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Meu irmão quer se matar

Meu irmão quer se matar

Érico Borgo
07 de Setembro de 2006

Meu irmão quer se matar
Wilbur Wants to Kill Himself
EUA, 2003
Drama - 105 min

Direção: Lone Scherfig
Roteiro: Lone Scherfig, Anders Thomas Jensen


Elenco: Jamie Sives, Adrian Rawlins, Shirley Henderson, Lisa McKinlay, Mads Mikkelsen, Julia Davis

A diretora dinamarquesa Lone Scherfig entrou para a história do cinema quando seu filme Italiano para iniciantes (2000) foi um dos primeiros a levar o selo Dogma 95, movimento dinamarquês de regras rígidas que extirpa da nona arte recursos técnicos que potencializam a ilusão do cinema e, de acordo com o manifesto, massificam a produção da arte, enganando a audiência.

Dois anos depois de colher os louros da missão cumprida dentro do voto de castidade dogmático, Scherfig dirigiu Meu irmão quer se matar (Wilbur wants to kill himself, 2002). O novo filme engaveta a rigidez da produção anterior, mas mantém algumas das lições aprendidas. Ganha, principalmente, a estética.

A história segue a simplicidade associada ao Dogma 95: um homem comum, dono de livraria em dificuldades financeiras, tem que lidar com as tendências suicidas de Wilbur, seu irmão. Em meio às idas e vindas ao grupo de apoio a suicidas no hospital local, ele se apaixona por uma frequentadora de sua loja.

Os acontecimentos são naturais e, apesar de dramáticos - estamos lidando com a morte -, não desprovidos de humor. Bastante sutil, é verdade, mas ele existe em pequenos detalhes. Como as desventuras amorosas do charmoso Wilbur, que em certo momento tenta encontrar nas mulheres uma razão para viver.

Toda a carga dramática repousa sobre os ombros dos carismáticos protagonistas: Adrian Rawlins (Harbour, o irmão mais velho), Jamie Sives (Wilbur) e Shirley Henderson (a "Murta-Que-Geme" de Harry Potter, que vive Alice, a freguesa). Os três fazem um trabalho contido e carregado de interesse pelos personagens.

Mas talvez o ponto mais interessante de Meu irmão quer se matar seja a maneira como Scherfig explora o relacionamento dos três e da filha de Alice, Mary (Lisa McKinlay), que formam uma curiosa jovem família. Ela é absolutamente imparcial e deixa nas mãos do público a interpretação dos fatos e o entendimento dos personagens, algo louvável numa época em que os bombásticos eventos do cinema atual pedem uma reação quase imediata dos espectadores, geralmente guiada pela mão do diretor. Eis a imparcialidade aprendida com o Dogma 95, mas sem a rigidez técnica do movimento.

O resultado é sereno, sem grandes lágrimas ou alegrias, apesar do tema. Um filme que não despertará paixões, tampouco detratores ferozes.


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Comentários (1)

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Luiz Luiz (10/12/2011 12:21:44)   6 0
Há várias formas de se retratar o tema da morte no cinema. De uma forma leve e bem humorada a mostras de com requintes de crueldade não apenas dos personagens, mas também das circunstâncias que ocorrem a eles durante a narrativa. Neste filme, por exemplo, a morte nunca é enunciada de todo, nunca é confrontada de uma maneira que se possa compreendê-la existencialmente. O trio de personagens, antes de se encontrarem, parecem ocos, incompletos e, com a união deles em torno de uma família que se encontra em pedaços, cada um se torna capaz de se encontrar e perceber que há mais entre a morte e uma vida infeliz. Como Érico Borgo apontou, não é um filme de grandes emoções nem grandes reflexões, mas vale a pena uma conferida.




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