Assista Agora

Crítica: Orgulho e Preconceito

Orgulho e Preconceito

Marcelo Forlani
09 de Fevereiro de 2006

Orgulho e Preconceito

Orgulho e Preconceito

Pride & Prejudice
Reino Unido , 2005 - 127 min.
Romance

Direção:
Joe Wright

Roteiro:
Deborah Moggach baseado em livro de Jane Austen

Elenco:
Keira Knightley, Matthew MacFadyen, Brenda Blethyn, Donald Sutherland, Tom Hollander, Rosamund Pike, Jena Malone, Judi Dench

Ótimo
Orgulho e Preconceito
Orgulho e Preconceito
Orgulho e Preconceito

Uma das mais conhecidas comédias românticas dos últimos anos, O diário de Bridget Jones (2001) presta uma homenagem dupla a uma obra muito maior: o romance Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice), de Jane Austen. Primeiro quando a escritora Helen Fielding decide batizar de Mark Darcy o seu "homem ideal", em referência ao Sr. Darcy, personagem do clássico livro e que recentemente foi eleito pelas mulheres britânicas o par perfeito para um encontro, deixando para trás James Bond e o Super-Homem. E depois quando a diretora Sharon Maguire escolhe Colin Firth para interpretar o personagem, brincando com o fato de que Firth viu sua carreira deslanchar quando deu vida ao Sr. Darcy na minissérie televisiva Orgulho e Preconceito, em 1995.

Se ainda não entendeu a importância da obra para os ingleses, basta dizer que os súditos da Rainha elegeram Orgulho e Preconceito o segundo livro mais importante de sua literatura, atrás apenas de O Senhor dos Anéis.

Se ainda não entendeu a importância da obra para as comédias românticas, basta dizer que no fim do século 18, Austen criou a história de uma jovem inteligente, sincera e teimosa que conhece um homem aparentemente inacessível, vê o relacionamento entre os dois passar por problemas que separariam qualquer casal para sempre e termina tudo com declarações de amor eterno.

Nem comédia romântica, nem drama de época

Esta adaptação que surge agora pelas mãos de Joe Wright, estreante no cinema, nada tem a ver com os filmes de meg ryans e hugh grants. Os cenários bucólicos, as incessantes reverências e a linguagem mais pomposa retratam a época em que o livro foi escrito. Dias em que o primeiro trabalho de uma mulher era arranjar um marido rico e assim não precisar trabalhar mais. Um período em que casamentos eram arranjados com bebês ainda nos seus berços.

Sem homem algum em casa além do seu marido, a Sra. Bennet (Brenda Blethyn) está desesperada para ver suas cinco filhas casadas e seguras. As meninas, por sua vez, sabem da importância de conseguir um marido que lhes garanta um lar, pois quando seu já velho pai (Donald Sutherland) falecer, as mulheres não terão direito aos seus bens, que serão todos herdados por um primo distante, Sr. Collins (Tom Hollander).

Por isso, a chegada do solteiro Sr. Bingley (Simon Woods) à região causa alvoroço na família. No baile de apresentação, ele não demora para se encantar pela mais velha das Bennets, Jane (Rosamund Pike). Enquanto as três mais novas pulam e dançam de um lado para o outro, Elizabeth (Keira Kightley) tenta - em vão - puxar conversa com o amigo do Sr. Bigley, o sério Sr. Darcy (Matthew Macfadyen).

A forma como o aristocrático Sr. Darcy rejeita Elizabeth e toda aquela experiência no meio do "povo" é uma das características da obra de Austen, que mostra a barreira de castas, geralmente caricaturizando membros das classes altas e dando aos menos abastados a missão de fazê-los descer dos seus pedestais, humanizá-los.

Não imagine, porém, um parado drama de época. Orgulho e preconceito tem elementos cômicos e ótimo ritmo de narração, com os personagens sendo construídos ao longo da história. Em uma das mais belas passagens, o baile no palacete dos Bingley, a câmera passa por vários aposentos, acompanhando diversos personagens. Ótima também é a cena de dança entre Elizabeth e Darcy, quando as trocas de olhares e concentração dos dois "esvazia" o salão.

Suspiros no cinema

Se as mulheres suspirarão com Sr. Darcy, os maridos, namorados e acompanhantes também não terão muito do que reclamar. A ex-bond girl Rosamund Pike está muito bem fotografada e Keira Knightley enfim prova que não é apenas a "it girl" (ou garota da vez), como dizem os norte-americanos. Muito mais charmosa do que realmente bonita, a inglesa conseguiu com este filme sua primeira indicação ao Oscar. Há um certo exagero aqui, mas como todos sabemos que a Academia não premia apenas a atuação, mas também a popularidade, Knightley não deixa de ter os seus méritos.

A versão exibida no Brasil, com 127 minutos, segue o puritanismo do livro e não contém uma cena que nossas mulheres modernas (mas ainda bastante românticas) adorariam ver. Para não correr o risco de perder audiência no importante (leia "rico") mercado norte-americano, que não aceitaria um final tão "europeu", foi exibido nos cinemas do Canadá e Estados Unidos uma versão 8 minutos mais longa e com um final, digamos, mais açucarado, algo que os fãs de Austen condenam.

Pequenas polêmicas à parte, Orgulho e Preconceito tem ainda um trunfo final: consegue deixar o espectador com vontade de sair da sala e ler o livro. Quantas outras adaptações têm este poder?


Compartilhar

Comentários (10)

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

sem avatar Thays (17/10/2011 11:37:00)   1 1
Esse filme é perfeito, tanto que eu já comprei o livro pela internet, não vejo a hora de chegar!



sem avatar Bruna (14/10/2011 18:40:17)   1 0
Eu amei o Filme, e por causa do filme eu li o livro, achei o Matthew lindo como Sr. Darcy, eu não vi as outras adptações e não posso falar se há um melhor Sr. Darcy ou Elizabeth Bennet, mas pelo menos eu gostei do personagem do Sr. Darcy



sem avatar bianca (06/09/2011 11:17:43)   1 1
E foi exatamente o que eu fiz depois de ver esse filme.... comprei o livro, que é infinitamente melhor, apesar de o filme ser muito bom....



sem avatar Alline (12/03/2011 13:38:53)   2 2
Melhor adaptação de Algum livro de Jane Austen! Eh um filme simplesmente encantador. Naum poderia pensar em um Elizabeth e Mr. Darcy tão perfeitos como Keyra e Matthew.



sem avatar AdrianoL. (15/02/2011 19:13:10)   -1 0
Valdeci

Que "crítica" é essa a sua que conta todo o enredo: início, meio e fim, inclusive com os pontos de reviravolta?

Seu texto é um spoiler só!

Se liga!


sem avatar giovanna (30/08/2011 11:44:17)   5 1
concordo totalmente, sóteve critica no ultimo paragrafo. em vez de fazer a critica ela contou toda a hitória e falou de cada personagem, de passagens do filme, e depois de cada ator, e eu fiquei esperando a critica e ela NÃO VEIO!!!


sem avatar Valdeci (30/10/2010 16:13:22)   2 0
Para escrever este comentário sobre o filme Orgulho e Preconceito com direção de Joe Wright fui buscar na Internet informações sobre o livro homônimo da escritora britânica Jane Austen uma vez que não tive o prazer de ler a obra. Faltava-me idéia para começar este texto. Então encontrei a seguinte preciosidade:

“A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós”.

Seria simplista demais dizer que o texto acima resume bem o tema tratado no filme Orgulho e Preconceito, mas na falta de outro melhor este vem a calhar. Até porque, como já disse anteriormente, não li o livro e, com certeza, outras passagens literárias mereceriam destaque neste meu comentário. Feito este preâmbulo (que já se estende em demasia) vamos ao que interessa já que vamos falar da obra cinematográfica e não literária que como se sabe, são linguagens diferentes.
A Sra. Bennet está desesperada para ver suas cinco filhas casadas e seguras uma vez que seu marido já está com o pé na cova. Como a família é constituída de cinco meninas a herança da família, por tradição, irá para William Collins primo das garotas. Para evitar que a herança da família vá para o jovem a matriarca da família tem chiliques e ataques de nervos só de pensar em perder o pouco que tem e deixar suas filhas desamparadas. Sua vida se resume em encontrar marido para as cinco filhas. Com a chegada de Charles Bingley e seu fiel amigo Fitzwilliam Darcy à região, a mulherada entra em alvoroço pronto para fisgar um dos cavalheiros (ou ambos). Em um baile público a família Bennet é apresentada aos jovens sendo que Bingley cai de amores por Jane Bennet (com 22 anos e a mais velha das irmãs) e Darcy não vê com bons olhos esta aproximação já que se trata de família camponesa e pobre. Aliás, Darcy desdém abertamente de Elizabeth (de 20 anos e a segunda filha dos Bennet) que, ferida em seu íntimo, trata-o como um ser desprezível, arrogante e orgulhoso.

Com o passar do tempo a relação dos Bennet com os jovens cavalheiros vai tomando outro rumo. Bingley é orientado por seu amigo a separar-se de Jane e Darcy por sua vez vai percebendo que Elizabeth é uma moça inteligente, perspicaz, astuta e sem papas na língua. Ao ficar sabendo destas articulações para separar sua irmã de seu amado Bingley Elizabeth acaba se aproximando de um jovem soldado que lhe conta o passado do frio e articulista Darcy. Apesar de seu orgulho e preconceito em relação aos Bennet, Darcy acaba se aproximando da jovem Elizabeth e o amor acontece inexoravelmente. Chega-lhe, inclusive a pedir em casamento, mas é prontamente recusado por ser considerado culpado pela separação da irmã e por ser um sujeito deveras preconceituoso e pedante. Nestes encontros e desencontros do destino, Elizabeth e Darcy finalmente encontram razões sentimentais para deixarem de lutar um contra o outro e acabam aceitando suas diferenças e o amor (sempre ele) acaba por romper barreiras sociais, culturais e econômicas.

O filme é repleto de cenários arquitetônicos fabulosos, figurinos impecáveis e reconstituição de época de encantar quem, como eu, curte e o ambiente do século dezoito. Os bailes de gala são ricamente detalhados e aquele bailado todo com aquela música é de emocionar a qualquer um. Uma das cenas incríveis é o momento em que Elizabeth e Darcy estão a dançar no meio daquela gente toda e, por um milagre que só o amor é capaz de produzir, de repente estão sozinhos no salão como a simbolizar que o amor focaliza só o amado e mais ninguém importa. Confesso que não gostei muito da escolha de Keira Knightley vivendo a personagem instigante, perspicaz e sincera Elizabeth Bennet. Mas ela não compromete de todo e seu desempenho. Por outro lado, Matthew Macfadyen está fantástico na pele do orgulhoso Darcy. Mas o grande barato mesmo foi assistir a interpretação de Brenda Blethyn como a afetada, nervosa e cheia de chiliques Sra. Bennet. Ah sim, antes que eu me esqueça devo citar a participação de Judi Dench como a aristocrata dominadora Catherine de Bourgh. Pena que sua participação é pequena, mas essencial para o desenrolar da trama.
Para quem curte um filme romântico com toques de ironia, cinismo, olhares de milhares de interpretações vale a pena assistir. Uma crítica cruel ao estilo de vida daquela época, mas através de uma perspectiva de que é possível superar orgulhos e preconceitos. O duelo entre o amor e o orgulho; a luta entre o desejo e o preconceito são elementos importantes retratados nesta obra. O amor não vive de aparências, não se alimenta de orgulho e, sem sombra de dúvida, não sobrevive neste círculo de vaidades.

meu blog: http://maisde140caracteres.wordpress.com


sem avatar Bruna (14/10/2011 18:47:03)   1 1
Valdeci esse trecho que vc colocou é do próprio livro


sem avatar Capitão Obviedade (23/07/2010 12:48:14)   -10 0
Prefiro Orgulho e Preconceito com zumbis



sem avatar Elessandra (06/05/2010 17:53:05)   1 1
Realmente, esse foi uma entre outras tantas criações de Jane Austen com uma história estupenda. Bem escrita, com um humor, um sarcasmo, ironia, que prende os leitores até a última página do livro, e com esperanças da história nunca acabar. O bom de se ler um livro é isso. Você ler e se imaginar na história, imaginar o que acontece com as suas próprias idéias. No entanto isso tem um lado ruim. Pois quando lançam o filme de um determinado livro sempre esperamos que as cenas seja fiél ao livro, mas o que acontece é que os filmes são apenas baseados nos livros. Uma história inteligente, que nos permite imaginar como era viver nessa época, onde as mulheres não podiam recusar um pedido de casamento. O filme também é muito bom, com grandes e ótimos atores ingleses. A ironia dos atores,dão uma pitada a mais no fime. Enfim o filme é bom, mais o livro é melhor ainda.




Cinema

Os filmes em cartaz, a programação das salas de cinema, bilheterias, trailers, criticas de filmes, cartazes, entrevistas com astros e as novidades de Hollywood.

Séries e TV

As séries de televisão dos EUA, minisséries, os destaques da TV e as novidades na programação.

Música

Os shows que vem por aí no Brasil, os lançamentos musicais, novos álbuns e música grátis para download.

Games

Os novos games, críticas de jogos, trailers, imagens e mais novidades do mundo dos videogames.

Quadrinhos

As novidades das histórias em quadrinhos no Brasil e no mundo, previews de HQs e críticas de lançamentos nas bancas e livrarias.