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Omelete Entrevista: Cynthia Nixon, Kim Cattrall & Kristin Davis

Miranda, Samantha e Charlotte de Sex and The City falam do filme

Eduardo Graça
05 de Junho de 2008

Sex and the City

Sex and the City

Sex and the City
EUA , 2008 - 148
Comédia / Romance

Direção:
Michael Patrick King

Roteiro:
Michael Patrick King

Elenco:
Sarah Jessica Parker, Cynthia Nixon, Kim Cattrall e Kristin Davis

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Sex and the City
Sex and the City
Sex and the City

Antes de mais nada, a confissão: sou um fã de Sex & the City. E, sim, a probabilidade de eu ser tendencioso aqui é bem grande. Mas depois de quase quatro anos cobrindo a indústria cinematográfica, acho que consigo saber a diferença entre uma piada forçada e uma boa comédia. Michael Patrick King e as meninas - Sarah Jessica Parker (Carrie), Cynthia Nixon (Miranda), Kim Cattrall (Samantha) & Kristin Davis (Charlotte) - voltaram mais experientes e com mais zsa-zsa-zou. As piadas estão funcionando com perfeição; Chris Noth está irretocável e até a novata Jennifer Hudson - como Louise, a assistente de Carrie Bradshaw - prova que uma dreamgirl pode se juntar ao quarteto fantástico.

Também há problemas, é claro. As mais de duas horas podem se tornar cansativas até para os mais fanáticos e, convenhamos, quanto tempo você aguenta todo aquele papo que elas soltam sobre homens e moda? Nada disso importa. A grande conquista de Sex and the City, o Filme, é espelhar as melhores partes da série - uma certa dose de romantismo que toca corações sem concessões para o mau gosto e sentimentalismo barato. Elas vão para o México, se casam, separam, passam por territórios sombrios e bebem - que démodé! - Cosmos. E elas se apaixonam, todos os dias, por Nova York.

Abaixo, você vai ler a primeira parte da série das entrevistas feitas em parceria com o site Collider direto da Big Apple. Tivemos a sorte de pegar uma linda sala com vista para o Central Park. Ah, e durante as entrevistas pude perceber que, sim, eu sinto saudades delas! Falei muito, né? Bom, vá ver o filme e você vai entender o que eu quis dizer.

Entrevista com Kristin Davis

Pergunta: Você está fantástica! Você acha que seu estilo de moda sofreu mudanças depois do programa?

Muito obrigada! Estou usando um terno Prada hoje. Oh, eu morria de medo. Pat me dizia: "use isso, use aquilo!" E eu respondia [fazendo voz de choro]: "Eu não consigo!". Ela é bem durona, como nós sabemos, e eu não era do tipo de pessoa para quem os designers faziam roupa. Lá atrás, eles não desenhavam para mulheres com corpos curvilíneos! Era tudo super reto e eu falava "Eu não consigo usar nada disso!" Mas este é uma das qualidades da Pat, ela não quer que todo mundo se vista igual. Ela disse ‘você tem curvas e nós vamos mostrar todas elas!" Eu vejo Charlotte como uma secretária sexy ! (risos).

Com quais personagem você mais se identifica?

Eu sempre disse Charlotte, por motivos óbvios, mas agora eu mudei. Tenho me sentido muito mais Carrie. Ela ainda está procurando e descobrindo certas coisas e tentando achar... não sei, ela é uma escritora, então ela está sempre analizando, descobrindo seu lugar no mundo...

Você disse recentemente que agora que entrou nos 40 você está se sentindo melhor consigo mesma. O que você diria para pessoas de 20 anos que são fãs do programa?

Huuum... Antes de mais nada, acho que tanto para homens quanto para mulheres, os 20 anos são uma época muito estranha. Nós temos todo esse circo midiático insano acontecendo o tempo todo. Não era assim antes. Não me lembro das pessoas seguindo Meryl e De Niro por aí. Eu me preocupo com os jovens sendo influenciados por isso. Acho que chegou num nível praticamente tóxico. Saiu do controle. Espero que eles consigam sentir que podem ser eles mesmos e se sentir bem com isso. Mas não sei se isso acontece. E acho que o nosso programa fala justamente de você ser você mesma e não copiar os outros. Mas não sei se isso não se perdeu no meio das etiquetas de grife. No começo do filme nós tentamos discutir isso, quando falamos de etiquetas e amor. Espero que essa irmandade entre elas e o amor seja maior do que as marcas de sapatos.

Você acha que o filme, de alguma forma, defende a idéia de que comprometimento é a saída para nossas ex-solteiras heroínas?

Bom, é o processo natural das coisas. Elas estão envelhecendo. Todas elas acharam alguém e a pergunta é... qual o próximo passo? E é como a vida real! E cada personagem tem um final diferente. O que nós estamos tentando dizer não é que todo mundo precisa achar seu par. O que nós queremos dizer é aprenda quem você é e o que você quer. E o que quer que aconteça vai ser legal.

Você tem essa obsessão da Charlotte de ter filhos?

Sim, claro! Quero dizer, não com a mesma intensidade e todo aquele planejamento. O marido, as crianças, eu não tenho tudo aquilo. Algumas amigas minhas estão tendo seus filhos e estou adorando, mas não sei se eu vou seguir esse caminho. É tanta responsabilidade... Você precisa estar preparada e estar ao lado de um homem em quem confia que pode levar aquilo adiante. Ainda não achei esse cara (risos). Mas eu faço Charlotte, a esperançosa, então, quem sabe?

O que você acha das pessoas ficarem o tempo todo lembrando de você como Charlotte? Lembra de Melrose, quando você fez uma das vilãs. Você voltaria àqueles dias?

De jeito nenhum! Eu amo Charlotte! Eu gostava de ser Brooke, mas as pessoas me xingavam quando a interpretava. Na loja, no mercado... foi uma época muito difícil. Uma vez eu estava resfriada e uma mulher estava muito brava comigo. Eu estava com uma cara e voz péssima e falava assim [choramingando] "Por favor, eu sou só uma atriz. Por favor (risos)" Pra mim chega. Não preciso mais interpretar uma malvada. Mas é claro que se for um bom papel...

5Mas sabe o que tem acontecido? Tenho recebido uns roteiros com uns papéis bem sombrios, estranhos. Estou começando a achar que as pessoas pensam que pode ser legal botar uma arma na mão da Charlotte. Só pra chocar todo mundo, sabe? Eu adoraria fazer alguma coisa aqui em Nova York de novo, com toda essa energia. Estou pegando um papel principal agora em uma comédia independente. Vamos ver...

Entrevista com Kim Cattrall

Uau! Que sapatos maravilhosos!

São do Jimmy Choo.

Você se tornou uma grande fão do Jimmy Choo, né?

Sim. Mas não só do Jimmy. Sou meio promíscua! (risos).

Tem alguma parte do roteiro que te surpreendeu?

Sim. Eu fiquei muito comovida na cena em que Samantha comemora seu 50º ano de juventude. Afinal, ela sempre mentiu sobre a idade dela (risos). E eu recentemente completei meus 50 anos também. Sabe, no fim da série eu não tinha acreditado que Michael tinha colocado Samantha em uma relação monogâmica. Eu sabia que isso não ia durar muito. Eu tinha certeza! (risos). E vê-la tentando ser quem ela não é partiu meu coração. Coitadinha, ela desistiu do seu trabalho, suas amigas... se mudou para a costa oeste por um hooomem? E que nem era bonito!? (risos).

Tem alguma coisa que você acha que saiu errado com a Samantha no filme?

O que eu senti foi algo diferente. Eu estava tão feliz de estar ali que quando eu estava no telefone e as outras meninas estavam filmando eu me pegava pensando "Caramba! Por que eu não estou lá filmando?" (risos). Tudo era muito divertido! E por favor, não é que eu não goste de Los Angeles, especialmente Malibu, mas estava congelando lá e eu acho que a mágica do filme é quando estamos todas juntas, aquela festa. Essa é a minha parte favorita. Isso é Sex and the City! Mas eu também gostei muito do jeito como Samantha terminou, cheia de possibilidades para outras décadas de muita diversão.

Os fãs de Sex and the City aprenderam muito com a série. E o filme, ele tem alguma mensagem?

Acho que é o lance dos amigos serem uma família. Você não pode escolher sua família, mas você escolhe as suas melhores amigas. Eu me lembro de Mary Tylor Moore, um progama que eu adorava, e a família dela era seu emprego. Era a época em que as mulheres estavam entrando em peso no mercado de trabalho e agora, acho que chegamos ao momento em que as mulheres estão dando apoio umas às outras. Uma das minhas cenas preferidas é quando Steve vem falar com Miranda na festa e tem esse troca entre Cynthia e eu quando Samantha não está bloqueando Steve mas ela quer ter certeza que Miranda vai estar bem. Isso que é uma amizade de verdade.

Houve muito falatório em relação ao sexo em Sex and the City e as pessoas ficaram com medo que poderia se tornar um filme mais leve, com censura 13 anos. E não tem nada disso...

Eu estava preocupada com isso, porque sua bunda naquela telona fica "desse" tamanho (risos). Eu sabia que estávamos tomando todos os cuidados possíveis, mas queria ter certeza que minha bunda estivesse devidamente coberta. (risos).

Entrevista com Cynthia Nixon

Você diria que Miranda mudou muito a forma como se vestia durante o programa?

Acho que nós estávamos tentando ser o mais realista possível o que uma advogada da sua posição vestiria naqueles dias. Até que Pat Field decidiu que ela não aguentava mais! (risos) Por anos ela me vestiu em terninhos até que um dia ela decidiu que eu deveria ganhar um corte de cabelo mais glamuroso. (risos).

O que acontece com Miranda e Steve é de partir o coração. Você conseguiu prever isso?

Basicamente, Miranda se colocou nessa situação complicada. Sua vida não estava funcionando em aspecto algum. Ela estava trabalhando muito, cuidando da família, da casa e falhando em todas as tarefas. E eles não conseguiram achar uma forma de sair dessa situação. Então, o Steve explodiu. E quando há um estouro desses, você precebe o que é realmente importante e se você consegue de verdade ser uma boa mãe e esposa. E uma boa advogada! (risos). De certa forma, por meio dessa barbaridade, Steve está resgatando Miranda. Ele faz isso várias vezes. Ele a salva do cinismo e da sua crença de que homens e mulheres não combinam. E agora ele a resgata da missão de ser uma supermulher. É hora de aprender a dar prioridades às coisas e delegar funções.

Miranda diz que ela mudou quem era por ele…

Acho que ela mudou mesmo. Mas acho que ela não mudou o suficiente. Ela precisava mudar mais. Ela nunca imaginou que poderia acabar casada, mãe e vivendo na porra do Brooklyn! (risos). E acabou fazendo tudo isso por ele. Mas ela tem problemas de dividir responsabilidades e precisa mudar mais. É uma coisa de controle.

Há vários casamentos no filme e muito falatório sobre o seu casamento [na vida real]...

Eu sei! E é tudo mentira! (risos). Na verdade, eu preciso dizer que nós não podemos nos casar. Acho que se fosse permitido, nós nos casaríamos. Seria legal nos casarmos onde vivemos. Uma vez falei em um evento que adoraria poder me casar com minha namorada, mas que não nos permitiam. Acho que foi aí que tudo começou...

Dá para dizer que das quatro meninas você se parece mais é com a Miranda mesmo?

Sim, claro! Embora eu ache que tenha uma pegada mais urbana como a Carrie, que eu realmente gosto…

Você tem algum episódio favorito?

Adoro aquele em que a mãe da Miranda morre. Todas as meninas têm ótimas falas naquele episódio. E adoro o de Hamptons em que o personagem de Nathan Lane se casa.

Acho que Trixie, sua esposa, estava como personagem no filme…

Sim, ela estava. Tem tanta coisa que ficou de fora...

Para onde você gostaria de ver Miranda indo agora?

Gostaria de vê-la se acalmando um pouco. Dedicando um pouco mais de tempo a si mesma, para seu casamento e seu bebê. E descobrindo uma forma de trabalhar menos. (risos)

Muitas pessoas comentam que uma das coisas mais fora da realidade da série é o tempo que as quatro gastam juntas. (risos) Você concorda com isso?

Acho que é verdade! Elas são mulheres superpoderosas. Como elas conseguem tanto tempo para ficarem juntas? No filme, acho que conseguimos dar uma equilibrada melhor. Mas sempre tem algo extraordinário para juntá-las, como uma viagem para o México ou um casamento.

E vocês se vêem com freqüência quando não estão filmado?

Não muito. Mas trocamos e-mails o tempo todo!

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