O Gângster

Denzel Washington, Russel Crowe e Ridley Scott criam um novo clássico do gênero

Marcelo Forlani
24 de Janeiro de 2008

O Gângster

O Gângster

American Gangster
EUA , 2007 - 157
Drama

Direção:
Ridley Scott

Roteiro:
Steven Zaillian

Elenco:
Denzel Washington, Russell Crowe, Chiwetel Ejiofor, Josh Brolin, Lymari Nadal, Ted Levine, RZA, Cuba Gooding Jr.

Ótimo
o gangster - 1
o gangster - 2
o gangster 3
Se a prostituição é realmente a profissão mais antiga da humanidade, a do policial corrupto deve ser a segunda. E quase tão antiga quanto a desonestidade dos oficiais da lei é o tato das famílias italianas para identificar quais juízes, advogados e policiais estão à venda. É neste ambiente impuro que um detetive resolve, para desgosto de seu parceiro, apresentar como prova 1 milhão de dólares que eles acharam no porta-malas de um carro. Se a idéia parece absurda hoje, na Nova York que passava dos anos 60 para os 70 ela era algo impensável.

Naqueles dias, a guerra do Vietnã ainda corria solta e dos poucos soldados que voltavam para casa fora de caixões, boa parte estava viciada em uma droga injetável derivada do ópium, a heroína. Com a alta demanda, os "homens de negócio" logo começaram a agir. Adiantando-se aos seus concorrentes, um afro-americano de visão chamado Frank Lucas, braço direito do ex-líder do Harlem Bumpy Johnson, foi direto à fonte e trouxe da Ásia a mais pura heroína que Manhattan já viu. Ele colocou a droga em papelotes azuis estampados com a "marca" Blue Magic e começou a distribuí-la pelas ruas a um preço menor que a concorrência. Dos dias em que escoltava Bumpy nos seus encontros com os chefes italianos, aprendeu que devia se manter seguro e longe dos holofotes e por isso "importou" toda a família de sua terra natal, e os colocou para cuidar da distribuição da droga e lavagem do dinheiro. Seu pó e o esquema de importação eram tão bons que em pouco tempo até as tradicionais famiglias compravam dele. Foi assim que Frank se tornou um exemplo de prosperidade na Terra dos Sonhos - um "gângster americano" de verdade, como denota o título original do filme.

A história toda de Lucas é real e foi reportada no artigo "The Return of Superfly", escrito por Mark Jacobson para a New York Magazine, em agosto de 2000. No texto, ele mostra o espírito daquela virada de década e o vôo alçado pelo perigoso e poderoso traficante. Denzel Washington tem aqui uma performance igual ou melhor àquela que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator em Dia de Treinamento. Ele consegue mostrar os lados família e gângster do seu personagem com igual profundidade, fazendo, em poucos segundos, aquele sujeito carismático se afundar no lado negro como as agulhas penetram nas viciadas veias sedentas por heroína.

A forma como a trama é conduzida pelo diretor Ridley Scott faz com que Russel Crowe seja eclipsado pelo brilho de Denzel Washington. É realmente muito mais fácil sentir admiração pelo bon-vivant traficante, sempre bem vestido e bem acompanhado, do que pelo barrigudinho policial prestes a perder a esposa e o filho. Por falar no guarda-roupas de Lucas, seus trajes refletiam sua personalidade e modus operandi. Enquanto outros traficantes se vestiam como gigolôs e distribuíam sua mercadoria pelas ruas, Lucas e seus bem cortados ternos iam às casas dos grandes distribuidores de drogas do país e saíam pela porta da frente - com a oportunidade de aumentar seus cofres.

Mas a história não se fecha apenas nos dois antagonistas. São mais de 100 personagens com falas, que vão das escuras ruas de Nova York aos pardieiros do Vietnã e plantações de ópio no Camboja. Apesar das ótimas atuações de todo o elenco (até mesmo Cuba Gooding Jr.), o enorme entra e sai de personagens, tira um pouco da força do roteiro. Dramas pessoais que poderiam ter forte peso nos desenvolvimentos dos personagens acabam enfraquecidos e, o que é ainda pior, o clímax surge antes da hora, formando um epílogo que se estende pelos últimos 15 minutos. Seria muito, se os 150 minutos totais do longa não passassem tão rápido. Se não dá para colocar O Gângster (American Gangster, 2007) acima de O Poderoso Chefão, Os Bons Companheiros ou Scarface, a forma como Scott recria a atmosfera setentista, inclusive com uma fotografia parecida com o que se fazia naqueles dias, abre "à bala" um espaço na prateleira dos clássicos do gênero.

Assista a clipes do filme



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Comentários (4)

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sem avatar Eduardo (15/08/2013 23:32:46)   27 0
*Hesitar, hehe.



sem avatar Eduardo (15/08/2013 23:27:08)   27 0
Se você admite a possibilidade de "O Gângster" já ser um clássico e compara-o com filmes como Scarface, Os Bons Companheiros ou O Poderoso Chefão, por quê exitar em dar cinco ovos? Sinto muito Forlani, mas esses quatro ovos ficaram completamente incoerentes com sua excelente crítica.



sem avatar Edwiges (21/04/2012 12:21:21)   0 0
Marcelo
Estava procurando uma crítica que não repetisse a propaganda do filme, as que dizem que Frank tinha "sólidos valores éticos", sugerindo que um criminoso de tal envergadura pudesse apenas estar tocando seus negócios, independentemente de quais fossem. Outra barbaridade que encontrei por aí foi a de que ele juntou-se ao policial para combater os malfeitores. Ele colaborou para livrar-se da cadeia perpétua.
Gostei de sua crítica, mas discordo que tenha havido um único clímax. Sua prisão na porta da igreja é o clímax mais óbvio, para quem gosta de filmes policiais. Sua saída da cadeia, ficando parado após a porta fechar-se nas suas costas, é um clímax para quem quer refletir sobre o que realmente significa o "combate" policial ao crime organizado. Numa sociedade que enxerga como empreendedor, bom administrador e bem sucedido alguém que vive da doença (o vício) e a morte alheia, podemos pensar que esse tipo de combate resolve alguma coisa? inúmeras leituras podem ser feitas sobre a imagem de sua saída: um gansgster que pode retomar suas atividades em outro lugar ou patamar? um gangster que saí, outro que entrará? marco de uma história dentro da história, que não mudou? etc.



sem avatar steve (25/02/2012 16:48:04)   6 0
boa critica, gostei do filme.




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