Arthur Christmas
EUA, Reino Unido
, 2011
- 97 min.
Animação /
Infantil
Direção:
Sarah Smith, Barry Cook
Roteiro:
Peter Baynham, Sarah Smith
Elenco:
James McAvoy, Jim Broadbent, Hugh Laurie, Bill Nighy, Imelda Staunton, Ashley Jensen, Ramona Marquez
Quem gosta de animações stop motion conhece (ou deveria conhecer) o estúdio inglês Aardman, casa de A Fuga das Galinhas, a série Creature Comforts e, principalmente, Wallace & Gromit. Seu último longa-metragem no cinema, porém, não foi feito com bonecos animados e - coincidência ou não - também não foi um sucesso de público. Apesar das críticas positivas, o divertido Por Água Abaixo (Flushed Away) fez "apenas" 64 milhões de dólares nas bilheterias dos Estados Unidos, menos da metado do seu custo de produção, estimado em 150 milhões.
O fracasso comercial levou a DreamWorks Animation a cancelar o contrato com a Aardman. Mas, como todo "bom partido", eles ficaram pouco tempo disponíveis no mercado. Logo a Sony Pictures foi lá e fechou um novo acordo. Desta vez, porém, parece que foram os ingleses que escreveram as regras. Depois de reclamarem publicamente do excesso de "pitacos" da DreamWorks em seus projetos, a Aardman manteve o seu controle criativo e a Sony fica com a opção de olhar um projeto e decidir se vai ou não querer lançá-lo nos cinemas. No caso de Operação Presente (Arthur Christmas, 2011), o veredito foi positivo - e acertado!
Na história, Arthur é o filho do Papai Noel. Não "o" Papai Noel, mas o vigésimo de uma longa linhagem, que já está há mil anos distribuindo presentes para as crianças. Mas se há dez séculos a população do planeta estava na casa dos 275 milhões, recentemente batemos 7 bilhões de pessoas! Com tamanho aumento demográfico, o trenó com renas se tornou coisa do passado. O Papai Noel atual usa a moderníssima S-1, uma nave com 1,87 km de largura, 3,35 km de comprimento, que viaja a 10.368 km/h e tem capacidade para mais de 1 milhão de elfos e cinco pessoas da família Noel: Vovô (aposentado e rabugento), Papai (já nos seus últimos dias), Mamãe (ótima cozinheira, apaziguadora de ânimos e viciada em internet), Steve (o sucessor óbvio da roupa vermelha e diretor de tecnologia e logística de toda a operação) e Arthur (o desajeitado caçula).
Como o título original (O Natal de Arthur) já deixa bem claro, é este Noel mais novo que vai desencadear a história toda. Após o fim do que seria mais uma noite perfeita, descobre-se que uma menina que mora na Cornualha, região sudoeste da Inglaterra, não recebeu a sua bicicleta e deixará de acreditar na magia do Natal. Arthur decide, então, ir ele mesmo entregar o pacote. Mas não sozinho. Pronto para mostrar para os mais novos como se fazia no seu tempo, Vovô Noel tira as teias de seu antigo trenó e vai junto. Quem também embarca na aventura é uma elfa especialista em embrulhos. Resta saber se vai dar tempo...
Toda a pesquisa e contexto tecnológicos mostrados acima foram pensados de verdade e demonstram o grau de comprometimento da equipe para deixar tudo o mais próximo possível da realidade, respondendo à pergunta "como é que o Papai Noel consegue entregar todos os presentes na noite de Natal?". Estamos falando da criação de todo um universo fantástico, que nada deve a um Monstros S.A., por exemplo.
Fora isso, a animação foi desenvolvida em computação gráfica e não nas massinhas que tornaram a Aardman famosa - e desta vez ainda com o agravante do 3D. Mas isso é só um detalhe puramente técnico. O que importa, mais uma vez, não é a forma onde o bolo todo foi feito, mas sim a sua receita e os ingredientes. E nisso, a Aardman continua impecável.
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