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Didi Quer ser Criança | Crítica

Didi quer ser criança

Érico Borgo
08 de Julho de 2004

Didi quer ser criança
Brasil, 2004
Infantil/Comédia

Direção e Roteiro: Alexandre Boury e Reynaldo Boury

Elenco: Renato Aragão, Werner Schünnerman, Cláudio Heinrich, Fernanda Lima, Didi Wagner, Daniella Cicarelli, Pedro Malta, Bruno Cariati, Maria Luísa Rodrigues, Paulo Ricardo Corrêa, Elias Gleizer, Rafael de Castro, Daniel de Castro

São 44 filmes e 120 milhões de ingressos vendidos na carreira de Renato Aragão, o Didi. Seu último filme, Didi, o cupido trapalhão, teve 1,8 milhão de espectadores nos cinemas e foi produzido por Diler Trindade, o responsável pelos filmes dos fenômenos Xuxa, Padre Marcelo e Angélica, entre outros. Tamanho cartão de visitas pode parecer sinônimo de qualidade, mas a realidade é bem diferente...

Em seu novo filme, Didi quer ser criança (de Reynaldo e Alexandre Boury, 2004), Aragão insiste na mesma fórmula batida que se provou lucrativa, mas artisticamente execrável. Incha o elenco de celebridades sem qualquer talento para a atuação e retorna careteiro e despido de qualquer resquício da genialidade que mostrava - ao lado de Dedé, Mussum e Zacarias - no programa Os Trapalhões.

Desta vez, Didi é um experimentador pobretão de uma fábrica de doces típicos. Ele trabalho nisso porque tem espírito infantil e, portanto, sabe o que as crianças gostam. Mas a concorrência está jogando baixo e além de fazer doces totalmente artificiais e cheios de produtos que fazem mal à saúde, a propaganda deles engana todo mundo. Didi tenta alertar seus amiguinhos, mas ninguém dá ouvidos porque ele é um adulto. Quando tudo parece perdido, Didi ganha de dois maltrapilhos que ele ajudou - na verdade os santos Cosme & Damião (os gêmeos Rafael e Daniel de Castro) - um pacote de balas mágicas que o transformam em criança. Assim, ele pode convencer os coleguinhas de igual para igual e tentar resgatar o espírito da data que celebra os dois santos que gostam de doces.

A premissa é até interessante e seria apenas um "mais do mesmo" inofensivo, não fossem alguns detalhes absolutamente perturbadores... mas antes de comentá-los, fica o alerta de que a partir daqui não terei escolha a não ser contar detalhes do final do filme. Ninguém - e incluo aí qualquer criança - merece descobri-los sozinho.

O ponto crucial é que Didi quer ser criança tem falhas assustadoras de roteiro. Durante toda a duração da película, o personagem de Aragão tenta convencer Felipinho (Pedro Malta), um garoto de 8 anos, a curtir sua infância e esquecer a idéia de crescer depressa para poder paquerar as meninas mais velhas. Até aí, uma lição louvável. Entretanto, o menino também é submetido ao efeito das tais balas mágicas e torna-se um galã cantor (Claudio Henrich) que desperta o interesse da bela Adriana (Didi Wagner, da MTV) e da balconista interpretada por Daniela Cicarelli (em seu primeiro papel no cinema... pena que não deve ser o último). Acontece que o moleque tem a oportunidade de voltar a ser criança no final do filme e Didi - que detinha a última bala - prefere deixá-lo jovem! O que aconteceu com os sábios conselhos sobre não apressar o crescimento? Mas calma, a sucessão de afrontas à inteligência alheia continua...

Quando vira criança, Didi (agora intepretado por Bruno Cariati e dublado por Renato Aragão) conhece Sandrinha (Maria Luisa Rodrigues), a filha do dono da "Fábrica de doces do mal". A menina é a namoradinha de Felipe e apaixona-se pelo Didizinho. Como se a idéia de uma menina de 8 apaixonando-se por um homem de 69 não fosse suficientemente estranha, ela TAMBÉM tem acesso às balas e decide transformar-se em adulta para ficar com o Didi grande. Na (bela) pele de Fernanda Lima, a menina termina o filme entrando no carro do protagonista, beijando-o na boca e partindo, à noite, por uma iluminada avenida. Só que o filme deixa claro que as pessoas transformadas mantêm a sua mente original e que Didi reconhece a Sandrinha adulta. Ou seja, o "herói" da aventura termina - consciente - com uma menininha que ainda nem entrou na puberdade. Não estou acusando ninguém de pedofilia aqui, mas o furo do roteiro é tão grande que só posso culpar o lamentável estilo de trabalho do produtor, que vai do roteiro ao lançamento do filme em pouco mais de quatro meses... não há filme que se salve (é só analisar qualquer um dos filmes da empresa nos últimos 5 anos para a prova).

Curiosamente, a menina Maria Luisa Rodrigues teve que usar lentes de contato cor-de-mel durante o filme inteiro para que seus olhos ficassem parecidos com os de Fernanda Lima. Surpreendentemente, a garota aparece em diversas cenas, enquanto a modelo tem pouco mais de 20 segundos de participação. Impossível deixar de imaginar por que não colocaram as lentes na top model, ao invés de submeter a atriz-mirim a isso...

Completa a salada cinematográfica a emblemática frase proferida pela empresário malvado (Werner Schünemann): "Criança gosta de qualquer porcaria". Considerando o resultado dos filmes do Didi nas bilheterias, pelo menos o vilão sabe do que está falando!



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