Miami Vice: Entrevista com o elenco em Londres

Falamos com Michael Bay, Jamie Fox, Colin Farrell, Gong Li e Naomi Harris

Maurício Moraes, de Londres
24 de Agosto de 2006

Miami Vice
Miami Vice
EUA, 2006
Policial - 134 min

Direção e roteiro: Michael Mann

Elenco: Colin Farrell, Jamie Foxx, Li Gong, Luis Tosar, Naomie Harris, John Ortiz, Barry Shabaka Henley, Ciarán Hinds, Elizabeth Rodriguez, Justin Theroux

Se intensas trocas de tiros forem suficientes para fazer um bom filme de ação, então Miami Vice (2006) já conquistou seu lugar entre os melhores deste ano. Os tiroteiros entre traficantes de drogas e dois agentes da polícia de Miami, Sonny Crockett (Collin Farrell) e Ricardo "Rico" Tubbs (Jamie Fox), compõe a trilha sonora do clímax da trama. E a ação não vai muito além disso. Talvez porque o diretor, Michael Mann, quis fazer de Miami Vice um drama. Na entrevista que deu à imprensa em Londres, o cineasta norte-americano quis enfatizar os dilemas dos dois policiais, que se infiltram no submundo do crime para desvendar o tráfico de drogas e acabam se envolvendo com os bandidos. Ação ou drama, Miami Vice ganhou aplausos mirrados na noite da première inglesa.

No dia seguinte à festa, que rendeu várias fotos nas colunas sociais da imprensa londrina, a rotina dos atores começou logo cedo. Num hotel com as varandas voltadas para o Hyde Park, o casting recebeu a imprensa européia para falar sobre o novo filme. As perguntas soaram algumas vezes tão exóticas quanto os sotaques dos jornalistas. A repórter espanhola não deixou de perguntar sobre a atuação de um ator de seu país. Assim como um repórter português insistiu em abordar a atuação de uma atriz de Lisboa que aparece por cerca de trinta segundos no início do filme e da qual Michael Mann mal se lembrava.

O diretor, que estava com cara de poucos amigos, estava mais interessado em falar sobre o treinamento do elenco:

Vocês receberam algum treinamento com a polícia?

Michael Mann: Nós tivemos contato com um departamento antidrogas da polícia. Eram policiais que trabalham à paisana e nós nunca teríamos contato com estas pessoas se não fosse esta ocasião. Os meus atores tiveram as mesmas simulações a que estes policiais são submetidos nos seus treinamentos. Você não consegue nem notar a diferença [entre os policiais à paisana e os bandidos]. Depois de 14 horas treinando, um homem com roupa da polícia veio nos buscar. Aí você cai na realidade. Porque tudo aquilo é muito verdadeiro.

E vocês também tiveram contato com bandidos, afinal eles também entram na história?

Sim. Eu estive em contato com alguém para a personagem de Gong Li, para nos conectarmos a este mundo de gerenciamento das drogas, de todo o dinheiro. Precisava de alguém como Pablo Escobar. A pessoa com quem nos encontramos foi um ex-sequestrador, Macoño Lodoño. Ele também trabalhou com este tipo de gerenciamento de drogas. Eu precisava colocar Gong Li em contato com alguém que já havia feito isso.

Vinte anos após o seriado, o que muda e o que fica no filme Miami Vice?

Basicamente tudo mudou mas tudo continua igual. Miami ainda é uma cidade de muitos fantasmas, que vão para lá depositar seu dinheiro nos bancos. Muitos deles vêm da Venezuela, do Brasil, do Paraguai... E também é um porto seguro para muita gente destes lugares. Se as coisas vão mal na Venezuela, por exemplo, eles têm a sua residência em Miami.

Mas o que da série ainda se mantém vivo no filme? O que é ainda revelante?

Nada é relevante. Só o meu gosto por este tipo de história. Eu sempre quis fazer um filme. É sempre frustante fazer só uma hora de série, quando você pode fazer aquilo render mais. Eu sempre achava: metade disso poderia estar num filme.

Você conseguiria fazer este mesmo filme nos anos 80?

Não. Não com esta história. Aquela era a realidade da Guerra Fria e o tráfico ainda estava geograficamente localizado em poucos lugares, como a Colômbia. Agora, o que se vê no filme é o lado negro da Globalização. Hoje vivemos numa realidade muito mais complexa, de globalização do crime. Não poderia ser a mesma coisa.

***

O mais entusiasmado do elenco era Jamie Fox, que ganhou o Oscar de melhor ator por Ray. Gesticulando a todo o tempo, Fox chamava a atenção também pela vestimenta: um paletó azul que só não se destacava mais que o cinto, as correntes e anéis. Sem falar do relógio de couro branco adornado com pedrinhas de brilhantes e detalhes dourados. Um estilo que deixaria qualquer pagodeiro ou jogador de futebol brasileiro morrendo de inveja. No entanto, durante a entrevista, a participação de Fox não foi tão exuberantes quanto a sua participação no filme.

Você assistiu à primeira versão de Miami Vice?

Jamie Fox: Eu era muito novo, cara, mas me lembro que ficava fascinado com aqueles caras segurando armas e conquistando belas mulheres. Sem contar que eles estavam sempre bem vestidos e dirigiam uns carrões.

Para os garotos, filmes como este são ótimos porque têm muitos carros e você dirigiu alguns veículos fantásticos. Na vida real, você gosta de carros?

Meu primeiro carro foi um fusca, muito diferente daqueles que dirigi no filme. Mas isso foi no começo... Na verdade, eu não sou um amante de carros. Pelo menos não como o Michael [Mann], que sabe tudo sobre eles. Eu só preciso de um veículo por perto para me levar para os lugares.

Michael Mann: Um Lamborghini, por exemplo, é ótimo ter por perto. (risos)

***

Quem se divertiu com Fox durante a entrevista e também durante as filmagens foi a atriz britânica Naomi Harris, que contou como o ator descontraiu o ambiente durante a cena mais quente do filme:

Você contracenou com um vencedor do Oscar, fez cenas quentes com ele. Como foi tudo isso?

Naomi Harris: Foi fantástico trabalhar com o Jamie. Eu adorei! Ele foi sempre muito querido. Nas cenas de amor do filme, ele sempre me fez relaxar, o tempo todo. No final do dia, sem preocupação, já havíamos feito a cena. O mais engraçado é que pudemos fazer tudo (risos)... Jamie me descontraiu muito. Ele foi muito doce (risos)... Ai meu Deus! Havia umas dez pessoas no set de gravação, e nós apenas atuamos. (risos) Foi fantástico!

***

A outra personagem feminina de destaque pertence à atriz chinesa Gong Li. Ela vive Isabella, uma espécie de investidora financeira no mundo das drogas. Isabella é sino-cubana e fala inglês com sotaque. Gong Li, no entanto, pouco fala na língua de Shakespeare e precisou da ajuda de um intérprete durante a entrevista.

Este não é o primeiro filme que você faz nos Estados Unidos. Você pensa em deixar a China? Quais foram as suas principais dificuldades?

Gong Li: Não. Obviamente o cinema americano oferece muitas oportunidades. Tudo é muito grandioso, a estrutura, tudo. É muito diferente das produções chinesas. Mas eu não consigo dar tudo de mim atuando em outra língua. É muito difícil atuar falando um idioma estrangeiro. Você não pode improvisar e acaba ficando muito presa.

Muitas mulheres no mundo sentiriam inveja da sua personagem, que faz par romântico com um dos atores mais desejados atualmente. Como foi atuar com Colin Farrell?

Nós tivemos uma ótima relação de trabalho e acho que isto é o mais importante. Michael sempre foi muito atencioso e nós convivemos por oito meses. E continuamos a nos dar muito bem desde então.

***

A grande estrela da entrevista era Colin Farrell. Mas foi justamente ele quem menos falou e o único que não deu entrevista em separado. O artista pareceu simpático, mas tanta exclusividade reforçou um pouquinho a idéia de prepotência, que teve ecos mesmo durante a gravação:

Saiu na mídia que alguns membros do staff teriam ficado tão irritados com sua arrogância, que eles começaram a usar camisetas coloridas. Como é trabalhar quando você se depara com este tipo pressão? Você pensou em acionar a lei?

Colin Farrell: Não, cara. Você sabe que a gente é pressionado por tudo. Pressionado pelos seus pais, pela sua família, pressionado pela sociedade, pelos amigos... São os prós e os contras. Mas quando você pensa que os prós ganham dos contras, tudo bem. O ambiente que trabalhei era muito seguro, rodeado de confiança. Mas, sim, tiveram algumas garotas do escritório que fizeram isso... talvez por saúde mental. Mas eu pensei... vou deixá-las que fiquem na delas... isso tem prazo de vencimento curto.

Você aparece dançando salsa no filme. Foi mais difícil do que treinar com as armas?

Eu tive aulas de salsa em Los Angeles, depois em Miami. Eu e Gong Li treinamos bastante, mas depois de três meses já podíamos dançar onde quiséssemos.

Gong Li: Eu acho que o Colin não precisou se esforçar muito. Ele é um otimo dançarino. Para mim foi mais difícil porque a salsa é muito diferente das danças asiáticas. Você tem de mexer muitas partes do corpo...

Colin Farrell: Mas ela é muito boa em mexer diferentes partes do corpo. (risos)

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