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Produzido de maneira independente em 2000, sem a autorização das autoridades chinesas, Plataforma (Zhan Tai, escrito e dirigido por Jia Zhang Ke) explora as transformações sócio-culturais da China no início dos anos 1980.
Durante o inverno de 1979, na pequena cidade de Fenyang (cidade onde morou o diretor), na província de Shanxi, na China, o jovem Minliang (Wang Hong Wei) e seus amigos ganham a vida apresentando peças teatrais que glorificam os feitos do líder comunista Mao Tse Tung (1883-1976). Contudo, é tempo de mudanças e o apoio do Estado ao grupo cultural é retirado.
Sem verba, a companhia é privatizada, passando para o controle de um de seus atores. A trupe é então transformada em um espetáculo itinerante, totalmente independente.
Com o tempo, novas aberturas políticas e a moda ditada pelos grandes centros capitalistas, como Hong Kong e Taiwan, começam a influenciar o pequeno grupo, que já pode incluir músicas ocidentais e hábitos até então proibidos em suas apresentações. A temática das peças, que outrora restringia-se à propaganda maoista, agora abrange a dança pop e o rock´n´roll do ocidente.
As mudanças políticas são extremamente sutis e percebidas apenas através do comportamento - roupas, penteados, atitudes - de Minliang e seus colegas. O clima é solitário, triste, refletido pelas muralhas ancestrais de Fenyang, que de certa forma simbolizam o sentimento de toda China.
Interessante a princípio, o problema de Plataforma é justamente o que alguns críticos devem exaltar como sua maior virtude... Filmado em longas (muito longas!) seqüências estáticas, com pouco (ou nenhum) diálogo, Plataforma se arrasta por 145 minutos nos quais muito pouco acontece.
A idéia é respeitar o tempo de seus personagens, transmitindo toda a morosidade e incerteza de suas vidas fora do palco... dá pra entender a opção por esse tipo de montagem, já que uma edição mais rápida e ocidentalizada de certa forma sinalizaria as mesmas concessões que o Grupo Cultural de Fenyang teve que fazer para manter-se vivo. O diretor, no entanto, prefere um recorte artístico e, por conseqüência, restringe sua obra aos poucos espectadores com paciência para enfrentar um longa-metragem longo, introspectivo e, aos olhos da grande maioria dos consumidores de cinema de hoje, extremamente chato.
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