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Fala tu

Fala tu

Marcelo Forlani
01 de Abril de 2004

Fala tu
Brasil, 2004 - 74min.
Documentário

Direção: Guilherme Coelho

A onda de documentários chegou mesmo para ficar. E o melhor é que os temas que estão sendo explorados são bastante acessíveis ao "povão", tirando aquela idéia de que documentário é uma coisa chata e cinema bom é só aquele feito com ficções.

Fala Tu acertou tão bem neste alvo que foi escolhido pelo público como o Melhor Documentário no Festival do Rio de Cinema de 2003, além de render um prêmio também para seu jovem diretor, Guilherme Coelho. Este seu primeiro longa-metragem vai até a zona norte do Rio atrás de três rappers, Macarrão, Togum e Combatente. Não se preocupe se você não conhece nenhum dos três. Eles não são mesmo muito famosos fora do circuito das rádios comunitárias de seus bairros.

Macarrão, o típico carioca, malandro, é um apontador do jogo do bicho. Togum lembra o Michael Clarke Duncan em A espera de um milagre (The Green mile, de Frank Darabont - 2001): grande, forte e careca. Seu vozeirão esconde um budista calmo e com o sonho de se tornar o primeiro porta-voz negro de um presidente brasileiro. Já a Combatente trabalha como atendente de telemarketing e faz parte de um grupo formado só por meninas.

Usando uma câmera que ora corre atrás do vendedor, ora fica de longe só vendo o movimento do ponto de bicho, Guilherme consegue mostrar o que é um dia normal na vida destes três, que só são rappers nas horas vagas. A música funciona como forma de esquecer da dura realidade, ou então de reforçá-la. Pelo menos é o que diz Macarrão. "O que eu faço não é música de bandido, é crônica do cotidiano", fala ele olhando fixamente para a câmera, da laje de sua casa.

E a vida não é mesmo fácil. Durante as filmagens, o espectador vai junto com Togum ao hospital, conhecer seu pai, que tem câncer. Mas a realidade pega pesado mesmo é com Macarrão. Alguns podem acusar o diretor de manipulador, por ter incluído um final tão duro no seu filme, mas assim é a vida de verdade. E é esta a diferença entre a vida real dos documentários e a ficcional idealizada por Hollywood.


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