0

Assista Agora

Omelete Entrevista: Alice Braga e Rodrigo Santoro

Artistas brasileiros comentam Cinturão Vermelho, de David Mamet

Scott Huver
19 de Junho de 2008

Cinturão Vermelho
redbelt
Rodrigo Santoro
Alice Braga
Alice Braga

Difícil falar com Rodrigo Santoro (300, Não Por Acaso) e Alice Braga (Cidade Baixa, Eu Sou a Lenda) sobre Cinturão Vermelho (Redbelt). Nossos pedidos de entrevista no Brasil foram negados (acontece... agendas cheias, etc.) e tínhamos apenas um convite para a coletiva de imprensa. Mas qualquer jornalista sabe que raramente sai algo que preste de coletivas - então preferimos usar material que já tínhamos garantido para montar nosso conteúdo do drama de artes marciais de David Mamet (O Assalto).

Acontece que mesmo os nossos parceiros em Los Angeles não deram muita sorte. Ganharam gordos dois minutos com cada um, o que mal deu para duas ou três perguntas... Obviamente, culpa das assessorias lá fora. Afinal, não é a primeira vez que conversamos com Braga e Santoro e em todas as ocasiões eles foram extremamente solícitos e só paravam de conversar quando vinha alguém arrancá-los de nossa sala. Enfim, toda essa desculpa é mera justificativa para um conteúdo bastante minguado (admitimos) de Cinturão Vermelho, mas que fizemos questão de publicar em respeito a esses dois artistas dos quais gostamos demais. Tomara que no próximo encontro consigamos uns 30 segundos extras. ;-)

Enfim, vamos à conversa com os dois, realizada separadamente em Los Angeles pelos nossos parceiros do Collider e reunidas aqui para disfarçar a magreza.

Rodrigo, você ficou chateado de não entrar no ringue no filme?

Rodrigo Santoro: Ahaha, olha, eu pude treinar com eles. Fiz um mês de treinamento com Renato Magno. Ele me deu umas aulas, eu saí com esses caras o tempo todo, eu quis me envolver nesse meio. Eu tinha apenas uma idéia do que era, porque no Brasil o esporte é muito popular, mas eu queria me aproximar mais, entender, treinar jiu-jitsu e partilhar daquele ambiente um tempo. Então eu treinei. Eu não luto no filme, mas por trás das câmeras tomei umas surras.

Alice, e você, aprendeu a lutar?

Alice Braga: Sim, foi divertido. Eu pedi ao produtor e Mamet para ter algumas aulas, para sentir um pouco mais esse mundo em que minha personagem cresceu e vive. Foi um "algo a mais" para entender o mundo dela.

E o que você achou? O que você acha desse mundo?

AB: Eu acho um estilo interessante de arte marcial porque não é sobre socar, ser socado, enfim, ser agressivo. É muito mais sobre evitar a violência e aprender a dominar seu adversário. É interessante. Não é apenas machucar e ser machucado.

Rodrigo, a luta no Brasil é popular, mas será que a coisa da corrupção também é real?

RS: Ah, acho que é como em qualquer lugar. Sabe a coisa dos super-heróis? O vilão obtém o poder e o usa para o mal. Se o mocinho consegue o poder, a coisa vai pro lado do bem. Então é o mesmo princípio. Jiu-Jitsu é uma poderosa e intensa arte marcial, muito completa, e há esses dois lados. O que mostramos no filme é que existe essa corrupção, mas também existe o outro lado. De qualquer forma, aqui não estamos falando de jiu-jitsu, mas do submundo das lutas. Poderia se aplicar em qualquer estilo, boxe, kung-fu, karatê, poderia ser qualquer uma. O submundo de promover as lutas, arranjá-las, esse tipo de coisa é o mote. Então, neste filme temos vários tipos de personagens que simbolizam esses extremos, como Mike Terry, que é o cara que personifica o código de honra do jiu-jitsu, o que a arte marcial promove de verdade. Isso tudo entendemos através do personagem de Chiwetel e é isso que torna Cinturão Vermelho não um filme de ação, com lutas e tal, mas um filme mais filosófico, mais David Mamet.

Alice, você tinha algum conhecimento da luta no Brasil?

AB: Eu sabia que existia. Mas é algo muito popular no Rio de Janeiro. Eu sou de São Paulo... Então nunca havia tido contato direto com isso. Mas eu sabia da existência. O que eu achei mais legal de participar desse filme foi viver uma personagem brasileira e poder falar de jiu-jitsu com David Mamet. Foi uma combinação ótima e uma bela introdução a esse mundo.

Falando em Mamet, você sente alguma diferença entre trabalhar no Brasil ou no sistema hollywoodiano?

AB: Eu acho que fazer cinema é a mesma coisa no mundo todo. É uma questão de paixão, de desenvolver personagens, de encontrar uma pensagem que você deseja transmitir... Claro que existem escalas distintas, como as pequenas produções independentes, como as que faço no Brasil, e os grandes projetos de Hollywood... Mas a paixão é uma só.

E você vai seguir indo e vindo do Brasil para Los Angeles?

AB: Eu adoro trabalhar aqui, adoro estar aqui. Cinema é minha paixão e onde quer que filmes estejam sendo feitos eu quero estar lá para participar. Seja no Brasil, no México, nos Estados Unidos, na França, sei lá. Em todo canto. Eu adoro. Mas, claro, tenho feito muitos filmes nos Estados Unidos e me divertido muito.

E você tem Blindness logo chegando em cartaz...

AB: Eu tenho. Foi uma oportunidade fenomenal de trabalhar novamente com Fernando Meirelles, com quem fiz Cidade de Deus. E tenho outros projetos chegando. Ano passado foi muito bom. Muito especial pra mim.

Assista aos clipes de Cinturão Vermelho


Compartilhar

Galeria de vídeos

Comentários (0)

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.


Omeletop : cinema

None