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Monster - Desejo Assassino | Crítica

Monster - Desejo assassino

Érico Borgo
17 de Junho de 2004

Monster - Desejo Assassino
Monster
, 2003
EUA, Alemanha,
Drama - 109 min.

Direção: Patty Jenkins
Roteiro:
Patty Jenkins

Elenco: Charlize Theron, Christina Ricci, Bruce Dern, Lee Tergesen, Annie Corley.

Em 9 de outubro de 2002, foi executada por injeção letal, no Estado da Flórida, Aileen Wuornos, a primeira assassina serial dos Estados Unidos e uma das únicas do mundo.

Conhecida como a Donzela da Morte, ela matou seis homens de meia idade enquanto trabalhava como prostituta nas auto-estradas americanas. Em 2001, depois de mais de uma década encarcerada, a assassina pediu para ser condenada à morte de uma vez, pois não havia "razão para ficar gastando o dinheiro dos contribuintes comigo. Matei sim, e mataria novamente, se pudesse", declarou. "Tenho ódio correndo em minhas veias".

Aileen sofreu abusos na infância e consumiu drogas durante toda a vida. Começou a se prostituir aos 14 anos e cometeu seu primeiro assassinato em 1989, matando mais cinco pessoas (ou seis, não se sabe ao certo) nos nove meses seguintes.

Poucas horas depois da execução da sentença, um dos grandes veículos de Hollywood já anunciava o início da produção de Monster, filme independente que mostraria a vida da assassina. Não seria motivo para alarde, afinal, Hollywood não é conhecida por deixar assuntos esfriarem antes de transformá-los em película. Entretanto, a presença de Charlize Theron (Doce novembro) como a protagonista causou espanto. Theron parecia uma escolha equivocada para o papel, afinal ela é belíssima, tem um rosto conhecido demais e parecia incapaz de garantir alguma verossimilhança para a trama.

Felizmente, a atriz encontrou a maneira ideal de abordar o trabalho: ficar feia, tática que foi recentemente testada pelas igualmente belas Nicole Kidman, em As horas, e Salma Hayek, em Frida. Theron transformou suas formas ao engordar 16 quilos, sofreu um processo de maquiagem que a deixou parecidíssima com a serial killer (incluindo prótese dentária, manchas de pele e cabelos maltratados) e, principalmente, agiu nas telas como uma verdadeira troglodita, movendo-se e falando como a "monstra" do título. O resultado é tão positivo que lhe rendeu o cobiçado Oscar de Melhor atriz.

Não por acaso, a cena que abre o longa mostra um close-up da chuva batendo em seu rosto transformado. Um tremendo choque para quem a viu linda no recente Uma saída de mestre. Passado o susto inicial, o filme acompanha a vida de Aileen, desde o começo da sua carreira de crimes até seu julgamento, e tenta humanizá-la ao dividir o fardo da culpa com a amante Selby Wall.

Interpretada pela sempre competente - e esquisita - Christina Ricci, Selby é uma versão fictícia de Tyria Moore, a mulher que na vida real dividiu os sofrimentos com Aileen. O personagem foi criado porque Tyria havia sido retratada de forma negativa em um documentário sobre a assassina e decidiu processar os produtores da fita. Como em Monster é exatamente isso o que se vê na tela, o estúdio preferiu removê-la para evitar acusações posteriores. Assim, a personagem ficou apenas em parte verídica, o que não tira a sua força.

Selby é mostrada com dualidade. Inicialmente aparece como algo benéfico, já que desperta em Aileen o desejo de mudar de vida, esquecer seu passado como prostituta e progredir. Por outro lado, funciona como um catalisador involuntário da onda de violência da assassina, já que se coloca na posição de dependente da outra e exige boas condições financeiras. Como Aileen não consegue se ajustar - algo mostrado numa das melhores cenas do filme, quando um advogado explica pra ela o que significa ser uma "pessoa normal" - apela para o crime e acaba descontrolada pela sensação de poder.

Todavia, o longa não é genial, nem mesmo memorável. A diretora estreante Patty Jenkins, que também assina o roteiro, exagera na idéia recorrente de tratar a criminosa como fruto de sua condição social e parece fascinada demais pela vida difícil da assassina. A força do filme fica mesmo no fato de ser baseado em uma história verídica - é necessário descontar os excessos da cineasta - e nas ótimas interpretações das duas protagonistas, que conseguem transmitir toda a dualidade de caráter de suas personagens.

Vale ressaltar também que, além de mudar fisicamente Charlize Theron, a pequena produção independente também transformou-a de coadjuvante bonitinha de filmes de ação ou romances açucarados em uma atriz de primeira linha. Seu próximo projeto, a adaptação para as telas do desenho animado Aeon Flux, já garantiu à sul-africana um invejável salário de 10 milhões de dólares, uma quantia significativa que engorda sua conta bancária e pode fazer os quilos extras de Ailenn Wuornos facilmente desaparecerem.


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Comentários (2)

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sem avatar Weslley (21/06/2012 12:45:46)   22 0
assisti esse filme ontem, já era meia noite qndo começou, comecei a assistir mas como era tarde tava pensando em nao assistir..mas o filme é tao bom tao bom que aguente ate as duas da manha...cara filme que te toca, que te emociona e que te faz pensar sobre um monte de coisa..parabens..e feliz em saber que a Theron ganhou um oscar por ele



sem avatar Iury (02/01/2012 15:36:40)   6 0
Não gostei muito do filme...se torna confuso!! Eu tinha uma enorme espectativa em relação a ele mas me decepcionei.




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