O quarto filme da série Piratas do Caribe foi filmado em quatro lugares diferentes: Havaí, Los Angeles, Porto Rico e Londres. Foi justamente na capital inglesa, mais especificamente nos lendários estúdios Pinewood, que o Omelete - representado pelos nossos parceiros do Collider - teve a chance de conversar com Johnny Depp e Jerry Bruckheimer, respectivamente o protagonista da série e o grande produtor por trás de tudo.
No bate-papo, bastante rápido devido ao apertado dia-a-dia das filmagens, descobrimos um pouco mais sobre o projeto, falamos sobre a escolha por filmar em 3D, o novo diretor (Rob Marshall), como foram escolhidos quais personagens voltariam e a liberdade de criar no set.
Jerry, o que te motivou a fazer o filme em 3D?
Jerry Bruckheimer: O 3D é um tipo de filmagem bem imersiva que acaba te transformando em parte das filmagens por você ser parte da tela. Traz tudo para mais perto. Somos bem aventureiros e decidimos que queríamos ser o primeiro grande filme rodado fora de um estúdio a fazer isso. Avatar foi todo feito em estúdio. Somos o primeiro grande filme de aventura que será lançado em 3D filmado com câmeras 3D.
Você chegou a considerar o processo de conversão pós-filmagem?
JB: Não, nunca foi considerado. Inicialmente, tínhamos separado uma maior parte do nosso orçamento para conversão, mas quando começamos a rodar o filme, vimos que aquilo não seria necessário. Temos pouquíssimas cenas que foram convertidas. Tem uma sequência, a primeira que fizemos, em uma praia que não dava pra chegar por terra, então todos tiveram que ir ou de helicóptero ou de barco. Como não dava pra levar as câmeras 3D, que são imensas, filmamos isso em 2D e vamos convertê-la.
Johnny, como você fez o Capitão Jack Sparrow dessa vez? Vamos ver algum novo aspecto dele?
Johnny Depp: Bem, teve uma troca de sexo. [risos]
Spoiler alert!
JD: Eu honestamente penso que essa coisa toda de personagem, arco do personagem, ele se encontrar - eu realmente acho que Jack já se encontrou há muito tempo. Não acho que ele tenha mais para onde se desenvolver, ele já estancou.
Jerry, além do Capitão Jack, houve alguma discussão sobre quais personagens voltariam ou não? Alguma decisão sobre os personagens secundários que vocês trariam de volta nesse filme?
JB: Sim, sempre consideramos alguns personagens para trazer de volta. Dessa vez, tentamos manter a história mais simples e não ter tantos personagens. Percebemos isso enquanto editávamos o terceiro filme - pois tínhamos muitos personagens e muitas histórias pessoais diferentes para amarrar. Foi por isso que aquele foi um filme um pouco mais longo do que realmente queríamos que fosse. Então aprendemos com esse erro e não trouxemos tantos personagens para esse filme, facilitanto nossos trabalhos.
Mas por exemplo o Capitão Barbossa - ele sempre esteve cotado para ser parte da nova história?
JB: Eu, Ted [Elliott], Terry [Rossio] trabalhamos da seguinte forma; escrevemos coisas aleatórias que queremos ver no filme e colocamos tudo em um grande quadro. Barbossa era um dos que sempre aparecia no quadro. Geoffrey [Rush] é um ótimo ator e sempre quisemos tê-lo de volta. As decisões são tomadas dessa forma.
Por que a escolha de Rob Marshall para a direção?
JB: Ele é um diretor de primeira e gosto muito de seu histórico. Todo filme que ele já fez eu achei único e diferente. Chicago foi indicado e ganhou um monte de Oscars. Os atores o amam, eles fazem qualquer coisa por ele. É ótimo ter atores que querem trabalhar o diretor. Mas foi unânime. Quando se tem um grande grupo de mulheres em um filme, tudo se torna um pouco mais interessante. Ele sabe lidar com elas maravilhosamente bem. Convencer a Penelope [Cruz] de participar do filme foi bem mais fácil com ele na direção - esse é um filme diferente de tudo o que ela já fez antes. Ela tinha acabado de fazer Nine com ele, então foi bem mais fácil.
Johnny, você está gostando de trabalhar com Rob Marshall? Ele é muito diferente?
JD: Sim, é muito agradável. Todo cineasta é diferente, tem uma abordagem diferente. Ele é um cara incrível, muito gentil e colaborativo, sempre com ideias fantásticas. Ele tem uma ótima visão da história em si e do formato do filme. Ele é ótimo. Enquanto alguns cineastas já têm exatamente aquilo que querem fazer com o filme em suas mentes, eu não tive essa sensação com Rob. O que eu senti foi que ele meio que ouvia tudo como se fosse uma música, tudo era ritmado. Ele conhece o tempo das músicas, coisa que acabou se transferindo para a parte visual. Foi uma experiência incrível. Além do timming que ele tem com a coreografia, ele tem um senso cômico impecável. Ele nos fazia mudar detalhes mínimos e toda a dinâmica da cena acabava mudando.
Como foi trabalhar com Penelope [Cruz]? Ela te ensinou alguma coisa em espanhol?
JD: Ela é ótima. Já tínhamos feito um filme juntos há uns 10, 11 anos, intitulado Profissão de Risco, que foi incrível. O mais estranho é que quando nos encontramos novamente, parecia que tínhamos acabado de filmar Profissão de Risco na semana anterior. Temos uma ótima química. Dá pra trabalhar muito com improvisação, ela percebe muito bem o que você está fazendo e te devolve uma fala pior da que você mandou. É bem estimulante, gosto muito dela, é uma das minhas melhores amigas, então foi ótimo trabalhar com ela novamente.
Os atores puderam dar opiniões na história?
JB: Com certeza.
De que maneira?
JB: Nós criávamos uma fala para seu personagem e o chamávamos para ver a história. Algumas vezes, ele dizia que não tinha certeza daquilo para Jack e sugeria algo novo para tentarmos. Meio que foi ele que criou o personagem Philip, foi ideia dele fazê-lo um missionário. Ele tem algumas ideias bem interessantes como essa.
JD: Foi basicamente uma grande colaboração, as pessoas tinham ideias e se dava certo, muito bem. Eles foram bem receptivos e aceitaram muitas das ideias e sugestões, queriam manter o filme uma novidade, diferente, e não apenas mais uma sequência. Mas apenas o fato de poder tentar já foi ótimo.
É comum uma grande estrela de cinema vir e dar tantas boas ideias? Todos estão falando como esse roteiro ficou bom.
JB: Quando se tem atores inteligentes, acho que parte da graça é trabalhar com eles dessa forma. A maioria deles tem boas ideias para seus personagens. Sempre tive muita sorte, a maioria dos atores com quem trabalhei tem ótimas ideias e me ajudou muito. O mais incrível de tudo é que Terry e Ted acabam ficando com todo o crédito, o que é ótimo para eles. Eles são bem receptivos em aceitar ideias alheias porque eles sabem que os nomes que serão impressos no roteiro é o deles. Então eles pegam as ideias do Johnny, se forem boas, e as discutem.
Johnny, é importante para você que as cenas de ação sejam feitas por você mesmo?
JD: Sim, porque há uma certa linguagem física do personagem que eu considero ser de grande importância. Mesmo que Chris [Leps, dublê de Johnny Depp] tenha conseguido acertar na ciência do personagem, ainda existem momentos que é bom ver a cabeça do Capitão Jack ali.
Você se vê continuando esse papel por décadas?
JD: Sim. Eles vão me empurrar numa cadeira de rodas. Meus dreads vão enrolar nas rodas da cadeira. [risos] Eu não sei. Para mim, um personagem como Capitão Jack poderia continuar por um bom tempo. As possibilidades são infinitas.
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