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Omelete Entrevista: Clive Owen, astro de Mandando Bala

Divertido bate-papo aconteceu na edição deste ano da Comic-Con

Marcelo Forlani
08 de Novembro de 2007

mandando bala poster
clive owen e monica bellucci
Clive Owen e Monica Bellucci
Clive Owen e Michael Davis
Clive Owen e Michael Davis
Clive Owen e a Cenoura
Clive Owen e a Cenoura

Clive Owen é um problema. Desde Closer - Perto Demais (2004) ficou difícil falar o seu nome sem ouvir ao menos um suspiro feminio. Alto e elegantemente vestido com um terno preto, camisa branca e gravata vinho, ele conversou com o Omelete sobre Mandando Bala na edição deste ano da Comic-Con, em San Diego. E quer saber? Ficou ainda mais difícil rebater o argumento delas. Principalmente quando ele começou a falar e se mostrou também um sujeito gente boa e extremamente divertido. De homem das cavernas ele não tem nada!

Dá para dizer o quanto foi divertido fazer este filme?

Clive Owen: Muito divertido. Parece que eu estou me divertindo?

Muito! Fazia muito tempo que não me divertia tanto num cinema.

Ótimo! Que legal ouvir isso.

Você quebrou alguma coisa durante as filmagens?

Nada!

Mas foi você que fez as suas cenas de ação, certo?

Muitas delas, sim. Principalmente pelo jeito como Michael filma. Ele tem uma visão muito boa das cenas de ação que torna tudo espetacular pela forma como ele manuseia a câmera. Ele quer colocar o espectador ao lado dos atores. Ele quer que você se sinta carregando uma arma também. Foi algo muito físico.

Houve alguma cena que foi mais difícil de fazer?

[pausa] A cena de skydiving, porque eu estava preso naqueles cabos de aço e ouvia as pessoas dizendo "puxa mais para cima. Mais!" Mas embora houvesse muitos desafios no aspecto físico, o objetivo de tudo era muito claro, então não era complicado. Duro, sim. Mas não difícil.

Não sei se é verdade ou não, mas havia um rumor de que você tinha sido convidado para ser o novo James Bond e acabou não aceitando. Sendo isso verdade, por que você aceitou fazer este filme, que tem tantas semelhanças com o 007?

Não, não é verdade. (risos)

E por que você decidiu fazer Mandando Bala?

Pra ser bem sincero, me falaram do filme e eu achei que não era para mim. Mas mesmo assim li o roteiro e em seguida vi a animação que Michael tinha feito baseado no storyboard e liguei para o meu agente dizendo "isso é muito louco! Se o cara conseguir fazer tudo isso que está planejando, o filme vai ser extraordinário!" Daí fui falar com o Michael e vi que se ele não fizesse esse filme, ele ia acabar explodindo. (risos) Ele está há 7 anos sonhando cada ângulo deste filme. E quando falava pra ele do que eu via como potencial problema, ele já tinha uma solução. Foi neste momento que decidi fazê-lo.

Como você se concentra em uma cena como aquela em que está fazendo sexo com Monica Bellucci e atirando?

Ficar tão perto da Monica Bellucci nunca vai ser um problema (risos)

E como foi ter Paul Giamatti ao lado neste projeto?

Eu fiquei muito empolgado quando ele se juntou a nós. Ele soube muito bem explorar esta maluquice do personagem e ainda deixá-lo real. Ele é o antagonista perfeito para o Sr. Smith, em termos de um cara cool, contido.

Este é o seu segundo filme com um bebê...

Mais do que isso. É o segundo em que ajudo uma mulher a dar à luz. Embora neste, pela primeira vez, eu atire no cordão umbilical. (risos)

Falando das cenas de ação, que são propositalmente exageradas, como fazer para não passar a barreira e cair no mundo das paródias?

Não dá para levar o filme mesmo muito a sério, mas ao mesmo tempo você tem que dar o seu apoio, para ele não passar este limite e cair na maluquice sem perder o espectador. É preciso trazer o filme para a realidade o tempo todo, por mais inverossímeis que sejam as cenas.

E Michael faz tudo isso muito bem!

É o estilo dele. [pequena pausa] Ele leva essa merda toda muito a sério! (risos)

Quando ele apresentou o filme pra gente, ele parecia uma criança com o brinquedo que acabou de ganhar.

Estar aqui na Comic-Con é um sonho para o cara. Ele pertence a tudo isso!

Ele demonstrava esta ansiedade também quando vocês estavam filmando?

Não apenas a ansiedade, mas o mais importante é que ele mostrava também que estava muito preparado. Ajudou muito ter ao seu lado (o diretor de fotografia) Peter Pau , que é especializado no gênero. Mas o filme não é tão grande se levarmos em consideração o tanto de cenas de ação que temos nele, então, o que tínhamos de fazer é sermos organizados, disciplinados e fazer tudo o mais rápido possível. Tudo isso desde o primeiro dia.

Mas tinha alguns momentos em que você achava que precisava de mais uma tomada e vocês não tinham tempo para isso?

Não. O filme todo estava muito bem montado, com storyboards de tudo, todas as cenas, ângulos, tudo! Para o ator, é claro que isso também é atuação, mas é diferente. É mais entrar lá e bangue, bangue, bangue, com uma diferença muito satisfatória de saber qual é o objetivo de todo mundo por ali. Eu adorei!

Qual o seu estilo preferido? Um filme de ação como este, uma coisa mais dramática como Closer ou algo no meio do caminho, como O Plano Perfeito ?

Essa é uma pergunta muito difícil. Closer é algo muito pessoal, pois eu tinha feito a peça original e adoro aqueles diálogos. Se você olhar para o que eu tenho feito vai ver que gosto de misturar. Gosto de fazer filmes. Não tenho preferências. Mas posso dizer que é sempre muito bom quando se tem bons diálogos. Se tem uma coisa que às vezes falta nos filmes é isso, pessoas dizendo coisas espertas umas para as outras. É o que pode diferenciar um roteiro bom de um ótimo.

Este filme tem ótimas frases de efeito. Você tem alguma preferida?

Várias! (risos)

Você é um cara muito bem-humorado. Como você fazia para se manter naquele mau humor do personagem o tempo todo?

Michael era muito meticuloso quanto a isso. Ele queria que eu fosse um cara bravo. Eu queria um personagem mais cool . Ele queria um personagem com estilo fodão. Então ele sempre me forçava a este humor.

Embora a ação do filme seja muito boa, gosto mesmo é do jeito como se lida com os babacas do dia-a-dia. Durante as filmagens vocês tiveram idéias de como trazer a ação para o cotidiano?

Adoro este aspecto da vida cotidiana e de dar aos babacas o tratamento que eles merecem, mas como disse, já estava tudo no roteiro.

Você está preparado para as críticas dizendo que é o filme mais violento de todos os tempos?

Êêê! Este é o meu tipo de violência, como em Sin City. É uma violência cênica. Não tem nada a ver com a minha vida. Quem vê este filme como algo violento está ignorando toda a ação e diversão que ele propõe.

Pra terminar, quantas cenouras você comeu?

Eu trapaceei em alguns momentos porque não é fácil dizer as suas falas com cenouras na boca, então eu logo em seguida cuspia. Mas mesmo assim foram muitas.

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