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Constantine

Constantine

Érico Borgo
10 de Março de 2005

Constantine
Constantine, 2005
EUA - 121 min.
Ação/Fantasia/Suspense

Direção: Francis Lawrence.
Roteiro: Kevin Brodbin e Frank Cappello, baseados nos quadrinhos de Jamie Delano e Garth Ennis.

Elenco: Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Max Baker, Pruitt Taylor Vince, Gavin Rossdale, Tilda Swinton, Peter Stormare.

Antes de ser realizado, o primeiro filme de Harry Potter passou por uma polêmica entre os fãs. Os produtores queriam que o menino bruxo, um britânico, se transformasse em estadunidense e que a aventura, toda passada na Inglaterra, cruzasse o Atlântico até as terras ianques. Felizmente, a escritora Joanne Rowling bateu o pé e exigiu o direito de aprovação de todos os elementos da história com antecedência. Do contrário, o filme não poderia ser realizado. Assim, todos os fãs puderam respirar aliviados já que o Harry Potter que veriam nas telonas seria exatamente o mesmo das páginas dos livros.

John Constantine, também britânico, também bruxo, não teve a mesma sorte. Na adaptação para o cinema do cultuado gibi Hellblazer, parte da linha de quadrinhos adultos da DC/Vertigo, foi obrigado a perder o sotaque, os cabelos loiros e a deixar de viver na terra da Rainha. Mas a comparação entre os dois personagens pára por aqui. Diferente de Potter, os direitos autorais de Constantine não pertencem a um autor (apesar dele ter sido criado pelo genial inglês Alan Moore), mas sim a uma corporação. E você sabe o que dizem das corporações... elas precisam dar lucro. Dessa forma, para agradar o público norte-americano, todas as referências à terra natal de Constantine foram apagadas e ele tornou-se um cidadão dos Estados Unidos. A boa notícia é que ele certamente não vota em George W. Bush.

Apesar das mudanças estéticas, a alma cinza (tanto pela personalidade quanto pela fumaça de cigarro) de Constantine permanece intacta. O velho ocultista dos quadrinhos mantém seu charme, seu cinismo e o humor negro na versão hollywoodiana. O papel título caiu como uma luva para o "predestinado" Keanu Reeves (leia entrevista), que viu casados com perfeição seus talentos notoriamente limitados com a atitude blasé do personagem.

Na história das telas, Constantine é um exorcista veterano, que cruza as ruas de Los Angeles atrás de qualquer coisa que comprometa o equilíbrio das duas "superpotências originais", o Céu e o Inferno. Desde o início da humanidade, Deus e o Diabo mantêm um pacto: podem influenciar o livre-arbítrio das pessoas, tentando levar suas almas para um dos dois planos. Seus agentes são os mestiços, anjos e demônios que caminham pela Terra disfarçados como nós.

Logo em sua infância, Constantine descobriu ser um dos poucos humanos capazes de ver tais criaturas como elas realmente são. O peso cobrado por essa habilidade levou-o a tentar o suicídio quando jovem, o que selou suas chances de ir para o Céu quando morresse (lembre-se que o ato é um pecado mortal para os católicos). Desde então, ele dedicou sua vida à luta contra o demônio, como uma forma de comprar sua entrada no Paraíso, mas sempre deixando claro seu desprezo pelos dois lados da equilibrada equação.

As coisas começam a mudar quando uma série de eventos prenuncia que algo bastante estranho está ocorrendo nos círculos do inferno... obviamente, caberá ao anti-herói a missão de descobrir a razão desses eventos e impedi-los de acontecer. Mas seu tempo é escasso, pois além de tudo ele está com câncer de pulmão e não deve durar muito.

Nessa missão, o ocultista encontra diversos - e fantásticos - personagens coadjuvantes, como a detetive Angela Dodson, vivida com a enorme competência habitual por Rachel Weisz (O júri). Católica devota, ela tenta provar a todo custo que sua irmã gêmea não cometeu suicídio e sua investigação a leva até o lendário John Constantine e à sua realidade surrealista. Além de Weisz, Djimon Hounsou (Terra de sonhos) também faz um ótimo trabalho como o feiticeiro Papa Meia-Noite, dono de uma casa noturna que serve como território neutro para anjos e demônios. Em um papel menos empolgante, como o demônio Baltazar, há o vocalista da banda Bush, Gavin Rossdale, que até parece interessante, mas empalidece quando surge nas telas a fabulosa Tilda Swinton (Até o fim). Ela interpreta o andrógino anjo Gabriel de tal forma que o estilo do personagem deveria ser adotado também nos quadrinhos. Por último, há o versátil Peter Stormare (Minority Report) como Lúcifer, que divide o fantástico clímax - que contém as melhores cenas de toda a trama - com Keanu Reeves.

Tecnicamente, o filme também agrada. O talentoso diretor de videoclipes Francis Lawrence criou uma atmosfera que dificilmente poderia ser mais precisa, mesmo se o filme fosse passado no velho continente. Ele mantém a história sempre ancorada na realidade, até quando somos levados às profundezas do inferno, que surge como uma versão nuclear de nosso próprio plano. Há apenas alguns pequenos deslizes, como o excesso de computação gráfica numa briga contra um demônio feito de insetos e um ou dois sustos gratuitos.

Ao final da projeção, Constantine resulta competente e muito satisfatório, bastante superior à grande maioria dos suspenses de Hollywood surgidos nos últimos dois ou três anos. Os fãs mais ardorosos, claro, devem reclamar das mudanças, mas não dá para culpá-los. Será que o público reagiria tão mal assim se as características físicas do personagem fossem mantidas? Não me lembro de Harry Potter ter ido mal nas bilheterias...

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Comentários (5)

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Alessandro Alessandro (17/06/2011 10:00:43)   8 1
Assisti este filme faz tempo. Ele é bom! Mas este Constantine, definitivamente, não é o de Hellblazer. Não que este seja ruim, mas o da HQ é muito mais interessante.

O filme foi (pouca coisa) baseado no arco Hábitos Perigosos, onde John, por um momento, fica frágil devido sua morte iminente. E o filme baseou-se neste momento de fraqueza dele.

John Constantine geralmente está sempre rindo (da desgraça dos outros), é manipulador, sem escrúpulos, sem respeito por nada. Faz o que for preciso para terminar o serviço, mesmo que isso sacrifique alguns de seus "amigos". Sacaneia demais os demônios (ele mostra o dedo pro Diabo!!!).

E outra, ELE NÃO TENTOU SUICÍDIO. Na verdade ele vai para o inferno por ter estrangulado seu irmão gêmeo na barriga da mãe (que morreu no parto) com o cordão umbilical. Depois, já meio atormentado começa a mexer com magia negra e acaba mandando uma criança para o inferno. Daí ele fica doidão de vez e é internado num manicônio e sai como um dos mais poderosos e cretinos magos. Por essas e outras ele vai para o inferno (também por dever a alma para toda a Diabíssima Trindade).

E ele também, pelo que parece, não tem a mínima vontade de ir para o céu (para o inferno também não, claro. Lá quase todo mundo odeia ele). Na verdade ele acha o "Bem" tão culpado pela sociadade perdida, quanto o "Mal", ele gosta menos de anjos que de demônios (ele odeia o Esnobe, Anjo Gabriel) e pensa que os demônios entendem melhor as pessoas que os anjos.

Bom, é um personagem muito carismático. Recomendo a HQ a todos.




João Luiz João Luiz (03/05/2011 17:19:48)   23 0
Como filme, é um dos melhores inspirado em HQ que já assisti, mesmo com todas as alterações que fizeram no personagem. O roteiro é muito bom!!

Keanu Reeves esteve excelente!! 4 OVOS!!



sem avatar ebert (29/04/2011 10:32:57)   0 0
ad Samp


Constantine foi lançado antes AeD!!!!



Ad Samp Ad Samp (28/04/2011 19:55:32)   174 0
Esse sim é um filme de terror sem apelações e truques para dar susto no expectador.

No final do filme você diz: " E cara essa premissa é do filme 'Anjos e Demônios'".

Mas não importa a execução é perfeita.

Porque será que todo mundo adora Keanu reeves?

Certíssimo @edgar, 4 ovos.



edgar edgar (20/03/2011 21:17:36)   105 0
como filme foi ótimo adorei.
Constantine tentando sair do inferno é épico.

nunca li a hq mais irei ler.

4 Ovos.




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