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Miami Vice

Miami Vice

Marcelo Hessel
24 de Agosto de 2006

Miami Vice
Miami Vice
EUA, 2006
Policial - 134 min

Direção e roteiro: Michael Mann

Elenco: Colin Farrell, Jamie Foxx, Li Gong, Luis Tosar, Naomie Harris, John Ortiz, Barry Shabaka Henley, Ciarán Hinds, Elizabeth Rodriguez, Justin Theroux

Como quase tudo que era moda em 1984, a série Miami Vice se equilibrava entre o cool e o brega. Muito antes do surgimento dos metrossexuais, os detetives interpretados por Philip Michael Thomas e Don Johnson já andavam em conversíveis por Miami Beach, com seus ternos bem cortados e distintivos brilhando. Mas vez ou outra usavam umas roupas prateadas e ostentavam sempre aquele ridículo sapato mocassim branco...

22 anos depois, Miami Vice vira filme escrito, produzido e dirigido por Michael Mann, produtor executivo da telessérie, ao lado de Anthony Yarkovich. Os tempos passaram, as modas são outras, mas é incrível constatar que as novas aventuras de Ricardo Rico Tubbs e James Sonny Crockett, agora interpretados respectivamente por Jamie Foxx e Colin Farrell, continuam balançando entre o kitsch e o altamente estiloso.

Primeiro, não custa avisar. O filme não é uma paródia do original, como ocorreu recentemente com Starsky and Hutch. Mann leva o seu trabalho a sério - e não economiza na violência. Na história, os detetives Ricardo e Sonny trabalham no condado de Miami-Dade desbaratando criminosos locais, cafetões, traficantes, donos de boates. Quando um de seus informantes morre - cena impactante, como uma senha que destrava os fortes grafismos do filme - eles ficam sabendo que uma operação internacional do FBI está em curso na região.

Espiões da agência estavam infiltrados numa negociação de drogas com um grupo de neonazistas. De alguma forma, os agentes foram desmascarados e mortos. Como Ricardo e Sonny caem de pára-quedas na situação, são os únicos cuja identidade não é conhecida pelos bandidos. Começa aí uma trama que vai passar pelo Paraguai, Uruguai, Foz do Iguaçu, Barranquilla, Haiti, Havana, até voltar a Miami. No caminho, um chefão tipo Pablo Escobar (Luis Tosar, de Segunda-feira ao sol), um negociador desconfiado (John Ortiz) e uma bela executiva do tráfico (a estrela chinesa Gong Li, de 2046).

Mann utiliza aqui a mesma câmera digital empregada em Colateral, o que propicia tomadas noturnas granuladas e - seu diferencial - boa definição de cores. A fotografia fica mais realista. É o tipo de elemento imprescindível para tornar mais palpável um produto tão estereotipado quanto o Miami Vice que a maioria das pessoas tem em mente. E Mann tem inegável estilo. Perto das suas sequências automobilísticas, plásticas e minimalistas, os tunados de Velozes e Furiosos parecem um circo de Hot Wheels.

Há coisas, porém, que fogem ao controle de Mann. A maioria delas responde pelo nome de Colin Farrell.

Aí o lado cafona de Miami aflora. Não é só a careta de galã latino que o ator irlandês se impõe. As filmagens coincidiram com a sua fase mais crítica de entra-e-sai de clínica de reabilitação. E dá para perceber, entre uma tomada e outra, quando Farrell faz aqueles olhos virados, os momentos em que a saúde mental baqueia. A quantidade de tiques é grande - com uma mão, ajeita o cabelo, com a outra, alisa o canto do bigodón... A Jamie Foxx cabe o ingrato papel de escada. E, para não ser injusto, Foxx arrebenta quando lhe é pedido. O cara é a síntese do cool.

Farrell, por outro lado, é o cool de laboratório, e aí a diferença fica visível. O fato da história ser calcada basicamente no conflito moral vivido por Sonny Crockett - o que exigiria do ator algo além dos trejeitos - implode Miami Vice de uma maneira quase fatal. Mann segura até onde pode. Filma tiroteios com arrojo. Prende a câmera aos corpos, sabe a hora de um bom close-up. E escancara os tais vícios de Miami - uma cidade em que todos são profissionais no que fazem, mas de súbito deixam-se levar pelo... calor - de uma maneira que a série poucas vezes alcançava.

Ver um filme que compete de igual com o material em que se baseia já vale o ingresso.


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Comentários (1)

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sem avatar Eric (19/05/2011 15:30:26)   0 0
O cara que escreveu esse post provavelmente não tem nenhuma experiência em séries antigas, com certeza não deve ter assistido o seriado Miami Vice, ou sequer procurou analisar o que a série representou para a cultura americana, ele diz: "a série Miami Vice se equilibrava entre o cool e o brega.", não pode considerar a moda de Miami Vice como braga, porque ela é feita baseada nos maiores estilistas da época: Armani, Versace, Hugo Boss, portanto o termo "brega" não existe para o seriado Miami Vice, outro trecho completamente errado é: "Mas vez ou outra usavam umas roupas prateadas e ostentavam sempre aquele ridículo sapato mocassim branco...", esse "ridículo sapato mocassim branco" se tornou moda na época, os americanos aderiram a esse calçado, e Miami Vice tornou popular a moda do sem meia, que fez pessoas usarem sapatos sem a necessidade de um par de meia, portanto pesquise antes de escrever algo indigno sobre uma das maiores séries policiais de todos os tempos, a propósito, o filme Miami Vice é considerado ruim pelos fãs do seriado. Mas até respeito a sua opinião, assim como você deve respeitar a minha.




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