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Crítica: Hannibal

O retorno do Canibal

Erico Borgo
22 de Fevereiro de 2001

Hannibal
Hannibal
Hannibal

O ano era 1991. O Silêncio dos Inocentes (Silence of the Lambs), estreava nos cinemas de todo mundo. O cinema de suspense nunca mais seria o mesmo.

Baseado no livro de Thomas Harris, o filme estabeleceu o Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) como um dos melhores vilões do cinema de todos os tempos. A mera visão do psicopata através de um vidro e seu olhar perturbador eram suficientes para congelar os ossos das audiências. Sua contraparte, a agente especial Clarice Starling (Jodie Foster), era a única pessoa que ele respeitava e, através de seus olhos, podíamos nos aproximar o bastante do monstro para entrar em contato com sua classe, intelecto e frieza.

A produção foi tão bem sucedida que acabou por transcender todos os clichês do gênero e não o fez apenas com relação aos fãs... foi além e ganhou 5 dos 7 Oscar a que foi indicada, incluindo melhor diretor (Jonathan Demme), melhor ator (Anthony Hopkins), melhor atriz (Jodie Foster) e melhor filme. Obviamente, tal façanha refletiu-se em sucesso financeiro. Como em Hollywood sucesso significa seqüência, era de se esperar que o Dr. Lecter daria as caras novamente.

Ao contrário do previsto, a continuação de O Silêncio dos Inocentes demorou para vir. Porém, quase 10 anos depois, o livro é escrito e a adaptação é anunciada com entusiasmo. Em breve assistiríamos Hannibal.

Com Ridley Scott (Gladiador, Blade Runner) na direção e Anthony Hopkins de volta ao personagem que lhe rendeu um Oscar, faltava apenas Jodie Foster que, estranhamente, recusou o filme após ler o roteiro. A primeira suspeita de que algo não estava certo apareceu, mas as dúvidas logo se dissiparam ao saber que Julianne Moore (indicada ao Oscar de melhor atriz por O Fim do Caso, 1999) aceitara o papel.

O filme começa 10 anos depois do caso do assassino serial Buffalo Bill, solucionado pela agente especial Clarice Starling com a ajuda do Dr.Hannibal Lecter. Agora uma agente sênior, Starling enfrenta tempos difíceis nas mãos da burocracia do FBI.

As coisas só pioram quando a agente é responsabilizada por uma batida conjunta do FBI, DEA e Polícia de Washington que acaba em desastre. Desacreditada e correndo o risco de ser afastada, a salvação chega na forma (nojenta) do milionário Mason Verger (Gary Oldman, irreconhecível sob uma máscara de cicatrizes), que oferece informações preciosas sobre o paradeiro do homem que o aleijou e deformou, o Dr. Hannibal Lecter.

Agora de volta ao caso que tornou-a famosa, Clarice segue as pistas e descobre que o Dr. está em Florença, Itália. Vivendo uma vida de luxos e quase conseguindo o cargo de curador em uma biblioteca, o Dr.Lecter emprega toda a sua habilidade para impedir que o descubram. Florença está radiante, a iluminação é perfeita e a fotografia aqui evoca todo o passado da renascença em uma das melhores seqüências do filme.

A partir daí, Hannibal se torna um festival de horror explícito... nada condizente com o terror psicológico de O Silêncio dos Inocentes, onde a violência era implícita e não gráfica. Infelizmente, Ridley Scott pouco pode fazer pois as escolhas não eram suas, estava apenas sendo fiel ao roteiro de David Mamet e Steven Zaillian (que até que se sairam bem na missão de adaptar um livro considerado como um dos piores de 99).

Hannibal vai além e descaracteriza as personagens, a atuação de Hopkins está muito aquém da original (estando até engraçadinho) e Julianne Moore parece perdida. Flashbacks são realizados e tomamos conhecimento de coisas que chegam até a estragar um pouco o primeiro filme, revelando detalhes que devem ser deixados em paz. Chega o final (completamente diferente do livro, odiado pela maioria dos leitores) e com ele o momento mais perturbador das duas horas e onze minutos da produção.

Enfim... vá assistir e confira por si próprio se estou sendo injusto ou não. Mas, na dúvida, prefira O Tigre e o Dragão ou se quiser muito assistir a um filme de Ridley Scott vá ver Gladiador de novo que em breve estará de volta aos cinemas.



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