Alice Braga apareceu em Cidade de Deus e logo de cara apagou o estigma de ser apenas a sobrinha de Sônia Braga. Não demorou para engatar mais e mais trabalhos, alguns deles fora do país, como Eu Sou a Lenda, Cinturão Vermelhoe a refilmagem de Repo Men, que ainda está inédita no Brasil. Mas nenhum desses projetos consegue igualar o status de participar de uma grande franquia hollywoodiana, como ela está fazendo agora ao ser a única mulher no elenco de Predadores.
Na entrevista cedida durante a visita ao set, em Austin, Texas, ela falou das dificuldades que descobriu na vida de um sniper, do final alternativo do seu filme com Will Smith e de enfrentar os Super Predadores. Veja como foi:
Fale um pouco de sua personagem no filme?
Eu interpreto uma personagem chamada Isabelle. Ela é uma sniper e posso dizer que ela não é fácil. Posso dizer que ela é doce por dentro mas forte por fora para poder fazer muito bem o seu trabalho. É engraçado Nimrod (Antal), o diretor do filme, me deu um pequeno livro que fala sobre snipers. É um tipo de manual que os snipers usam no exército, e fala muito sobre como eles se preparam e quais são as qualidades que um sniper deve ter e uma das qualidades é ser muito focado e você não pode ser emotivo. Você deve ser bem assim, não pode tirar emoções de seu trabalho. Você não pode olhar para os outros assim... Você precisa pensar sobre o alvo, e só. Então é difícil dizer algumas coisas porque algumas coisas específicas sobre o sniper, algumas informações que se pode extrair, falam muito sobre como o sniper é, e é assim que ela é. Ao mesmo tempo, ela é uma mulher forte. Então, tentando equilibrar a sua carreira e sua personalidade seria isso.
Você pode falar um pouco como é ser a única personagem feminina neste excelente elenco? E, sendo a única mulher, o que você adciona ao elenco durante as filmagens?
É maravilhoso. É realmente legal. Não, eu estou brincando. É muito legal porque são apenas oito personagens e minha personagem é bem divertida. É aquela que sempre tenta unir a todos e parar com as brigas dizendo que precisamos ser fortes e que ao invés de lutar sozinhos contra as criaturas, devemos lutar juntos pois assim seremos mais fortes. É interessante porque os meninos - eu chamo eles assim de "meus meninos" - eles são maravilhosos comigo. Eles me protegem e criamos coisas juntos. Às vezes eu penso não queria que fosse assim... eu preciso de meninas à minha volta porque eu me vejo falando de carros e mulheres então eu preciso de garotas ao meu redor. Mas é realmente maravilhoso. Como atriz tem sido uma grande experiência. Eu fiz filmes diferentes, como Cidade de Deus, que tinha muitos garotos também. Então, está sendo bem legal. É engraçado, como é muito interessante que também não há muitas mulheres na produção. No Havaí tinha menos ainda. Havia apenas eu e a supervisora de roteiro. E aqui ainda somos poucas. É engraçado. Eu estou amando cada segundo. Criamos uma unidade que é realmente forte e eu acho que pelos atores que temos penso que conseguimos a unidade necessária.
Há algum momento romântico no filme?
Quem sabe? (risos) Vou deixar isso para você pensar.
Depois de Eu Sou a Lenda você está acostumada a correr de criaturas, lutar e trabalhar com elas?
Eu aprendi muito, eu preciso dizer que neste filme, como vocês podem ver, as criaturas estão caracterizadas de uma forma muito diferente de Eu Sou A Lenda. Os Predadores que temos aqui deixam aqueles zumbis parecendo Teletubbies. Só de olhar para as fotos você já vê como os figurinos daqui são interessantes. Essa é a diferença, mas é muito interessante ver este contraste. Acho que Eu Sou a Lenda tinha uma qualidade diferente como um drama porque foi algo que aconteceu com toda a sociedade e nossos sentimentos humanos se transformaram em outra coisa , eu acho. Foi uma coisa muito interessante para mim e o Will (Smith) trabalharmos. Muito diferente deste. É um mundo diferente, sabe, com criaturas que devemos fugir. Mas definitivamente eu aprendi muito e trouxe algumas coisas comigo, com certeza.
Ainda sobre Eu Sou A Lenda, o filme tem dois finais.
Sim.
Você tem algum final preferido ou gosta dos dois?
É engraçado porque filmamos um e só muito tempo depois o outro. E é um daqueles casos que deixa o filme muito diferente. E quando vimos de novo notamos que é muito poético pensar que ele morre. É difícil escolher um. Eu me diverti muito filmando o primeiro e filmamos aquilo por conta do grande significado que tinha o monstro. Tinha a ver com o personagem de Neville porque ele estava tentando dar vida à criatura. Então, é muito difícil escolher um. Eu entendo porque eles escolheram aquele que ele morre, mas eu ouvi de muitos fãs que eles preferem o final original, que eles puderam ver na internet. É muito difícil para mim escolher um. Eu gosto dos dois. Eu acho que o original dá uma percepção diferente para o personagem de Neville. A realização como um ser humano, eu acho. Mas morrer como herói é mais interessante para os filmes.
Voltando agora a Predadores, você faz uma sniper, logo, precisa de uma arma para ser letal, ao contrário dos outros homens, que podem tentar lutar de alguma forma. Então, você acha que a sua personagem tem algum tipo de desvantagem neste planeta se ela não tivesse a arma com ela?
Eu tenho minha arma o tempo todo. É uma arma de calibre 14 no filme inteiro. Eu me sinto muito forte.
Então os predadores te obrigam a isso?
Sim porque começamos o filme cada um com sua própria arma e acessórios e a partir daí a história se desenvolve, mas cada um de nós tem uma característica própria do personagem, então sou sortuda o bastante de ter a arma. É engraçado porque normalmente o sniper seria um cara mas o que eu gostei foi eles terem colocado no roteiro que seria uma garota, porque mulheres são muito emotivas. Nós temos a TPM. Assim que começa você fica emotiva. É interessante como uma garota se tornou a sniper do time, mas é interessante o equilíbrio disto. Eu nunca fiz um personagem assim porque você precisa encontrar a força ao mesmo tempo que ela não pode perder suas próprias características. É muito interessante equilibrar isto como uma personagem que lida igualmente com todos, e temos 7 caras que estão apenas se divertindo. Nas primeiras páginas do filme, é claro, os personagens a convidam ou planejam com ela ou pegam ela como garantia e todas estas coisas. Então eu acho interessante como ela adquiriu esta força, não por ser mulher mas pelo personagem em si, acima de qualquer coisa. Não é só interpretar uma mulher ou um cara, mas interpretar um ser humano muito forte.
Ela usa as armas dos predadores em algum momento? Ela tem diversos tipos de armas com ela?
Quem sabe? [risos]
Você aprendeu a atirar de verdade?
Ela me faz parecer que eu sei de verdade (risos). Não, eu estou brincando. Não tivemos muito tempo para isso. Nós não tivemos um treinamento de campo ou algo do tipo, mas assim que chegamos ao Havaí nós encontramos o Mike Panevics, que é o cara certo para esse tipo de "missão". Ele é o mestre deste tipo de coisa. Ele é do exército. Ele é o cara das armas. E ele é um grande cara. É um amor de pessoa e foi muito bom para mim. Eu chamo ele de professor porque minha relação com a arma, como estávamos falando, significa muito para mim. Ele me ensinou que um sniper gasta horas e horas apenas se arrastando e horas de olho no alvo e todo esse tipo de detalhe. E quando chegamos ao Havaí, nós ficamos um dia inteiro apenas atirando. Não podíamos fazer isto todo dia, mas eu aprendi de tudo um pouco e todo o momento que tínhamos uma pausa eu trabalhava isso com ele. Eu precisava treinar principalmente a minha pontaria, além de ter que perder peso. Porque no primeiro dia de tiros em 5 segundos minhas mãos estavam como... enfim, é calibre 14, é muito difícil de recarregar e mirar em algo. E com a câmera ali, você precisa mirar e não pode, de repente, começa a tremer porque não está preparada. Então construímos este lance da arma porque às vezes é muito difícil e treinamos muito isto. Não treinamos muito atirar mas treinamos o suficiente para ficarmos esperto quanto ao barulho e tudo mais. Nós focamos em parecer muito bons de verdade, então eu me preocupei muito em parecer boa porque é como um sniper parece, eu espero que as pessoas deste ramo possam olhar e dizer “Ok, ela fez grande trabalho. Talvez ela perdeu um pouco nisso e naquilo”, mas respeito muito o que eles fazem. É uma profissão muito difícil.
Pode me dizer como é lutar contra estes super Predadores?
É legal, é muito bom. É interessante, temos ainda algumas cenas para filmar, mas é interessante quando você se sente “Oh, meu Deus. Eu estou em um filme do Predador”. É uma franquia que todos conhecem. Então, a primeira vez que eu vi os super predadores foi... UAU! É legal. Especialmente porque eu sou baixa e é muito assustador porque sou uma garota pequena e as criaturas são provavelmente... não sei dizer o quão altas elas são. Mas é muito legal, está sendo muito bom. A coisa legal de ser sniper é que eu não preciso ter contato direto com eles. [risos]
Eu ia perguntar justamente sobre isso. Obviamente a estrutura das cenas será apropriada para um sniper, com tiros de longas distâncias, mas inevitavelmente em todos os filmes o sniper termina muito próximo do vilão e precisa enfrentá-lo fisicamente.
Sim.
Então você pode falar um pouco da preparação para uma batalha ou algo assim?
É engraçado porque ainda estamos filmando e eu não tenho muito disso como outros personagens têm. Especialmente os garotos, eles filmam muito este tipo de cena. Eu ainda não fiz muito disso, mas posso dizer que fiz muita ginástica com esse filme. Fiz muitas cenas de fuga. Eu não perdi muito peso mas quis parecer forte o suficiente para poder repetir por diversas vezes as cenas de luta ou ter que bater em algumas coisas e estar pronta para isso. Em alguns casos tivemos que filmar muito disso. Eu acho que os meninos podem responder isso melhor como o Louis (Ozawa Changchien) ou Walton Goggins... ele já fez isso e pode dizer o quanto isto é divertido para os personagens.
Neste filme alguns personagens, não todos, mas alguns deles têm similaridades com os do filme original do Predador. E também havia uma mulher no original...
Sim, no Predador.
Você viu a performance daquela personagem e tentou extrair algo de suas falas e sua postura?
Não, engraçado porque eu vi Predador antes do meu teste, quando eles me chamaram, e quando eu vi entendi exatamente o que eles queriam do meu personagem e tudo mais. Mas eu deixei isso de lado e nunca mais vi. Eu não quero ficar imitando aquilo. Eu penso que tenho que seguir o roteiro. Eu quero apenas focar no que estamos fazendo e fingindo que nada mais existe e que não sabemos de nada. Mas eu acho que foi algo bom de se ver, para ter inspiração... e ver o Schwarzenegger é muito legal. Mas eu acho que prefiro pensar que não sei muito das criaturas porque o personagem não sabe muito.
Uma coisa que hesitei de perguntar é que eu li sobre seu personagem e que ela guarda algum tipo de segredo em sua personalidade. Você sabe do que estou falando?
Sim.
Ok. Então você traz isto no filme mas faz de tudo para que isso não se mostre?
Sim, tento não demonstrar. Sempre trato meus personagens de uma forma que eles trazem algo por dentro e entender o que se coloca para fora. Eu acho que todo ator faz isso durante o filme e algumas pessoas podem se perguntar por que e de repente entender. Eu não penso muito nisso e não tento interpretar desta forma o tempo todo. Eu apenas quero enfrentar a jornada. E eu acho que é importante para o filme quando a jornada se completar. Eles falam nas escolas de interpretação sobre a jornada do herói, algo assim sabe. Eu tento. Eu estou me divertindo muito. Vamos ver como fica. É difícil uma vez que você está fazendo um filme de ação e há muito o que é preciso ser feito. Mas vamos ver... espero que vocês aproveitem.
Predadores está nos cinemas.
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