Ok, não espere muito sobre o processo e técnicas de atuação e os bastidores da produção cinematográfica (ou qualquer coisa que as pessoas tenham interesse de saber de um ator hoje em dia), desta entrevista com Will Ferrell (Mais estranho que a ficção, Ricky Bobby - A Toda Velocidade) e Jon Heder (Napoleon Dynamite, Escola de idiotas). Melhor entrar no clima da comédia Escorregando para a Glória e esperar apenas diversão pura e simples do artigo! Afinal, Heder e Ferrell não fazem a menor questão de falar sério!
Ok, vamos falar da proximidade pélvica que vocês partilharam. Vocês tiveram que determinar algum limite?
Jon Heder: O contrato dizia "pelo menos 2 centímetros"
Will Ferrell: Eu tenho um mandado de segurança contra o saco dele. Nah, vamos falar a verdade.
JH: Tudo aquilo é efeito especial.
WF: Sim, foi um dublê de saco. Nunca nos encostamos.
JH: É. A perna de cima é falsa. É de outra pessoa.
WF: Ah, sério?
JH: Não lembra?
WF: É a magia do cinema.
Pelo menos teve a pegação no peito da Jenna Fischer.
WF: Ah, sim. A pegação no peito. Eu me concentrei e fui. Oitenta takes depois eu consegui acertar.
Vocês já se conheciam? A camaradagem aconteceu de cara?
WF: Foi instantâneo, não foi?
JH: Foi. Nos conhecemos numa sessão de treino no gelo.
WF: É mesmo.
JH: Estávamos apavorados.
WF: É. Foi no estacionamento do Ringue de Patinação Pickwick em Burbank [Los Angeles]. Foi mais ou menos assim, "ei, bom te conhecer", "você também", "acho que será divertido", "mas vai ser difícil, né?", "você já sabe patinar?", "não", "eu também não", "ok, nos vemos lá dentro". Ahahaha, foi essa a conversa.
JH: E eu perguntei "vou ter que te erguer?"
WF: "Não, eu acho que eu vou te erguer"
Agora que vocês aprenderam a patinar, quem gostou e quem não gostou?
JH: Eu adorei.
WF: Ele adorou. Eu não odiei.
JH: Ele não odeia coisa alguma.
WF: Mas, é, eu não patinei desde o fim das filmagens. Mas quer saber? ele só patinou uma vez desde então.
JH: Mas isso porque ando muito ocupado.
WF: Ele é um falastrão. Fica por aí dizendo "vou patinar o tempo todo"
JH: Eu vou! Ahahaha. Quero virar semi-profissional.
Will, conte-nos algo sobre Jon que não sabemos. E Jon, você pode fazer o mesmo?
WF: Jon tem um irmão gêmeo. Sabia?
Sim
WF: Oh, porcaria. Ahahahaha.
JH: Todo mundo sabe essa.
WF: Bom, o irmão dele é bem malvado. Jon é bonzinho, mas aquele cara -- ele me assusta.
JH: Ele é o irmão malvado.
WF: Ele ia ao set e nem falava comigo. Só ficava do outro lado da sala dando gargalhadas malignas. E eu "que diabo?" e o Jon me dizia "ele é meu irmão gêmeo maligno, não se preocupe"
JH: Quando a Will, a barba dele não cresce. Foi tudo pro peito.
WF: É.
JH: É sério. Ele nunca precisa se barbear.
WF: Por alguma razão, todos os meus folículos de barba estão sobre meu peito. Então tenho uma barba peitoral. Então faço a barba ali.
Falando em barba peitoral, quando você recebe um roteiro vai de cara procurar a cena em que tira a roupa?
WF: Na verdade eu sempre espero que ela não exista. Mas nesse teve uma parte bem engraçada, aquela das tatuagens, em que revelo umas histórias estúpidas através das tattoos. E aquelas tatuagens falsas são o máximo. E acho um barato o personagem do Jon ficar fascinado com elas, sem a menor preocupação de que está do lado de um cara bizarro e semi-nu.
JH: E aí Chazz faz a tatuagem do Jimmy.
Você ficou tentado a manter aquela por um tempo?
WF: Eu mantive. Era engraçadíssima. As tatuagens falsas são realistas e duram uns bons dias. Então esquecia delas. Mas num fim de semana minha esposa as viu e ficou enojada. Quis saber o que eram. E eu "é um lobo, sou o lobo solitário"
Então, vamos às comparações: roupa de duende ou colante de patinador?
WF: Eram bem parecidas. As roupas de duende eram bem apertadas e funcionais. Eu gostava de usá-las porque eram quentinhas e fazia frio no set. Já os colantes eu gostava de usar por outros motivos- porque eram engraçados.
JH: Era difícil vestir. Mas você não teve que usar um cinto de dança em Um Duende em Nova York, né?
WF: Sim, eu usei.
JH: Sério?
WF: Sim, eu já tinha experimentado um.
JH: Então ele estava sendo condescendente comigo, comentando como tudo aqui era constrangedor. Ele, na verdade, estava acostumado!
WF: Não quis que você se sentisse excluído.
Você levou na boa a idéia de ter penas saindo do seu traseiro na roupa de pavão?
JH: Eu me lembro de ter ficado meio reticente quando vi o desenho, mas as penas eram tão leves que não me incomodaram.
Vocês deram opiniões nas suas roupinhas?
WF: Um pouco, sim. Julie Weiss, a figurinista, é um gênio do mal. Para as roupas normais ela pedia opiniões, achava umas podreiras por aí, mas para as roupas de patinação ela desenhou tudo. Vivia me dizendo coisas como "você você como um cruzamento entre Steven Tyler e..." uns outros caras.
JH: A roupa de pavão foi meio que uma idéia minha - porque vi em algum clipe de patinação. Na verdade era um cisne. E eu pedi a ela pra fazer algo parecido, mas como um pavão. Ficou incrível!
WF: Fiquei invejoso quando vi a roupinha de pavão dele... eu era apenas fogo.
JH: Ah, mas você disparava fogo das mãos, o que era bem legal.
E como foi aquela perseguição em terra firme?
WF: Foi difícil pacas. Foram os dois primeiros dias de filmagens e eu nem sabia ficar em pé nos patins.
JH: Era um patim de cerdade?
WF: Era de madeira, pintado como metal. Mas era difícil ficar sobre eles. E foi o começo de filmagens mais insano de que já participei. Fiquei moído, mas foi engraçado.
Voltando aos personagens, quão importantes eram os cabelos deles?
JH: Eu adorei os cabelos. São muito importantes.
WF: Idem.
Eles ajudaram a entrar na essência dos personangens?
JH: Todo o visual, incluindo o figurino, é essencial, mas o cabelo é o mais importante. Basicamente é a moldura para os seus olhos - que já a janela da alma, como dizem.
WF: Acho que vou chorar.
JH: Eu sempre adorei zoar meu próprio cabelo. Quanto mais, melhor. Não gosto de perucas. Se for por causa de cronograma, tudo bem, mas é sempre mais divertido mexer com ele de verdade. Ajuda.
WF: Além disso, poucas pessoas no mundo têm empregos que pagam para você usar um cabelo bizarro.
E como foi aquela ótima cena de beijo com Jenna?
JH: O roteiro a descrevia como simples e inocente. Mas estávamos conversando sobre nossos personagens, e como eles não tinham qualquer experiência com o sexo oposto. Então, quando fomos fazê-la, imaginamos que nenhum dos dois saberia direito o que fazer - e inventamos aquele beijo mais embaraçoso de todos os tempos. Jimmy beija como aprendeu vendo nos clipes do Backstreet Boys. Foi muito estranho. Em alguns takes ela até inventou uns sons...
Foi difícil patinar na frente de platéia?
JH: No começo fiquei bem nervoso. Agora já me acostumei. Estou acostumado com as câmeras, com a equipe, mas daquela vez tinham extras demais... eu sabia nossa coreografia, mas quando é pra valer é fogo...
WF: Você não quer arruinar a cena. Nós trabalhamos com uma coreógrafa profissional chamada Sarah Kawahara - que deixa até os patinadores premiados tremendo. Ela faz todos os Disney on Ice, tudo. Além dela, havia outros - e sempre que achávamos que estávamos arrasando, a cara deles era de que "melhoramos". Foi intenso.
JH: Mas, obviamente, tínhamos dublês para os saltos mais legais e as piruetas elaboradas.
Usaram arame?
JH: Um pouco, sim. Aqueles vôos...
WF: Eu voei no final.
JH: Ali teve arame.
WF: Foi insano. Estávamos no ar, em frente a toda aquela gente - e pensando - "tomara que esses arames não arrebentem".
Amy Poehler [companheira de elenco da dupla e de Ferrell no Saturday Night Live, entra na sala]: Falem baixo vocês dois! Tem gente tentando pensar aqui fora!
WF: Você é só uma caipira estúpida!
AP: Filho da puta! [sai da sala].
E dessa maneira completamente inusitada, termina a entrevista de Jon Heder e Will Ferrell...
O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.
Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.









