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Na verdade, esta película só se tornou possível graças ao bom e velho Cavaleiro das trevas de Frank Miller, publicado nos Estados Unidos em 1985 e que resgatou o Morcegão do ostracismo, verdadeira ressaca do seriado cômico dos anos 60. Até então quando se falava em Batman, a primeira imagem que vinha à cabeça do público era um bufão barrigudo e de músculos flácidos, acompanhado por um moleque de meias-calça, que combatia vilões engraçados. O fenômeno deflagrado por Miller não só resgatou a imagem do Morcego como ajudou a levantar a moral dos quadrinhos como um todo. Várias graphic novels depois, os executivos dos estúdios já estavam de orelha em pé com os lucros em potencial de um longa-metragem sério do nosso herói.
Dado o ponta-pé inicial, a primeira polêmica em torno do filme foi a contratação de um diretor praticamente desconhecido para o projeto. Tim Burton até então só havia dirigido dois filmes cômicos: A grande aventura de pee-wee e Os fantasmas se divertem. Os fãs tremeram. Batman nas mãos de um diretor de coisas assim&qt& No entanto, quando o nome do alucinado Jack Nicholson foi confirmado como o Coringa, os ânimos voltaram a se elevar! A euforia tornou-se generalizada assim que outros nomes de peso juntaram-se ao elenco. Para completar, os produtores prometeram um roteiro com elementos da mini-série de Miller e da graphic novel A piada mortal de Alan Moore. Tudo isto ainda viria embalado por um orçamento milionário como os fãs de quadrinhos não viam desde o primeiro Superman. O banho de água fria, no entanto, veio com a escalação do protagonista: Michael Keaton.
Comediante de filmes de segunda, Keaton, que havia trabalhado com Burton em Os fantasmas se divertem era tampinha, calvo e não gozava da menor semelhança com o milionário Bruce Wayne. Primeira opção do diretor, ele se tornou um martírio para os fãs. Burton justificou-se que não queria um Super-homem, mas um herói plausível, um homem comum, com o qual o público pudesse se identificar.
As primeiras imagens de Keaton posando de uniforme até que tranqüilizaram o público. Afinal, era uma armadura, algo. em si. mais lógico até do que um colante. E o filme seguiu em paz até sua estréia.
TINHA TUDO PARA DAR CERTO
Sinistro, sombrio, opressor mas... equivocado. É assim que pode se definir o filme. A atmosfera era a certa. Os cenários deslumbrantes; a trilha sonora de Danny Elfman, épica; o vilão excelente, mas o roteiro que é bom... necas! A história demora para decolar e depois entra em queda-livre. Tim Burton parece ter dirigido o filme algemado e com uma espingarda apontada para a cabeça. Sua direção foi burocrática como uma modorrenta repartição pública. Personagens entram e saem com a profundidade de um pires, transitando por situações mal-resolvidas e cenas de ação nada empolgantes. Resultado: um filme morno, muito longe do que estava sendo prometido.
PECADOS CAPITAIS
O filme comete alguns pecados que limaram todo seu potencial:
AS VIRTUDES DO FILME:
QUEM RI POR ÚLTIMO, RI MELHOR.
Com sua campanha de marketing inigualável, o filme tornou-se uma febre mundial. Seu sucesso instantâneo fez dele uma das maiores bilheterias de todos os tempos, até então; para a alegria especial de Nicholson, que abriu mão de seu cachê por uma porcentagem dos lucros. Na época, o doido de plantão em Hollywood embolsou 65 milhões de verdinhas!!! Realmente, o Coringa, roubou o filme!
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