Cinegibi, O Filme - Turma da Mônica | Crítica

Cinegibi, O filme - Turma da Mônica

Marcelo Forlani
08 de Julho de 2004

Cinegibi, O filme
Turma da Mônica

Brasil, 2004
Animação - 70 min.

Direção: José Márcio Nicolosi

Elenco: Turma da Mônica, Maurício de Sousa, Luciano Hulk, Pedro e Thiago, Vanessa Camargo, Fernanda Lima

Desde 1970, as histórias em quadrinhos da Turma da Mônica são um dos primeiros contatos de várias crianças brasileiras com o mundo letrado. A força da Mônica, os planos infalíveis do Cebolinha, o pavor do Cascão pela água e a fome sem fim da Magali são os mesmos desde que Mauricio de Sousa começou a publicar suas tirinhas em jornais, em 1959.

Apesar de seguirem o padrão americano de não envelhecerem (nos mangás, os personagens vão crescendo e ficando mais maduros com o tempo), eles estão sempre atuais, por dentro das gírias, dos filmes e das modas contemporâneas. Por isso mesmo, seu público sempre vai ser o mesmo: as crianças - não que alguns adultos não possam comprar um gibi nas bancas e se acabar de rir ;-)

Cine gibi - O filme não poderia ser diferente: o foco está nos pequenos. E talvez para eles até funcione, pois as histórias são curtas. No total, temos seis episódios de uns 10 minutos cada, intercalados com momentos de interação dos personagens com pessoas reais, como Luciano Huck, Fernanda Lima, Wanessa Camargo, Pedro e Tiago e o próprio Mauricio de Sousa.

Em entrevista coletiva com a imprensa paulista, Mauricio disse que nem se lembra de quem foi a idéia de usar celebridades junto com os personagens, mas que o grande diferencial é que o filme foi feito de uma forma que, em outros países, estas participações especiais sejam trocadas para celebridades locais. Mas esta saída é uma síntese do que é este projeto da Mauricio de Sousa Produções: preguiçoso. A presença dos artistas não acrescenta nada à narrativa. Aliás, não há narrativa, pois cada uma das histórias é independente e tirada literalmente de um gibi.

Franjinha é o inventor do Cine Gibi, uma máquina que é um enorme liquidificador em que você coloca uma revistinha e, com a ajuda de uma lupa gigante, ela transforma a história em quadrinhos em animação, que é projetada na telona. As seis histórias vieram dos gibis da turma. Na primeira, Em busca do nariz de Isabele, Mônica está montando um quebra-cabeças e na hora que vai colocar a última peça descobre que ela não está lá. Começa então uma aventura para conseguir descobrir o que aconteceu, pois todos os quebra-cabeças com aquele desenho têm o mesmo problema: não têm o nariz de Isabele. Concurso de beleza, a segunda historinha, é um plano infalível do Cebolinha, que quer eleger a Mônica a mais bonita do bairro e assim chantageá-la, pois não fica bem pala uma Miss bater nos galotos. No episódio 3, Amor dentuço, um vampiro vê os dentões da Mônica, se apaixona por ela e quer transformá-la num chupador de sangue. Caça Sansão é a quarta aventura. Numa mistura de Frankenstein e King Kong, um cientista maluco acha o coelhinho encardido da Mônica e o transforma num enorme monstro. O quinto curta é estrelado por Cascão e Cebolinha, que gastam horas de seu dia construindo um Cenário para meus brinquedos. No último desenho, há um final com moral da história. Cebolinha está cuidando de sua irmãzinha, mas queria mesmo era ter um irmão para brincar, jogar bola e fazer o que faz com os meninos da sua idade. Ele decide, então, adotar o Cascão.

Embora bastante simples, a animação é bem feita e utiliza uma técnica que facilita a produção rápida de diversos minutos de filme. Por exemplo, em vez de mexer todo o rosto, os personagens mexem apenas a boca e em movimentos repetitivos. Nas cenas de ação, como por exemplo uma corrida, o cenário mexe mais que os próprios personagens. Tudo isso foi incorporado aos desenhos animados por Osamu Tezuka, que conseguiu na década de 1960 criar episódios semanais de 25 minutos para o seu Astro Boy.

Créditos a quem merece

Na hora dos créditos, no meio de brincadeirinhas sem graça e repetitivas, vemos pela primeira vez os créditos das pessoas responsáveis por cada história. Como se sabe, nos gibis da Turma, os roteiristas, desenhistas, arte-finalistas e letristas não são creditados. Mauricio disse na entrevista que faz isso para cultivar um sentimento de equipe entre todos e não criar vaidades. Mas, por outro lado, nunca saberemos se há entre as centenas de artistas alguém que consiga se destacar e, um dia, conseguir emplacar seu próprio gibi.

Antes que comecem a me tachar de velho, chato e ranzinza, e mandem a Mônica e o Sansão para ter uma conversa comigo, digo que não tenho nada contra Mauricio. Leio os gibis da Turma desde que aprendi a juntar as letras e formar palavras. Apóio a produção de Cine Gibis e outras animações brasileiras e quero mais é que este mercado cresça. Só tenho medo de que ele cresça para o lado errado, utilizando celebridades para esconder roteiros fracos, como fazem xuxas e outros trapalhões que costumam ganhar muito dinheiro sem fazer nada para melhorar a cultura. Mauricio de Sousa já ensinou muita gente a ler. Podia ensinar, agora, o povo a distinguir um bom filme de outro puramente comercial. Não vai ser com este Cine Gibi, que o próprio autor confessou que foi produzido a toque de caixa, mas quem sabe isso aconteça com os próximos quatro longas que já estão em pré-produção.



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