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O Reino

Filme de ação tenta se disfarçar de thriller político

Marcelo Forlani
22 de Novembro de 2007

O Reino

O Reino

The Kingdom
EUA , 2007 - 110
Ação

Direção:
Peter Berg

Roteiro:
Matthew Michael Carnahan

Elenco:
Jamie Foxx, Chris Cooper, Jennifer Garner, Jason Bateman, Ashraf Barhom, Ali Suliman, Jeremy Piven

Bom
o reino 1
o reino 2

Se você é do tipo que costuma se atrasar quando vai ao cinema e vive perdendo o começo do filme (mesmo com a enorme quantidade de propaganda que os exibidores nos empurram goela abaixo sem descontar no preço final do ingresso), adiante o seu relógio e faça um esforço extra para chegar no horário da sessão de O Reino (The Kingdom, 2007). Junto aos créditos iniciais, é explicada de forma bastante dinâmica e didática a relação da Arábia Saudita e os Estados Unidos da América. Cheios de gráficos e imagens de arquivo, o vídeo monta uma linha do tempo que começa em 1926, quando o reino saudita foi criado, até a descoberta do petróleo, passando pelo enriquecimento local, a crise do petróleo dos anos 70, guerra do Kuait e os atentados de 11 de Setembro.

O que isso tem a ver com o filme? Muito pouco. Toda esta introdução serve apenas para ajudar a disfarçar esta fita de ação e aventura em um thriller político, o que ela não é. Quando o filme realmente começa, acompanhamos uma base estadunidense onde se joga softball, se faz churrasco com hambúrguer e salsicha e se monta todo um esquema de segurança além do imaginado. Mas, como sabemos, quanto maior a altura, maior o tombo, ou, no caso, quanto mais bem guardado um local, maior é o seu valor para os terroristas.

A matança começa com com alguns tiros e vai evoluindo até contar mais de 100 mortos e outras duas centenas de feridos. Uma das vítimas é um agente do FBI Francis Manner (Kyle Chandler, da série Early Edition), morte que deixa o departamento em profunda crise. Ronald Fleury (Jammie Foxx) quer de qualquer jeito voar até lá e pegar quem armou os atentados. Esbarra inicialmente na burocracia, mas depois de mexer seus pauzinhos consegue permissão para visitar o país árabe, ao lado dos agentes Grant Sykes (Chris Cooper), Adam Leavitt (Jason Bateman) e Janet Mayes (Jennifer Garner).

Se o diretor Peter Berg acerta ao mostrar os realistas entraves enfrentados pelos agentes do FBI frente à polícia e aos costumes locais, erra a mão ao mostrá-los como os sabichões que ficam desesperados ao verem as autoridades locais destruindo a cena do crime, mas conseguem ser mais espertos do que todos ao reunir, na surdina, algumas evidências. Tudo bem que a bola é deles e eles brincam do jeito que eles querem, mas já está um pouco batida demais essa postura de xerife do mundo, não?

Para piorar, no terceiro ato, a correria, os tiros e as explosões estão finalmente liberados. E aí é aquele jogo de sempre, previsível e com cartas marcadas. Não é preciso ser muito esperto para saber quem vai chegar ao fim do filme e quem vai ficar pelo caminho. Para fechar, o epílogo vem acompanhado de uma desnecessária lição de moral digna dos desenhos do He-Man. Se ao menos o tal Reino do título fosse Etérnia...


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Comentários (2)

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Audrey Audrey (07/12/2011 20:16:47)   237 1
Para mim foi o epilogo que salvou o filme todo, pois a maioria dos filmes feitos nos EUA com temas similares têm como motivo pra guerra o oriente o que não é totalmente verdade. È um ciclo: você mata e consequentemente haverá desejo de vingança e a guerra não terá fim.



sem avatar Pablo Lisandro (26/11/2010 14:52:23)   48 2
''Para fechar, o epílogo vem acompanhado de uma desnecessária lição de moral digna dos desenhos do He-Man.''

Caramba, Forlani. Quanta sensibilidade da sua parte, amigo. Tudo bem, respeito sua opinião, mas num conflito onde morrem crianças e mulheres, que é tão preocupante que nunca se sabe quando acaba, o epílogo serve como um alerta a todos que diz que, a guerra só continua ou acaba dependendo da consciência e respeito de cada um. Péssima crítica.




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