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![]() Os Quatro Fantásticos em toda a sua glória |
![]() Uniformes toscos |
![]() Dr. Destino |
![]() Coisa |
![]() Depois do resgate |
![]() Capanga capenga |
![]() Estalando os dedinhos |
![]() Mechas sexy |
![]() Precisa mesmo comentar? |
![]() O Cocôisa |
![]() Raio da morte que o parta |
![]() Acredite se quiser... o Tocha Humana |
![]() Bye, bye! |
O FILME, A LENDA
Parece até lenda urbana: uma adaptação para o cinema de um dos mais famosos grupos de heróis dos quadrinhos pelas mãos do papa do cinema B, Roger Corman. Algo que jamais foi lançado de tão ruim que ficou... Mas o pior (ou melhor) é que é tudo verdade. Não fossem os caprichos da internet, dificilmente teríamos acesso a esse material raro e surpreendente.
Diz a lenda que a notável produção torrou cerca de 1,5 milhão de dólares em apenas um mês de filmagens. Quase uma eternidade - e uma fortuna - diante de alguns clássicos de Corman que, contrariando o que muita gente pensa, não dirigiu o filme, apenas o produziu. O nome do criminoso que escondeu-se atrás das câmeras é Oley Sassone, sujeito que mais tarde desistiria do cinema, passando apenas a dirigir episódios menores de seriados como She Spies, Xena e Mutant X.
Curioso notar como há apenas 10 anos a Marvel era completamente descuidada com seus filmes. Tentando pegar carona no mega-sucesso do Batman de 1989, que inaugurou a primeira onda recente de adaptações de HQs para o cinema, a Casa das Idéias vendeu os direitos sobre a criação de Stan Lee e Jack Kirby para uma produtora alemã chamada Neue Constantine.
No entanto, a produtora atrasou o filme e o prazo contratual chegava perigosamente ao fim. Se expirasse, a empresa alemã teria que pagar multa de 5 milhões de dólares à Marvel, especula-se. Em desespero, a única solução encontrada pelo estúdio foi filmar em tempo recorde com o auxílio do único nome de Hollywood capaz de peitar a empreitada por um preço mais camarada que a multa: Mr. Roger Corman, cultuado produtor com mais de 360 filmes no currículo, incluindo aí clássicos B como Piranha, Galáxia do terror e A pequena loja dos horrores. Afinal, quanto menor o prejuízo, melhor.
E a Constantine levou a coisa a sério. Pôsteres, revistas especiais e até trailers começaram a circular e a estréia era dada como certa. Foi aí que, num raro momento de consciência, a Marvel vetou o lançamento e mandou destruir as cópias. O que a editora não esperava é que uma delas sobrevivesse e se multiplicasse. O filme tornou-se então uma peça rara de colecionador, circulando no mercado negro das convenções de HQ e posteriormente caindo na rede mundial. Não há um consenso sobre tais informações de bastidores, mas esta história parece a mais verossímil dentre tantas que circulam por aí. De qualquer forma, vamos ao filme!
A FANTÁSTICA HISTÓRIA
A cada década passa pela órbita da Terra um cometa radioativo que os jovens cientistas Reed Richards e Victor Von Doom tentam transformar em uma imensa fonte de energia através de uma invenção conjunta. Mas um erro de cálculo do orgulhoso Victor causa a explosão do aparato e ele é dado como morto. Dez anos depois, Reed construiu uma nave para ir até o tal cometa e tentar repetir o experimento, agora no espaço. Como nos quadrinhos, os tripulantes são Ben Grimm e os irmãos Johnny e Sue Storm.
O único meio de evitar que a nave exploda é utilizar nela um diamante gigante (????). Porém, o que seu criador não sabe é que a jóia foi substituída pelo "Joalheiro", um dos capangas com cara de duende de Victor Von Doom, agora o senhor do país chamado Latvéria conhecido como Dr. Destino. Sem o diamante, a espaçonave explode e os quatro aparecem milagrosamente de volta à Terra, sãos e salvos, e descobrem seus novos superpoderes.
Claro que depois de ganharem suas novas habilidades, nem todos ficam felizes. Ben, agora o pedregoso Coisa, vaga revoltado pela cidade, assustando involuntariamente as pessoas com sua aparência grotesca. Acolhido pelos párias que vivem nos subterrâneos, ele conhece e se apaixona pela cega Alicia Masters. Mas isso se dá em meio a um acerto de contas entre o Dr. Destino e o Joalheiro, coincidentemente, o líder dos párias. Daí, é lógico que o Quarteto cai nas mãos do bandido, que lhes conta o plano maligno e apresenta sua arma do juízo final só para dar tempo dos heróis se soltarem e darem uma coça nos capengas (digo capangas) do monarca da Latvéria e dar cabo do arremedo de ditador.
O FANTÁSTICO ELENCO
Vindos do nada e ao nada elevados, estes são os nomes eternizados como a primeira versão em carne e o osso da mais famosa família da Marvel.
Alex Hyde-White (Sr. Fantástico) - Talvez o mais esforçado do elenco. Mas sua canastrice não colaborava, algo acentuado pela mecha branca de cabelos possivelmente aerografada com tinta guache. Seu personagem não convencia nos diálogos pseudo-científicos, nem no romance de meia pataca com a Mulher-Invisível. Seu superpoder dos quadrinhos - esticar qualquer parte do corpo a grandes extensões - no filme ficou restrito apenas a alongamento de seus braços e pernas, passando rasteiras nos adversários.
Rebecca Staab (Mulher-Invisível) - Imagine uma loira burra com cara de assustada. Eis nossa Susan Richards. Por sorte o seu poder, o mais barato de todos, permitia que ela desaparecesse de cena a fim de resguardar-lhe certa dignidade.
Jay Underwood (Tocha-Humana)- Imagine um loiro burro com cara de assustado e, além disso, careteiro. Aquele guri em que todos adorariam passar a perna e bater no colégio. Eis a síntese da caracterização do mais jovem membro do quarteto.
Michael Bailey Smith (Coisa) - Talvez o mais "profundo" personagem. Pois é o único com algum dilema pessoal. Ou você não sofreria também debaixo de uma inexpressiva fantasia de borracha?? Dizem que o coitado muitas vezes andava como um cego desorientado pelo cenário.
Joseph Culp (Dr. Destino) - Tinha o irritante cacoete de ficar estalando os dedos como que para provar que sua armadura de plástico era mesmo metálica. Pelo menos, assim como o intérprete do Coisa, ele tinha a desculpa de estar limitado por um traje confinador que o impedia de representar com dignidade.
4 FATOS FANTÁSTICOS
1. UNIFORMES: Mais pareciam pijamas, tinham costuras e zíperes enormes. Sem falar no símbolo do grupo, que era costurado e recortado de forma irregular. Pior para a mulher-Invisível, que o ostentava na barriga! Quando o Sr. Fantático esticava seus braços e pernas era possível também ver a risível emenda do membro postiço.
2. O COCÔISA: O pobre Coisa tinha a máscara com movimentos de animatronic parecidos - mas bem inferiores - aos das máscaras das Tartarugas Ninja. Dava até para ver o limite entre os olhos do "ator" e da máscara. Já as pedras eram tão arredondadas que ele mais pareciam um réptil, quando não um coliforme ambulante. Sem falar que as tais pedras possuíam dobrinhas nas articulações.
3. MAQUETARIA: A Nova York e edifício Baxter do filme são maquetes fuleiras capazes de corar qualquer produção japonesa! Pra piorar, o Fantasticarro voa pendurado numa cordinha sem a menor estabilidade. Visto sempre beeeeem de longe, assim como o sombrio castelo do vilão, só um pouco melhor que os montados para os filmes da Xuxa.
4. O TOCHA-HUMANA: Ele só incendeia seu corpo uma única vez, no final do filme, quando precisa deter o raio do Dr. Destino. Nessa hora ele é substituído por uma animação 3D pavorosa mesmo para os padrões de uma década atrás.
4 MOMENTOS FANTÁSTICOS
1. A TRANSFORMAÇÃO DO COISA: Nosso sobrevivente do Quarteto passa a noite ao lado dos escombros de seu foguete (meia dúzia de pedaços de lata em chamas) aguardando o resgate. Reed, Jonny e Sue já haviam manifestado suas habilides enquanto Ben parecia normal. Enquanto todos dormem, chega o socorro. Mas onde está Ben? Ele surge das sombras, já com sua aparência pedregosa e com toda inocência do mundo exclama: "O que foi?" Mais econômico, imposível.
2. DR. DESTINO MATANDO NO PEITO: O sempre cerebral vilão, cansado da incompetência de seus capangas, desce aos subterrâneo para provar que sua armadura de lata é resistente a tiros, mata balas no peito, faz pose de bacana e, de quebra, estala seus dedinhos metálicos.
3. A DERROTA DE DESTINO: A maior prova de que Richards merece a alcunha de Sr. Fantástico é o fato de que ele põe na lona o mega-superpoderoso-trash-vilão com apenas um de seus socos esticadinhos! E melhor: o bandidão despenca num abismo, confirmando o clichê máximo de que vilão que é vilão tem que morrer caindo!!!
4. O CASAMENTO: Como toda novela, tudo acaba em festa, risadas e arroz. Mas nada supera o antológico momento em que a limusine que leva os recém-casados Reed e Sue abre o teto solar revelando o braço do Sr. Fantático esticado e dando um tchau para a galera. Só faltou o Gaguinho dos Looney Toones e o seu tradicional: "P-Por hoje é só, p-pessoal!"
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