O Futuro da Humanidade Segundo a Ficção Científica - Parte 1: Utopia

Sete tipos de mundos idealizados que podem ser encontrados no cinema

Flávia Gasi
12 de Setembro de 2012

Que tipo de futuro espera a humanidade? E como o cinema imagina esse futuro? Neste artigo especial, vamos em busca de possíveis respostas - na primeira parte, as mais otimistas, e na segunda (que publicaremos na semana que vem), as mais pessimistas.

A etimologia da palavra utopia consiste em uma tradução dos termos gregos "lugar nenhum" e "bom lugar". Significa a criação de um mundo ideal, fantástico, tão perfeito que não necessariamente existe ou existirá na realidade - ao contrário da sua antítese, a sociedade absolutamente desarmônica, a distopia.

A primeira literatura sobre o assunto se encontra na filosofia: em A República, Platão discorre sobre Calípole, uma cidade de organização ideal. É nesse livro que se encontra a famosa alegoria da caverna, que parte do princípio de que existe um mundo ideal que nós, humanos, não podemos reconhecer, por estarmos amarrados a uma caverna, em que somente sombras dessa utopia são apresentadas a nós.

A utopia do mundo perfeito é elemento constante na ficção. Nesta primeira parte, traçamos uma relação dos mundos utópicos e de suas representações no cinema de ficção científica. Como veremos a seguir, mesmo o mundo perfeito deve incluir algum conflito - afinal, é da interseção entre fantasia e movimento que nascem as histórias.

Star Trek

Tipo de utopia: ideal

A coleção de séries de TV e dos filmes de Jornada nas Estrelas (Star Trek) apresenta o futuro de perfeição suprema, em que a humanidade uniu-se em busca de demandas mais nobres, como a diligência pelo conhecimento e pela paz. A Frota Estelar é uma armada pacífica, habitada por uma tripulação filantrópica e etnicamente diversa, e as tramas tratam com otimismo de assuntos de valor, como racismo, religião e direitos humanos (e de alienígenas). Além disso, a sociedade dispensou coisas mundanas como o dinheiro, e pode apostar no trabalho como um meio para realmente enaltecer o homem.

Claro, há batalhas, raças e pessoas que ameaçam esse modo de viver. Porém, a espaçonave Enterprise sempre termina dadivosa, depois de aprender alguma lição valiosa. Vale notar que há vários tipos de utopias presentes nos filmes - econômica, financeira, tecnológica - e também há a utopia ecológica, na qual a sociedade aprenderia novos modos de se relacionar com seu ambiente ou com a natureza, em uma tradução da imagem do bom selvagem (frequente em diversas obras, mais recentemente em Avatar).

Horizonte Perdido

Tipo de utopia: possível

Sabe aquele dizer popular "É bom demais para ser verdade"? Se você encontrasse a sociedade perfeita, você acreditaria que ela realmente existe, ou naufragaria em um sem fim de teorias de conspiração? Pois no filme de 1937 Horizonte Perdido (Lost Horizon), baseado no romance homônimo de James Hilton, o protagonista Robert Conway encontra um tipo de Jardim do Éden depois de um acidente de avião: o vale de Shangri-la. Um local paradisíaco onde ninguém envelhece, e a longevidade era próxima de ser um tipo de imortalidade. Claro, também é proibido abandoná-lo.

Quando Conway descobre que foi trazido propositalmente pelo líder da comunidade para assumir o seu lugar, ele passa a desconfiar do propósito do local e de seu guia. Tentado por outros habitantes para fugir, Robert descobre que, ao sair do vale, sua idade real volta toda ao mesmo tempo. Contudo, enquanto o livro tenta provar o ponto de que a utopia tem seu preço, o filme passa a mensagem de que ela é possível, caso possamos deixar nossos medos de lado. Horizonte Perdido ainda ganhou nova adaptação, em 1973.

O Homem Bicentenário / Eu, Robô

Tipo de utopia: purificada

O pensamento utópico de Isaac Asimov, autor do conto do Homem Bicentenário (que ganhou adaptação cinematográfica em 1999, dirigida por Chris Colombus) e das Leis da Robótica e partes da história do filme Eu, Robô (de 2004, dirigido por Alex Proyas), se dá de maneira histórica. Isto é, o autor está mais interessado em desenhar o trajeto que leva a uma sociedade a ser utópica do que necessariamente descrever detalhadamente como seria este mundo perfeito. Sendo assim, ambos os filmes - embora adaptem um pouco o original asimoviano - não tentam apresentar um paraíso, mas uma comunidade avançada em que tudo parece se encaixar.

O interessante é que a visão mais antropológica deixa espaço para melhorias, e é aqui que os contos tomam forma: é possível encontrar a discussão do que é ser humano, e de como aperfeiçoar a condição humana. O robô que pode ser humano, este é o cerne das obras. Ademais, os conflitos principais não acontecem entre humanos, mas entre humanos e robôs, o que distancia a noção de problemas dentro da raça humana. Isto é, depois de encontrar novas formas de vida, a humanidade pode deixar de se focar em suas questões e abraçar uma visão mais larga da realidade. Uma visão comum da ficção científica utópica, que prima por purificação.

Mary Shelley's Frankenstein

Tipo de utopia: feminina

Talvez seja novidade para alguns leitores, mas entre as ficções sobre utopias, a feminina é uma das mais proeminentes. Muitos escritores tentam dissertar sobre como ficaria a questão dos gêneros sexuais no futuro, e as tipologias são diversas: há mundos em que só sobraram mulheres, outros em que a função de reprodução não é somente feminina, universos de verdadeira equabilidade entre homens e mulheres; todos eles retratam algum tipo de mudança de uma sociedade paternalista para algo completamente diferente, mais equacionado.

Um dos primeiros escritos encaixados nesse estrato é Frankenstein: ou o Moderno Prometeu, de Mary Shelley. A autora foi influenciada, entre outras inspirações, por sua mãe, que era pesquisadora dos direitos femininos. No livro, e na sua adaptação para o cinema estrelada e dirigida por Kenneth Branagh - Mary Shelley's Frankenstein, de 1994 - o enfoque é a criação de vida de maneira assexuada, por meio de tecnologia. Claro, no filme, o final não é necessariamente feliz para o homem que arrisca a maternidade, mas esta foi uma das primeiras vezes em que o conceito foi aplicado à ficção científica. Vale lembrar que a utopia feminina é a que menos se utiliza de um ponto de vista generalista, o "bom lugar" a partir de uma visão de gênero.

Minority Report - A Nova Lei

Tipo de utopia: questionável

Por vezes, toda a sociedade está absolutamente serena em um distante futuro utópico, mas o protagonista da história não se encaixa, ou descobre alguma falha no sistema. Diferentemente de futuros distópicos, em que a utopia é uma exclusividade de poucos privilegiados, nesta versão o idealismo funciona para todos, mas por vezes se prova contrário à própria natureza humana.

Assim como a ironia de haver um lugar "bom" que é ao mesmo tempo um lugar "nenhum", esse tipo de filme quer questionar exatamente o cruzamento entre possível e impossível. Minority Report - A Nova Lei, filme de 2002 inspirado no conto homônimo de Philip K. Dick, demonstra esse tipo de utopia. Agente da divisão de pré-crimes, repartição policial que confronta os assassinos antes mesmo de cometerem o crime, apostando em um tipo de oráculo, John Anderton (Tom Cruise) parte em uma demanda pessoal, quando descobre que ele mesmo mataria uma pessoa em menos de trinta e seis horas. Se o sistema é preciso, porque então diz que "nosso herói" na verdade pode ser um criminoso? O tema aqui é determinismo versus livre-arbítrio.

A mesma questão é tratada em diversos filmes, como Gattaca, de 1997, em que o personagem principal, Vincent Freeman (Ethan Hawke), tenta realizar seu sonho, trapaceando o sistema aparentemente ideal que escolhe papéis sociais com base na eugenia. Ainda outro exemplo da categoria da utopia questionável é A Vida em Preto e Branco (Pleasantville), de 1998, em que os irmãos David (Tobey Maguire) e Jennifer (Reese Witherspoon) acabam dentro de um seriado dos anos 1950, em que todos vivem em um tipo de eterno paraíso, mas Jennifer começa a alterar essa ordem perfeita, para o desgosto de David. O conflito principal do filme é qual a medida entre ordem e caos, entre repressão e expressão.

A Costa do Mosquito

Tipo de utopia: criável

Como pode um ser humano imperfeito tomar as rédeas da criação de uma sociedade perfeita? Em A Costa do Mosquito (The Mosquito Coast), drama de 1986, o inventor Allie Fox, interpretado por Harrison Ford, parte com a família para Jeronimo, na América Central, e lá toma para si a tarefa de criar uma nova e mais avançada sociedade. O problema é, claro, o confronto entre ideal e real, já que mesmo Fox não pode fugir da sua condição humana falha. Ao enfrentar problemas com os trabalhadores, religiosos, rebeldes e gangues, Fox pode ser considerado um visionário ímpar ou um louco com planos improváveis.

A Máquina do Tempo

Tipo de utopia: hemisférica

Provavelmente a recriação mais fiel de uma utopia do tipo ecológica esteja no filme A Máquina do Tempo (The Time Machine), que George Pal dirigiu em 1960 com base no popular romance de H.G. Wells. Na trama, o cientista George constrói um aparato para viajar no tempo e visita um futuro absolutamente distante. Lá, ele encontra os Elois, uma raça que vive em perfeita harmonia com seu ambiente, que não precisa de muito para estabelecer uma comunidade funcional, e, mais importante, mantém a pureza do tal bom selvagem. Por vezes, os Elois podem parecer até ingênuos demais, pouco inquisitivos e um tanto acomodados com sua situação. Isso porque a premissa da malícia está toda concentrada em uma raça oposta: os Morlocks, que habitam o submundo.

Numa interpretação de A Máquina do Tempo, uma comunidade perfeita e singela só pode acontecer quando há o seu oposto, sua polaridade, em um outro hemisfério. Livrar-se da malícia seria livrar-se de tudo que existe de mal, em uma dicotomia perfeita. Isto é, a utopia só pode acontecer pela metade. A Máquina do Tempo já foi adaptado ao cinema algumas vezes; a mais recente em 2002, com direção de Simon Wells.



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Comentários (62)

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Milena Milena (19/09/2012 23:59:04)   566 -1
Realmente muito interessante, abordar os filmes de uma outra forma foi uma ideia muito boa..espero conferir a parte II.



Maldi♱☯ Kakar☯♱♱☯ Maldi♱☯ Kakar☯♱♱☯ (19/09/2012 23:43:55)   1262 1
NUNCA HAVIA VISTO FRANKENSTEIN COMO SCIFI MAS SIM COMO TERROR.
ACHO Q É PELA ASSOCIAÇÃO Q HISTÓRICAMENTE SE FAZ COM OUTROS PERSONAGENS COMO VAMPIROS, MÚMIAS, LOBISOMENS, BRUXAS, FANTASMAS, ZUMBIS E ETC. MESMO DESDE A ÉPOCA DOS CLASSICOS DA UNIVERSAL ATÉ A TURMA DO PENADINHO. MAS ESSE ARTIGO ME ABRIU A VISÃO P/ENXERGAR ESSA OBRA COMO REALMENTE UMA SCIFI.



sem avatar Jose (19/09/2012 21:18:26)   1 1
PARABÉNS! ! ! FLAVIA GASI MUITO BOM MESMO



Cesar DS9 Cesar DS9 (17/09/2012 21:05:09)   804 1
Gostei muito da matéria e espero a parte 2.

Bem que a Flavia Gassi podia mencionar como distopia a série de tv Battlestar Galactica 2003/2009.

Essa série é a referência mais interessante sobre a busca da humanidade por uma relação harmoniosa entre homem e máquina.

O apocalipse nuclear nunca foi tão impactante na tv quanto em BSG, supera inclusive a franquia Terminator nessa questão da guerra entre a humanidade e a inteligência artificial.

http://www.youtube.com/watch?v=n7dwOMjpaSc



Bernardo Bernardo (17/09/2012 14:18:06)   1 1
Olá cozinheiros antes de mais nada muito obrigado por sempre primarem pelo bom trabalho de pesquisa e apresentação. Meu nome é Bernardo Montemor sou um frequentador antigo embora nunca tenha inscrito até agora acompanho o site desde a faculdade e lá se vão dez anos. Sou professor de história e como fã de ficção cientifica sempre fiquei impessionado com a capacidade de diversos escritores de anteverem o que viria a ser o futuro especialmente Julio Verne. Adorei o artigo e estou ansioso pelo próximo.Em especial agradeço a autora Flávia Grasi



sem avatar deoveki (16/09/2012 23:09:00)   8 1
Show de conteúdo Flávia!
Parabéns... se não for O próprio é um dos posts que mais gostei desde que acompanho o Omelete...desde seus primórdios.

Escreva sempre pra gente!!!!



Vítor Vítor (16/09/2012 14:29:40)   3 1
Parabéns pelo artigo Flávia!! Muito interessante, adorei. E também gostaria de ver segundo a visão distópica. Acho que sai na parte II né?



Filipe Filipe (15/09/2012 07:21:13)   1 1
ótimo artigo, parabéns! Ancioso para a parte 2.



Thyago Roberto Thyago Roberto (15/09/2012 01:14:19)   729 1
Excelente artigo! Mal posso esperar a parte 2 dele...



Dente-Azul Dente-Azul (14/09/2012 20:15:40)   222 1
Que matéria maneira,uma das melhores que eu já li em toda a história do Omelete! Cade a Carina Toledo?



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sem avatar scratred (14/09/2012 19:03:22)   684 1
Gosto bastante da obra de Assimov, ele era um exemplo real de um visionário, e abordar eras de avanço da humanidade era sua especialização, vale a pena ouvir suas previsões.

http://www.youtube.com/watch?v=CI5NKP1y6Ng



jonathan jonathan (14/09/2012 17:37:55)   1186 1
Caraca artigo genial,gostei.



sem avatar Alan (14/09/2012 15:33:56)   8 1
Adoro quando fazem analises mais apuradas de uma obra de ficção e fantasia revelando ao espectador mais do que o obvio que é visto em uma olhada superficial. Espero que o Omelete comente outros temas assim.


www.tolkienmetal.com

www.filmesespiritualistas.blogspot.com



Pedro Sérgio Pedro Sérgio (14/09/2012 12:32:56)   204 1
Destes todos gattaca parece ser o futuro mais provável. Uma obra de ficção científica brilhante que trata a eterna busca do homem pela sua evolução e o valor subjetivo que cada ser humano pode ter.

Me parece improvável fugir da premissa de Gattaca daqui a 100 anos. Com o crescimento do conhecimento cético ao longo dos anos, que pai e mãe deixariam ao acaso o bem estar de seus filhos?

Hoje os pais oferecem boas escolas, cursos de idioma, computação e tudo que puder favorecer seus filhos frente aos outros, mas no futuro, será possível (para os que puderem pagar) dar vantagens biológicas a sua prole.

Pelo que ouvi falar, já existem crianças em Londres que nunca desenvolverão câncer



silvio cesar silvio cesar (14/09/2012 09:13:52)   2 2
A pior coisa sobre o futuro é sua imprevibilidade, porem se fosse o contrario , imagino como seria a nossa vida ; muito chata.



sem avatar EduOneiros (14/09/2012 08:36:05)   10 2
ótima matéria! Parabéns



sem avatar Danilo (13/09/2012 17:06:21)   236 2
Show de matéria quando "crescer" quero escrever assim também!



Paulo Paulo (13/09/2012 16:52:37)   -3 2
The best post ever!!!!!! Foi o post mais do zaralho que tive o prazer de ler em meses!!! Obrigado Flávia Gasi!!!



Jorge Luís Jorge Luís (13/09/2012 15:45:45)   76 2
Excelente!

Parabéns pra autora Flávia Gazi.

Vou salvar no "meus favoritos" pra futuras consultas.



@alexeyhonorio @alexeyhonorio (13/09/2012 15:24:05)   21 2
Onde tem a opção "curtir" ? rs show de matéria Flavia :)



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Romário Romário (13/09/2012 12:56:32)   205 1
Achei sensacional esse texto da Flávia Gasi.Mostra de um jeito bem inteligente um filme completamente fictício com conceitos reais que existem na nossa sociedade.Tenho uma ideia de um filme em que o personagem principal vive em uma realidade harmoniosa,mas com alguns conflitos interno familiares,até que um dia ele conhecer uma mulher e descobre que tudo estava sendo manipulado,que ela estava sendo caçada pelos manipuladores e se ela não fizesse nada o futuro seria catastrófico(tenho vontade de produzir esse filme kkkk)
Estou ansioso pela segunda parte e que,não seja a ultima né ;D

abraços.



Barbarian Barbarian (13/09/2012 11:54:26)   1271 2
Genial. Simplesmente genial.

Matéria impecável de fora a fora. Ótimo!



Tatiana Tatiana (13/09/2012 11:17:33)   184 1
Bem legal, mas acho que faltou a utopia apocalíptica, onde a humanidade se rende à auto-destruição (ou perto dela), presente em filmes como Exterminador do Futuro, Blade Runner, Matrix...


Tatiana Tatiana (13/09/2012 11:22:39)   184 1
My bad.... passeio por cima do começo da matéria, as teorias pessimistas vêm semana que vem!

;-)


Pedro Pedro (13/09/2012 11:05:55)   784 1
Já que ta todo mundo elogiando,achei a matéria mais o menos...
HAHAHAHAHHA mentira! MUITO BOA!!



Ricardo Ricardo (13/09/2012 10:39:19)   1811 0
Fazia tempo que eu não via um texto tão bem escrito no site. Parabéns!

Olha aí, tinha até me esquecido de The Lost Horizon, tá aí um filme que não vejo a anos e preciso rever imediatamente!

Deviam fazer mais esse tipo de coisa!

Como recomendação aqui já pra uma matéria futura, falem sobre o cinema mudo que pouca gente conhece hoje.

Ou um especial sobre filmografia européia, francesa, brasileira, asiática.

Ou sobre o cinema noir.

Eu lembro na primeira metade da década passada como tinha matérias boas. Os primórdios do Batman, a matéria sobre O Morcego, sobre Caligari, a série do Homem-Aranha, o Homem-Aranha japonês, sobre desenhos desanimados, ótimas matérias que nos davam informação.

Sobre a história do Rock no cinema, outra matéria que eu adorei.

Façam mais isso, Omelete, por favor! O site anda precisando dar uma renovada.



sem avatar Mark (13/09/2012 09:54:18)   1 1
Beleza de artigo Flávia, continue nos brindando com seu talento.
Valeu



Victor Victor (13/09/2012 09:53:06)   56 1
No próximo capítulo, vamos ver o que eu gosto mais? DISTOPIA?

Matrix, O Livro de Eli, Vingador do Futuro, Mad Max, etc... :)


Pedro Pedro (13/09/2012 11:04:37)   784 1
Esqueceu do pior: 1984


sem avatar Juliana (13/09/2012 09:42:34)   -2 2
O Tema é, pra mim, o mais interessante da literatura e do cinema, e não, a toa, toma da minha monografia e das minhas pesquisas nos últimos anos de faculdade. A apresentação foi bem abrangente, parecida com o q eu tenho feito em meus trabalhos com a literatura, mas vou aproveitar o espaço de discussão, pra questionar algumas coisas, com intenções meramente de me aproveitar disso no que puder para o meu trabalho.

Primeiro uma confusão linguística que vem sendo bem difundida, a de que utopia quer dizer tanto lugar nenhum quanto bom lugar. Na verdade, a palavra q não foi inventada pelos gregos, quer dizer apenas "não lugar", numa tradução literal. A associação com bom lugar vem do seu primeiro uso, por Thomas More, no livro que lança o gênero e cria a palavra, A Utopia. Nesse livro a ilha de utopia é um lugar que é, segundo more, a sociedade perfeita.

A segunda questão que proponho aqui é aquela em que baseio meu trabalho: a impossibilidade da utopia. O que todas as obras utópicas tem em comum é a percepção de que algo dá errado nessas sociedades que deveriam ser perfeitas. Além disso, algumas delas, como a de More, só são perfeitas se olhadas sob um determinado ângulo, mas com o passar dos anos ou olhadas por uma diferente cultura, podem até mesmo ser consideradas distópicas. Essa impossibilidade se confirma quando saímos da arte para a vida "real" e vemos que fracassaram todas as tentativas de construir sociedades perfeitas - desde pequenas comunidades inspiradas pelos livros até o comunismo e o socialismo.

Perdão pela empolgação acadêmica, mas é a vibe monografia que deixa qualquer um meio obsessivo pelo seu tema ;)



Cesar Cesar (13/09/2012 08:27:41)   49 2
Excelente Flávia Gási! Deu gosto de ler o texto! Um dos melhores que já li no Omelete!!! Parabéns!!



WillCesar WillCesar (13/09/2012 03:12:41)   293 1
Excelente matéria!



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Renan Renan (13/09/2012 00:38:42)   2461 1
Ótimo texto, parabéns Flavia. Mas será que veremos a segunda parte? o Omelete prometeu um especial mensal de como começar a ler quadrinhos e ficou só na promessa, só teve duas partes.



Ironic Ironic (13/09/2012 00:06:31)   653 1
Sempre considerei Star Trek a Utopia ideal!

e por essa razão, talvez a mais dificil de ser atingida

Boa matéria! Parabéns!



Pinto Pinto (12/09/2012 23:52:08)   212 4
Eu estou lendo "Os tres estigmas de Palmer Eldritch" do K. Dick, e e' curioso notar que ele utiliza tambem nesse romance, o conceito dos pre-cogs, onde embora a funcao deles nao seja necessariamente prever crimes, isso acontece na obra.

Agora e' engracado que dentro do conceito que a Flavia aprensentou o termo, somado a alguns exemplos, me levou a ver 1984 nao como uma distopia, mas sim o oposto.

Afinal, sendo o individuo um elemento caotico do universo, a unica forma de alcancar a ordem seria sob controle absoluto. Ou seja, a liberdade custa tao caro quanto a falta dela.

As ruas de Londres hoje sao um verdadeiro Big Brother, repleta de cameras. Embora lhe traga seguranca, lhe tira qualquer sensacao de privacidade.

Entao, falando em termos de harmonia, V ao fim da serie "V de Vinganca", tira a Inglaterra de uma regime ditatorial e a lanca no completo caos. Ai fica o ponto de vista, qual e' a utopia e qual e' a distopia?

A mesma coisa com " Farenheit 451". Que falta fazem os livros para quem nao os conhece? Ou de um lado, que razao tem o governo de queimar livros para manter a ordem e, do outro, que razao tem alguem de vir e quebrar essa hormonia em que a sociedade vive, apenas pelo direito de poder escolher?

E' por isso que me amarro em ficcao cientifica... :)



Rafael Rafael (12/09/2012 23:00:01)   37 1
Parabéns FLávia, realmente ficou muito legal



Marco Marco (12/09/2012 22:51:45)   2 1
Gostei bastante da matéria, estou curioso a respeito da segunda parte



Octavio Octavio (12/09/2012 22:37:32)   71 1
Flávia, gostei bastante. Se posso sugerir alguma coisa, Admirável Mundo Novo seria desejável. Vou apresentar suas classificações para a estudiosa de FC Elizabeth Gynway, apesar dela não considerar utopias como um subgênero da FC.



Jamyle Mariana Jamyle Mariana (12/09/2012 22:34:40)   1 1
Eu pensei que esse espaço fosse democrático, mas pelo visto só é publicado comentário a favor. E quem não gosta da matéria? Detestei essa matéria, chata demais. A idéia era até boa, mas a Flávia se perdeu totalmente, isso não é um TCC.


Pedro Pedro (13/09/2012 11:09:15)   784 2
UÉ? O espaço é bem democrático.Vc nao gostou,comentou e ta aí seu comentário. O fato de só você nao ter gostado(até agora) nao o deixa menos democratico....


Marcelo Rôner Marcelo Rôner (12/09/2012 22:22:43)   -3 2
A matéria extraordinariamente mais chata e desnecessária que eu já tive a infelicidade de ler no omelete. E olha que eu sou fã do site há muito tempo, mas hoje a Flavia Gasi viajou na maionese.
PS: Não vejo a hora de não ler a parte 2. :-(



Ricardo Ricardo (12/09/2012 21:47:44)   5 0
Acho muito legal quando o pessoal do Omelete faz esse tipo de matéria, Parabéns Flavia!
Ficou demais.



sem avatar Reginaldo (12/09/2012 19:54:44)   -1 1
Curti muito o artigo.
O almanaque dos seriados é muito legal. Porque vocês não fazem um almanaque da ficção cientifica?



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sem avatar Anderson (12/09/2012 19:51:22)   2 1
Parabéns Flávia pela matéria. O tema é o que mais me fascina, tanto na literatura como no cinema. Estou ansioso por mais delícias como essa!



Joel Schumacher Joel Schumacher (12/09/2012 18:27:12)   444 3
Vai ter algum texto comentando os filmes anti-utópicos, como Laranja Mecânica, Alphaville e Blade Runner?


Paulo Paulo (12/09/2012 19:25:48)   93 2
Também pode ter um com os pós-apocalipticos, com Exterminador do Futuro, Matrix , Planeta dos Macacos, etc...

Pinto Pinto (12/09/2012 23:30:04)   212 2
Grande Paulo, nada temas!

Se o Omelete nao entregar um artigo sobre o subgenero pos-apocaliptico, eu estou preparando para meu blog um que falara' do subgenero nao so' no cinema, mas onde quer que eu consiga encontra-lo (quadrinhos, videogames, literatura). Programado para semana que vem.

Enquanto isso, lhe convido para conhecer o blog, onde ha um artigo que aborda uma passagem marcante do filme "A Maquina do Tempo" de 2002.

http://gamobranco.wordpress.com/2012/06/29/sacadas-memoraveis/

Obrigado!


willian willian (12/09/2012 18:15:18)   98 1
Matéria estupenda,parábens flávia muito bom mesmo,queremos mais.



sem avatar Santos D. (12/09/2012 18:10:41)   1273 1
Considero A Costa do Mosquito um dos trabalhos mais interessantes e diferentes da carreira do Harrison Ford, além de trazer o ator numa performance excelente.
Na época do lançamento o longa foi um grande fracasso de critica e publico mas hoje felizmente os criticos reconhecem o valor do filme.



Felipe Felipe (12/09/2012 18:08:34)   2 1
Muito bom! Que surjam mais ideias para artigos como esse.



Zica das Almas Zica das Almas (12/09/2012 17:49:38)   389 1
Gostei bastante.
Parabéns a Flávia Gasi pela bela matéria e parabéns aos cozinheiros pela iniciativa tão criativa. Tomara que não pare por aí e venham mais especiais como esse. Principalmente se forem discutidos no OmeleTV.



Stuart Stuart (12/09/2012 17:48:15)   298 1
Amei essa matéria! Muito boa mesmo! Quero acompanhar as próximas partes



sem avatar Isadora (12/09/2012 17:35:33)   52 1
Gostei da postagem... Tomara que venham mais textos assim.



Marcelo "Abominita" Marcelo "Abominita" (12/09/2012 17:19:56)   69 1
uau, gostei muito



Luke Luke (12/09/2012 17:16:55)   694 1
Legal esse post!

Tomara que saiam mais como esse abordando outros temas, quero ver o Futuro da Humanidade na visão pessimista.




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