The Water Horse
EUA/Inglaterra
, 2007
- 111
Fantasia
Direção:
Jay Russell
Roteiro:
Robert Nelson Jacobs
Elenco:
Alex Etel, Emily Watson, Bruce Allpress, Eddie Campbell, Ben Chaplin, Brian Cox, Carl Dixon
Não tem muito como errar com um texto de Dick King-Smith, autor inglês de Babe - O Porquinho Atrapalhado e também do livro que deu origem a Meu Monstro de Estimação (The Water Horse, 2007). O escritor sabe como equilibrar dramas leves e comédia na medida, além de criar um cenário cheio de detalhes e interesse.
Com tal material de base e roteiro adaptado pelo bom Robert Nelson Jacobs (Chegadas e Partidas), o geralmente limitado diretor Jay Russell (Brigada 49) até que se sai bem. Especialmente por contar com a bela direção de fotografia de Oliver Stapleton (Regras da Vida), que dá uma atmosfera mágica e ao mesmo tempo realista ao litoral escocês onde a trama se passa.
A história não tem qualquer segredo. Traz a velha amizade entre uma criança e uma criatura tantas vezes já vista nas telas (o começo, inclusive, lembra bastante ET e as cenas n´agua evocam Free Willy). Aqui o menino é Angus, garoto solitário que encontra um ovo misterioso, no litoral da Escócia, que se abre para revelar o monstro marinho do título, uma lendária criatura do folclore local. Ele, claro, resolve criá-lo... e logo se vê em problemas, já que o bicho teima em crescer descontroladamente... pra piorar, é a Segunda Guerra e um pelotão do exército está acampado na propriedade da família, caçando submarinos alemães.
Mas se a história tem poucas novidades a oferecer além da curiosa ambientação histórica, o interesse maior é mesmo pelo menino, interpretado pelo excelente e cativante ator-mirim Alex Etel, o mesmo de Caiu do Céu. Sua mudança ao longo da história - de menino fechado, em negação pela ausência do pai combatente - a criança feliz, graças ao novo amigo e a liberdade que ele proporciona, é trabalho de gente grande. A seleção de elenco foi mesmo inspirada. Ao lado de Etel estão Emily Watson (Mentiras sinceras), Ben Chaplin (A isca perfeita) e até Brian Cox (Zodíaco).
Outro ponto alto é a computação gráfica, criada pelos mesmos responsáveis pelos efeitos de As Crônicas de Nárnia (a relação, aliás, é tão escancarada pelo estúdio que parece até que o título do filme é As Crônicas de Nárnia: Meu Monstro de Estimação). A técnica é excelente e quase que totalmente dedicada à criação do monstro, um verossímil, amigável e simpático "cavalo d´agua" das lendas escocesas - basicamente o que o Monstro do Lago Ness seria.
Em tempo de esquilos flatulentos hiperativos, Meu Monstro de Estimação traz uma bem-vinda classe ao cinema infantil - algo que mais que agradar aos pequenos, deve soar (com direito a delicioso sotaque escocês) como um sopro de alívio para os pais.
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