um governo capitalista? A solução encontrada por Alex é aparentemente simples: Manter, pelo menos dentro do apartamento da família, a Alemanha oriental viva.

O filho começa então uma frenética luta para manter todas as influências externas longe do santuário socialista que montou em casa. Irmã, genro e namorada precisam vestir-se como antes, a comida precisa ser estatal e estações de rádio e TV precisam exibir os mesmos programas que transmitiam antes da transição. Mas o que fazer quando a Coca-Cola coloca um imenso painel no prédio em frente à janela do quarto?

Além da excelente premissa, o filme conta com um ótimo elenco. Os dois protagonistas fazem um trabalho irretocável, ao lado de coadjuvantes divertidos, como Maria Simon (a irmã de Alex), que começa a trabalhar entusiasmadíssima num Burger King e vestir-se de maneira New Wave. Merece destaque também Florian Lukas, o amigo de Alex que filma casamentos achando que é o novo Stanley Kubrick.

Enfim, sensível e recheado de ótimas piadas, Good Bye, Lenin! é algo raro, uma comédia alemã que prova que a tal "frieza" dos germânicos pode estar degelando enquanto o país sofre importantes mudanças.


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Comentários (1)

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sem avatar dilson (18/04/2011 22:28:37)   0 0
Adeus, Lênin!
Adeus, Lênin! é maravilhoso! Genial!
Classificado como comédia, mas é mais. Além de divertido, é reflexivo, romântico, carinhoso, nostálgico, idealista. É afetivo. Tanto familiar, quanto com a pátria. A ligação filho-mãe é muito forte, é universal. Afeto e problemas familiares existem sob todos regimes, capitalista ou comunista.
Coca Cola é bom, mas não desperta sonhos. No filme, o velho sonho de um mundo comunista parece revivificar. Adeus, Lênin! é para aqueles que ainda crêem em um mundo menos capitalista e mais humano, cujos filhos são generosos e afetuosos com os pais e com o país. Afinal, foi embora o sonho de um mundo mais justo e ficou apenas essa coisa aí chamada capitalismo. Ou será que ainda alguém crê que este mundo capitalista é motivo de orgulho!
Adeus, Lênin! faz uma reflexão sobre a Alemanha atual, dez anos após a queda do Muro.
Imagine alguém que se adormece, ao acordar, vê tudo transformado em sua volta. O filme conta história da mãe comunista, na antiga Berlin oriental, que entra em coma e ressurge meses depois. Durante esse tempo, ocorrem o colapso do comunismo, a queda do Muro de Berlin e adaptação da parte oriental da Alemanha ao capitalismo.
A mãe que ressurge do coma é, obviamente, a pátria, a Alemanha, o direito de ainda sonhar com os ideais comunistas. E muito mais. A mãe que ressurge é o puro idealismo socialista. Claro, uma metáfora.
Quem está contente com o colapso do comunismo? Diz o diretor do filme Wolfgang Becker: “Oh, é impossível ser nostálgico de um regime tão duro e repressivo, mas o comunismo de alguma forma impunha um limite à expansão capitalista. Passaram-se só dez anos e este mundo consumista não deve ser visto como motivo de orgulho para ninguém, exceto pelos que se beneficiam da situação”.
Em Adeus, Lênin!, a morte do socialismo é associada a uma estampa gigante da Coca Cola fixada lentamente num prédio da velha Berlin e a retirada e transporte do busto de Lênin num helicóptero. O mundo ficou órfão.
O mundo precisa de bons filmes. Assistir a bons filmes faz bem, estimula o inconsciente. Adeus, Lênin! é ótimo. Uma excelente sugestão.
Dilson Piccin




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