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O Edifício Yacoubian

Precisa ter fôlego de camelo pra aguentar três horas desse drama egípcio

Érico Borgo
09 de Agosto de 2007

O Edifício Yacoubian

O Edifício Yacoubian

Omaret yakobean
Egito , 2006 - 162
Drama

Direção:
Marwan Hamed

Roteiro:
Wahid Hamid

Elenco:
Adel Imam, Nour El-Sherif, Youssra, Essad Youniss, Ahmed Bedir, Hend Sabri, Khaled El Sawy, Khaled Saleh, Ahmed Rateb, Somaya El Khashab

Regular
1

Com quase três horas de duração, O Edifício Yacoubian (Omaret Yakobean) foi a aposta egípcia para uma das vagas do Oscar de melhor filme estrangeiro este ano. Não conseguiu o espaço. Mas, independente das preferências hollywoodianas no que diz respeito ao esperado do cinema "do resto do mundo", desta vez eles tiveram razão.

Baseado no romance homônimo best-seller no Egito de Alaa Al Aswany, O Edifício Yacoubian, roteirizado e dirigido por Wahid Hamid e o estreante Marwan Hamed, equipe de pai e filho, gravita ao redor do outrora luxuoso prédio que dá título ao filme - e das pessoas em que nele vivem.

O longa, alardeado o mais caro da história do país, é até interessante, mas tem falhas demais para ser colocado em qualquer lista de melhores. A produção simplesmente reúne histórias excessivas para que exista qualquer interesse pelos protagonistas. Salva-se apenas o segmento do playboy decadente Zaki Pasha, metáfora inteligente dos velhos e charmosos tempos do Cairo, mas a isso dá pra atribuir consideravelmente o talento do ator cômico Adel Imam, bastante famoso por lá. Os demais são inconstantes, pouco convincentes. Há a vontade de relacionar-se com os personagens, mas o ritmo, os saltos narrativos, são abruptos.

Por exemplo, há o problema da transição de Taha (Mohamed Inam) de bom-moço religioso a fanático. Numa seqüência, com um belo e tocante diálogo sobre fé, ele está indo para uma nova mesquita rezar. No outro, já é encarregado de uma violenta manifestação. Como deu-se sua conversão? Mais tarde o roteiro tenta remendar o problema, arrumar motivação ao personagem, mas aí já é tarde. Suas agruras já parecem distantes.

Outro segmento pouco convincente é o da relação de amor homossexual entre o editor francês Hatim Rasheed (Khaled El Sawy) e um soldado. Fica a impressão (reforçada mais tarde pela repetição de suas táticas de conquista) de que ele apenas usa o outro, mais inocente. Daí há um susto quando surge o sofrimento da separação. Aliás, esse trecho da história provocou enorme polêmica por lá, pelas cenas - caretíssimas e constrangedoras, pelo menos para nós - de relações íntimas entre os dois homens, consideradas imorais por alguns. Por outro lado, o desfecho moralista da história de Hatim deve irritar o público ocidental, já que ele claramente transmite idéias dos realizadores a respeito da homossexualidade.

O resultado, enfim, entretém, mas não convence. Faltou sutileza ao diretor estreante - e sobrou um lamentável melodrama no desfecho. Felizmente, há o charme canastrão de Adel Imam pra tornar a experiência mais agradável - e "La Vie En Rose" ao fundo. Na França ou no Egito, não dá pra errar com Edith Piaf.


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