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Lição de Amor

Ou como escrever um filme brega com frases melosas que parecem embalagem de bombom

Érico Borgo
19 de Março de 2009

Lição de Amor

Lição de Amor

Scusa ma ti chiamo amore
Itália , 2008 - 96
Romance

Direção:
Federico Moccia

Roteiro:
Federico Moccia

Elenco:
Raoul Bova, Michela Quattrociocche, Luca Angeletti, Gisella Marengo, Riccardo Sardonè

Ruim
lição de amor

Se você já assistiu à televisão italiana alguma vez sabe que a programação por lá é uma eterna tarde de domingo. Game shows, programas de entrevistas bregas, programas de auditório... tudo com brilho, laquê e peitos cada vez maiores. Definitivamente muito, muito longe da qualidade do cinema italiano de Rosselini, Fellini, Antonioni...

O problema é que lá, como aqui, as duas mídias - telinha e telona - parecem estar em processo de fusão. Para cada filme dos contemporâneos Matteo Garrone ou Nanni Moretti surge uma dezena de produções como este Lição de Amor (Scusa Ma Ti Chiamo Amore, 2008), um telefilme endeusado, que arrebata bilheterias.

Tudo no longa é amador. Do roteiro que parece ter sido escrito pelo redator das embalagens dos bombons Bacci - uma sucessão de frases de efeito melosas -, à péssima direção de arte, superbrega, passando por uma profusão de personagens sem sentido ou relevância, todos mal trabalhados. Federico Moccia faz um trabalho terrível na direção, que culmina em uma das mais vergonhosas cenas de sexo da história, pontuada por sussurros de "amore... amore... ti voglio".

Na trama, Niki (Michela Quattrociocche) tem quase 18 anos e, entre festas e as amigas, está saindo do colegial. Alex (Raoul Bova) tem 37 é um publicitário abandonado pela esposa cuja vida social se restringe aos seus velhos amigos. Em uma movimentada manhã romana Niki bate com sua lambreta no carro de Alessandro e as vidas dos dois mudam para sempre.

Lição de Amor é um filme de lolita ruim e sem aquela camada de crítica social que normalmente permeia o gênero. Superficial, é como se aquela novela da Globo com a filha do Fábio Junior e o Sr. Claudia Raia virasse um longa-metragem. Salva-se apenas a beleza da moça, Michela Quattrociocche, que quase compensa sua atuação empolgadinha, e a do galã Raoul Bova, que deve arrancar alguns suspiros das senhoras e senhoritas da platéia. Isso se conseguir arrancar o dinheiro do ingresso primeiro.


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