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Medos Privados em Lugares Públicos

Seis corações amargurados numa Paris congelante

Érico Borgo
05 de Julho de 2007

Medos Privados em Lugares Públicos

Medos Privados em Lugares Públicos

Coeurs
França/Itália , 2006 - 120
Drama

Direção:
Alain Resnais

Roteiro:
Alain Resnais

Elenco:
Sabine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi, Laura Morante, Isabelle Carré, Claude Rich, Françoise Gillard

Ótimo
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Thierry (Andre Dussollier) vende imóveis e vive com Gaëlle (Isabelle Carre), sua irmã mais jovem e solitária. Ele procura apartamento para os noivos em crise Nicole (Laura Morante) e Dan (Lambert Wilson). Desempregado, Dan bebe e tem como confessor o barman Lionel (Pierre Arditi) - que tem problemas muito maiores dos que os que ouve atrás do balcão. Para cuidar de seu pai doente ele contrata a cristã Charlotte (Sabine Azéma), que trabalha também com Therry, e esconde um lado secreto.

No drama Medos Privados em Lugares Públicos (Coeurs, 2006) do veterano francês Alain Resnais, seis personagens cujas histórias cruzam-se direta ou indiretamente buscam contato humano, calor, em contraste à neve surrealista que desce impiedosa e metaforicamente lá fora. O cenário é a contemporânea Paris, uma Cidade que de Luz tem muito pouco, já que todo o invernal filme se passa no confinamento de um escritório de vidro, um bar techno-kitsch e alguns poucos apartamentos.

Os cenários construídos em sets dão ao cineasta um elegante controle estético que ele maneja de maneira formidável, enquadrando e movimentando-se com precisão, auxiliado pelo excelente diretor de fotografia Eric Gautier. O controle do espaço e como o cineasta o emprega na retratação do interior de seus personagens é fantástico e, de certa forma, até expressionista. Tudo construído de forma propositadamente artificial, como se os únicos elementos verdadeiros ali fossem os sentimentos dos protagonistas.

A estrutura do filme, adaptado da peça de Alan Ayckbourn (que já inspirou Resnais em Smoking/No Smoking, de 1993), é toda dividida em pequenas interações entre dois personagens - pouquíssimas vezes três dividem a tela -, sempre carregadas de sentimento e com atuações inspiradas (o elenco é todo velho conhecido do cineasta). A melancolia é onipresente e a resolução não é o objetivo do diretor, interessado aqui apenas no desenvolvimento desses pequenos dramas. Apesar do final aberto, recurso ao qual o grande público geralmente é avesso, trata-se de um filme bastante acessível do cineasta, considerando seus passeios pelo cinema abstrato.

Sutil, mas profundo, Medos Privados em Lugares Públicos é o tipo de filme que só alguém com 50 anos de carreira (Resnais completou 85 anos em junho de 2007) é capaz de fazer.


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