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O Fabuloso Destino de Amélie Poulain | Crítica

O fabuloso destino de Amélie Poulain

Érico Borgo
27 de Fevereiro de 2002

Responda rápido: quantas vezes você já ouviu (ou disse) a frase odeio filmes franceses&qt&

A não ser que você seja um assíduo freqüentador de mostras de cinema, aposto que a opinião geral do seu círculo de amizades seja a de que o cinema do velho continente é chato, cansativo e cabeça demais. Claro que descarte aí as produções internacionais, do tipo O quinto elemento, O profissional ou Despedida em Las Vegas, todas co-produções França/Estados Unidos.

Se esse for o seu caso e a simples idéia de assistir a um filme francês lhe causa ojeriza, talvez seja a hora de tomar uma vacina, preparada, é claro, como todas as imunizações: com uma dose do próprio problema. Agora, se você reconhece a vida cinematográfica fora de Hollywood, prepare-se para saborear um lado dela que há muito não provava.

O fabuloso destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin dAmélíe Poulain, 2001) é uma improvável produção de Jean-Pierre Jeunet. Digo isso porque o cineasta é mais conhecido por sombrios filmes de ficção, tais como Delicatessen (idem, 1991), Ladrões de sonhos (La cité des enfants perdus, 1995) e Alien: A Ressurreição (Alien: Resurrection, 1997) - e de sombrio, Amélie não tem nada.

Amélie Poulain (Audrey Tatou), é uma jovem que passou toda a sua vida em um completo estado de voyeurismo, observando e acatando as ordens de seus neuróticos pais. Claro que, na vida adulta, carrega toda essa carga anos a fio, simplesmente atravessando sua existência sem maiores dramas - ou amores.

É nessa hora que, numa espécie de experimentação da Teoria do Caos, Jeunet introduz na vida de Amélie o evento da morte de Lady Di. Não que a garota fosse uma das devotas da princesa plebéia, mas a simples notícia pela TV faz com que ela se distraia e derrube uma tampa que segurava. O objeto bate na parede e solta um dos azulejos, revelando um compartimento secreto. O tesouro que estava ali será o responsável pela mudança da vida de Amélie, transformando-a numa espécie de super-heroína, cujo único poder é o de engatilhar eventos na vida de todos que a cercam. Não é a toa que Amélie veste-se de Zorro em determinado momento do filme.

Apesar da mudança de gênero para Jeunet, seu estilo recheado de ângulos de câmera inusitados, edição rápida e efeitos para manter o dinamismo do filme, continua presente em cada cena. O diretor chega até a repetir a fórmula de uma das melhores passagens de Delicatessen, na qual o som e as vibrações cadenciadas de um casal tendo relações sexuais afetam o ambiente e as pessoas à sua volta.

Enfim, com tanta celebração dos pequenos eventos da vida, O fabuloso destino de Amélie Poulain é um daqueles filmes que você deve recomendar à sua mãe, sua tia, seus amigos... Ah, se for levar a cara-metade ou tiver alguém em vista, uma ótima dica: Nenhum casal saiu do cinema sem estar abraçado! Isso eu garanto! ;-)



Comentários (7)

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sem avatar Andressa (27/10/2013 00:15:17)   0 0
Não conhecia nada sobre o filme, até ver nos muros de Sp o rosto de Amélie estampado em stencil . Fiquei curiosa e decidi pesquisar(como boa curiosa que sou), ao terminar o filme entendi por que.

Simplesmente magnifico, sensível, encantador. Todos os atores desde Audrey tautou, Mathieu kassovitz ate o ator que faz "o cara da cabine" são perfeitos.

Vale a pena ver, rever e rever de novo...[spoiler]["Sem você as emoções do amanhã serão apenas pele morta das emoções do passado." (Hipólito)][/spoiler]



Letícia Letícia (07/02/2012 20:09:22)   0 0
Simplesmente o melhor filme do mundo ;)



Bargon Bargon (07/11/2011 13:05:21)   657 1
Nossa...

Sempre via falarem bem desta obra prima, mas nunca havia tido uma oportunidade de vê-la.
Até que ontem, durante uma chuva torrencial aqui na minha cidade e sem nada pra fazer decidí "baixar" o filme, sei lá, gosto de fazer isso antes de decidir comprar um filme.
Parecia que algo havia mandado eu assisitr a este filme, destino talvez, ou outra coisa; enfim, o fato é que após ter visto até os créditos finais terminarem eu não conseguia entender COMO È QUE EU HAVIA DEIXADO DE ASSISTIR AO FILME MAIS PERFEITO DA MINHA VIDA TODO ESSE TEMPO!!!

É sem dúvida o filme que eu sempre quis assistir, porém eu achava que ainda não tivessem feito ele!! Pensava que era utopia imaginar que um filme pudesse ser tão despretencioso e imaginativo que pudesse me prender até os créditos finais... e me deixar com vontade de ver novamente assim de imediato.
É imprecionante a emoção que este filme pode passar sem ter qualquer apelação ou clichês, suas cores vívidas, seus personagens, e principalmente sua trilha sonora são únicos, não encontrei precedentes ou vínculos emocionais tão fortes como a doce Amélie me fez sentir. Axo que a última vez que um filme me emocionou assim, foi quando o Mufasa morreu... e mesmo assim só me emocionou porque a temática era a morte, mas Amélie Poulain não nos passa isso, é algo mágico, surreal.

Bom, só sei que depois deste filme (e da tempestade) passei a ver melhor muitos detalhes que antes passavam despercebidos, ou apenas ignorados.

E agora eu me sinto melhor por ter visto somente agora!! Pois esta é uma daquelas histórias que só te tocam assim, porque era o momento certo de conhecê-la.

=)


Bargon Bargon (07/11/2011 13:28:48)   657 1
Ah... só pra não me crucificarem; terminando o êxtase após ter assistido, já corri para a internet e COMPREI meu dvd, que por sinal já está chegando amanhã!

Não deixem de comprar filmes como estes, é um incentivo a mais para que os façam em maior quantidade e faz com que não fiquem esquecidos no tempo como tantos outros.


sem avatar Valdeci (01/07/2011 19:44:08)   2 -1
Tenho visto muito filme fora do circuito americano ultimamente e algumas destas produções vêem da França. Sempre gostei da cinematografia da cidade luz pela valorização que eles fazem dos bons diálogos, das cenas com uma velocidade em que é possível absorver (e apreciar) as expressões faciais e interpretações dos atores de um modo amplo e comovente. Alguns dizem que os franceses fazem filmes “cabeça” demais e com uma introspecção cansativa com cenas em que a câmera passeia por cenários e fotografa os atores de uma maneira em que não se conta o tempo. Diferente da cinematografia americana onde tudo é muito rápido e as cenas acumulam-se umas às outras sem que o espectador tenha tempo para assimilá-las ou absorvê-las. Todas filmadas da mesma forma e com a mesma estética dos vídeo-clipes da MTV. Aliás, esta é a linguagem americana em todas as suas produções. Com algumas exceções, claro. Sinceramente nunca me ocorreu este pensamento de que os franceses fazem só filmes “Cult” ou coisa que o valha, porque sempre gostei mais de um bom diálogo a um filme meramente de explosão e tiroteios. Valorizo, sobretudo, um trabalho de interpretação de atores e um trabalho autoral. Cada vez mais raro hoje em dia, diga-se de passagem.

Caso você também tenha a impressão que o cinema francês seja elitista e “cabeça” demais sugiro então que veja, sem demora, os filmes “A Cidade das Crianças” dirigido por Nicolas Bary, “Amor ou Consequência” dirigido por Yann Samuell e “O Fabuloso Destino de Amélie Poulian” com direção de Jean-Pierre Jeunet. Aposto que sua opinião vai mudar rapidinho e quem sabe você também se torne um amante da sétima arte produzida na terra de Edith Piaf. Todo este preâmbulo só para salientar a qualidade artística da produção O Fabuloso Destino de Amélie Poulian que vi esta semana e que ainda guardo na memória os olhos pretos de Amélie Poulain (Audrey Tatou) a me fitar ao som daquela trilha sonora comovente.

Jean-Pierre Jeunet se utiliza do universo fantástico para narrar à história de Amélie Poulain uma garota que passou a infância e a adolescência a observar a vida dos outros já que a sua própria existência lhe parecia sem significado. Seus pais neuróticos a mantinham longe de tudo e de todos por acreditarem que ela sofria de problemas cardíacos e assim a mantinham em total reclusão. Como sua mãe era professora, seu aprendizado foi feito em casa mesmo longe de outras crianças. Este voyeurismo involuntário e a morte prematura da mãe trouxeram para Amélie uma personalidade de quem acredita que a vida é só observar os outros e que nada mais lhe resta além desta solitária existência.
Adulta muda-se do subúrbio para o bairro parisiense de Montmartre onde trabalha como garçonete. Sua vida continua a mesma de observadora da vida alheia até o dia em que, acidentalmente, descobre escondido no rodapé de seu banheiro, uma caixinha com pequenos objetos e fotografias do antigo morador da residência. Intrigada com a descoberta assalta-lhe o desejo de entregar estas “lembranças” de infância ao verdadeiro dono. Ao presenciar a alegria com que Dominique (Maurice Bénichou) recebe a caixa com suas recordações resolve que vai dar outro sentido para sua vida: ajudar as pessoas a sua volta. Assim, começa seu fabuloso destino de levar alegria e esperança para desconhecidos e assim trazer emoção para seu coração nada enfermo. Um coração que na realidade é carente de afeto e atenção. Esta jornada de boa samaritana vai levar Amélie a encontrar outros personagens com personalidades tão intrigantes quanto a sua própria: A atendente da tabacaria que se sente excluída; o vizinho conhecido como “o homem dos ossos de vidro” que vive recluso há vários anos no seu apartamento; o rapaz da quitanda que é humilhado pelo patrão; o escritor canastrão; o cliente do bar que atazana a vida de outra garçonete e tantos outros que cruzam seu caminho. Enfim, uma nova visão de mundo e de perspectivas se abre para Amélie. Suas ações no trabalho e nas andanças pela cidade são realizadas no sentido de trazer emoções fortes e um sentido para a vida destas pessoas.

Na busca de encontrar felicidades alheias, Amélie também vai encontrar o amor da sua vida nos olhos de Nino Quincampoix (Mathieu Kassovitz) um cara tão solitário quanto ela própria e que tem por hábito fazer coleções das mais inusitadas possíveis. Sua última mania é colecionar fotografias 3x4 jogadas no lixo que cola em um álbum. Assim como Amélie ele também procura encontrar sentido para a própria vida acumulando “lembranças” alheias. Almas gêmeas é a primeira impressão que o espectador percebe ao vê-los juntos, e não tem como não torcer para que fiquem juntos no fim.

Direção de arte primorosa, edição ágil, fotografia que realça a beleza de Audrey Tatou e a comovente trilha sonora composta por Yann Tiersen dão um charme todo especial a este filme que transfere ao espectador um sentimento de nostalgia e paz de espírito. Um romance de uma singeleza que comove e apaixona. Não tem como não ficar hipnotizado pelos olhos de Amélie e pelo seu crescimento como ser humano. O roteiro foi escrito quase com um conto de fadas com direito a voz melodiosa de um narrador em off que vai pontilhando cada descoberta da personagem até o fim da história. Deixe-se levar pelo sorriso de Amélie e também se apaixone por esta história.

http://maisde140caracteres.wordpress.com



sem avatar Ali Temer (20/06/2011 22:39:28)   5 1
Todas as pessoas deveriam ver esse filme ao menos uma vez na vida.....Maravilhoso,realmente.



gabriel gabriel (18/03/2011 21:02:44)   6 0
esse filme é dez!
nota dez!
Maravilhoso!
Esplêndido!




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