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Preview especial de O Senhor dos Anéis

Preview especial de O Senhor dos Anéis

Érico Borgo
07 de Agosto de 2001

Dia 3 de agosto o Omelete foi ver, junto com outros veículos de informação, os 26 minutos de O Senhor dos Anéis que Peter Jackson preparou para uma exibição no Festival de Cannes. Dentro de um rígido esquema de segurança, que envolvia até mesmo um Espectro do Anel, a Warner Bros. Pictures e a New Line Cinema receberam a todos os jornalistas para o aguardado evento.

Todo o esmero tem explicação. Esse não se trata de um filme comum. O Senhor dos Anéis é a adaptação de uma das maiores obras literárias da humanidade. A inventividade do filósofo e lingüista J.R.R.Tolkien, seu autor, resultou num universo rico em detalhes, texturas e conflitos - A Terra-média - palco dos eventos descritos na Trilogia do Anel e em O Hobbit, obra que a predecedeu. Para os que desconhecem os livros, cabe um pequeno aviso: compre a edição nacional agora! Se você lê o Omelete é porque gosta de quadrinhos, cinema, fantasia etc, nossa matéria prima. O Senhor dos Anéis contém a base de inspiração de muito do que lemos ou assistimos hoje em dia, em todos os níveis imagináveis. Cabe aqui os nossos parabéns aos organizadores do evento que ao final da exibição deram um livro encadernado de O Senhor dos Anéis a todos os presentes. Isso ajudará a iniciar os que ainda não leram a obra do milênio (segundo a Amazon.com) e mostrar a eles o quão perfeita está a adaptação para o cinema.

A projeção começa com um pequeno alô de Peter Jackson (Os Espíritos, Almas Gêmeas), o audacioso - e por que não dizer louco - diretor que aceitou o desafio de filmar a Trilogia (sim, com T maiúsculo). Um detalhe interessante: Jackson está em uma carroça, guiada pelo Mago Gandalf (Sir Ian McKellen, o Magneto de X-Men). Somos convidados a ver uma pequena amostra do que os três filmes conterão. Convite aceito de bom grado, a primeira cena se descortina.

O Condado aparece, como se extraído das mentes daqueles que são fãs do livro. As tocas, moradia dos baixinhos e cativantes Hobbits, estão perfeitas com suas janelas e portas redondas, peculiaridade da arquitetura dos mais prósperos. Gandalf avança até a toca de Bilbo Bolseiro (Ian Holm, de O Quinto Elemento), o herói de O Hobbit, que causa um espanto quando surge. O efeito especial utilizado para encolher os atores, colocando-os nas devidas proporções de Hobbits, Anões ou Elfos é perfeito e funciona além da expectativa.

Segue a festa de aniversário de Bilbo, que culmina no desaparecimento do anfitrião que decide aposentar-se. Ele deixa todos os seus bens para seu sobrinho Frodo (Elijah Wood, de Prova final). Entre as posses do abastado Hobbit está um anel, que carrega consigo há mais de 50 anos. Abalado com a notícia, Frodo é alertado por Gandalf que aquele pequeno pedaço de metal é O Anel, um artefato mágico cujo poder em mãos erradas levará à destruição de toda a Terra-média e o surgimente de uma nova idade das trevas.

Como não pretendemos estragar as surpresas para aqueles que não leram o livro e não pretendem fazê-lo até o filme, a partir daqui vamos nos ater a cenas isoladas e as impressões que tivemos delas. Os 26 minutos mostraram uma edição rápida baseada principalmente no primeiro filme. Boa parte deste tempo é focado em Minas Moria, a maravilhosa cidade dos Anões que foi destruída há muito tempo por exércitos das trevas.

O cuidado que a produção teve com os detalhes é tão grande, que chega a confundir-se com as recordações que temos dos livros. Mesmo cenas relativamente simples, como o encontro entre os Hobbits Frodo, Sam (Sean Astin), Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd) com o estranho conhecido como Passolargo (Viggo Mortensen) é levado às telas exatamente como imaginávamos.

Entretanto, as cenas no interior de Minas Moria são as mais impressionantes do preview. A beleza e vastidão das salões de pedra talhados pelos Anões é traduzida com maestria pelo filme. O encontro da tumba de Balim é emocionante, mas o que vem a seguir, além de comprovar o talento de diretor para as cenas de batalha, mostra como alterações na obra de Tolkien podem ser feitas, agregando ainda mais aventura à narrativa.

Enquanto no livro a cena é relativamente breve, no filme (mesmo editada) ela dura mais que o esperado. Um Troll das cavernas (com uma computação gráfica ligeiramente forçada) junta-se aos monstruosos soldados Orcs (esses estão perfeitos ao extremo) na batalha dentro da cidade, fato que no livro é realizado por um dos líderes das criaturas. Também há todo um novo meio da perseguição. No original, logo após a tumba de Balim, já pode ser acessada a ponte de Kazad-dûm. Para a adaptação, Jackson inseriu uma sensacional fuga por estreitas pontes de pedra cambaleantes em meio a uma chuva de flechas dos Orcs. Só depois disso é que a ponte pode ser avistada. A última cena do primeiro filme é a visão assustadora de um Balrog...

O restante da projeção mostra um pouquinho do segundo e do terceiro filme na forma de cenas rápidas, que funciona como um trailer extendido. Só não teve o Gollum... mas esse ainda não apareceu em lugar algum, exceto em desenhos de produção e lay-outs 3D. Em compensação, há uma incrível cena de batalha entre exércitos Orcs e humanos em que milhares de soldados se encontram em uma planície.

Enfim, a impressão final do Omelete foi a melhor possível desses 26 minutos (52 na verdade, pois acabamos assistindo duas vezes, hehehehehe). Dia 21 de dezembro o filme estréia aqui no Brasil e poderemos conferir se o resto da história de A Sociedade do Anel, primeiro filme da trilogia, também está tão perfeito quanto a amostra que tivemos. Obviamente temos receio de algumas licensas poéticas, como a presença da senhora élfica Arwen (Liv Tyler) muito mais cedo que nos livros e mais participativa do que na história original de Tolkien. Mas esperamos que isso seja um mero detalhe.

O Senhor dos Anéis promete. E tem tudo para cumprir.

Leia mais sobre a Trilogia do Anel, clicando aqui!

Imagens © New Line Cinema


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