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Penetras Bons de Bico | Crítica

Penetras bons de bico

Érico Borgo
07 de Setembro de 2005

Penetras bons de bico
Wedding Crashers
EUA, 2005
Comédia - 121 min

Direção: David Dobkin
Roteiro: Steve Faber, Bob Fisher

Elenco: Vince Vaughn, Owen Wilson, Rachel McAdams, Christopher Walken, Will Ferrell, Isla Fisher, Jane Seymour

A comédia, que pelo seu pelo baixo custo é um dos gêneros mais explorados por Hollywood, vai de mal a pior. Passam-se anos inteiros sem que um longa verdadeiramente engraçado e criativo entre em cartaz. A maioria parece ser produzida por um comitê, que se utiliza das mesmas velhas piadas de sempre, cheirando a formol. Quando aparece algo um pouquinho melhor vira aquele tremendo sucesso de bilheteria, muitas vezes exagerado. Por outro lado, se ele é bom demais, naufraga, pois ninguém entende. O meio-termo é dureza de ser atingido.

Quando Penetras bons de bico (Wedding crashers, 2005) entrou em cartaz, era de se esperar que fosse outra dessas comédias "mais do mesmo". Estreou sem alarde, com astros de popularidade mediana e pouco orçamento. Mas conquistou crítica e público e devastou as bilheterias, assumindo o topo do ranking estadunidense na sua terceira semana em cartaz, algo nada comum.

A história acompanha dois advogados mediadores de divórcios (vividos por Owen Wilson e Vince Vaughn) com um estranho hobby: entrar de penetra em casamentos diversos, não importa o tipo. Especializadíssimos, conhecem todos os truques para invadir os eventos, comer e beber de graça e conquistar as garotas presentes. Nada mais chato que esse tipo de cerimônia, mas na ótica da dupla, a mesmice (alguém ainda agüenta ouvir Beatles, Ray Conniff e Jovem Guarda num casamento?) se transforma em um ambiente perfeitamente controlado, no qual eles reinam supremos.

Mas o mundinho perfeito e festeiro dos dois vira de pernas pro ar quando John (Wilson) começa a racionalizar aquilo tudo com o inevitável peso da maturidade. O estopim de tal consciência: a lindíssima Claire (Rachel McAdams), filha de um senador (Christopher Walken, fazendo o fantástico esquisitão de sempre). Apaixonado, o penetra convence seu amigo a embarcar na mais difícil farsa de suas vidas, um fim de semana com a moça, sua família inteira e, pra piorar, o noivo ciumento (Bradley Cooper).

Apesar de absolutamente convencional em termos estruturais - ou seja, de trabalhar dentro das regras do jogo hollywoodiano - o filme desafia um dos principais pilares do cinema estadunidense da atualidade: a idéia de que filmes para maiores de 18 anos têm menos público.

Ao recusarem a infame versão PG-13 de seu filme (supostamente a faixa mais lucrativa e comprovadamente mais limpinha), o diretor David Dobkin (Bater ou correr em Londres) e os roteiristas estreantes Steve Faber e Bob Fisher conseguem chutar os traseiros poeirentos dos comitês e emplacar uma comédia na medida. Uma seqüência em particular é especialmente emblemática desse rompimento. Nela, uma montagem ágil enfileira as conquistas dos dois protagonistas numa longa sucessão de peitos e bundas de todos os tipos, raças e credos. Totalmente desnecessária para a história, mas importante para esse chacoalhão.

Outro elemento a ser mandado às favas em Penetras bons de bico é a caretíssima "mensagem". Na maioria das comédias atuais, mesmo as mais bacanas, o final geralmente se transforma num catecismo puritano. O mais comum é ver até o mais deliciosamente canalha dos personagens terminando a fita como um conformado convertido. Aqui, se acontece uma acomodação, ela é perfeitamente compreensível dentro do contexto.

Se o começo, com as invasões e farras, é infinitamente superior ao desfecho, quando a produção perde um pouco do seu passo e o romance periga tomar conta, surge a figura de Will Ferrell (O Âncora) para salvar o dia. O sujeito aparece como o guru dos penetras, um cara faixa preta na arte, alguém que transcendeu os casamentos e agora entra de bicão em outro tipo de cerimônia.

Aliás, a parceria recorrente entre Ferrell, os irmãos Wilson (Owen e Luke), Vince Vaughn, Ben Stiller e Jack Black lentamente faz renascer o bom besteirol moderno, que viveu dias recentes de glória nas mãos dos Irmãos Farrell. Isso quando eles não escorregam feio, como no fraco Com a bola toda, o que não deixa de ser normal, afinal, todo casamento tem seus altos e baixos mesmo. Torçamos apenas que este não acabe em divórcio.


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