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Primitivo

Crocodilo gigante Gustave ganha as telas dos cinemas

Érico Borgo
26 de Abril de 2007

Primitivo

Primitivo

Primeval
EUA , 2007 - 93
Suspense

Direção:
Michael Katleman

Roteiro:
John D. Brancato, Michael Ferris

Elenco:
Dominic Purcell, Brooke Langton, Orlando Jones, Jürgen Prochnow, Gideon Emery, Gabriel Malema, Linda Mpondo, Lehlohonolo Makoko, Dumisani Mbebe

Regular
2

Você certamente não sabia, mas existe uma fascinação de alguns cozinheiros do Omelete por documentários sobre répteis, especialmente jacarés e crocodilos. Viciados pelos bichos, acabamos esbarrando faz uns três anos em um filme do Animal Planet sobre o crocodilo Gustave, que virou mania por aqui. Nerdice animal, mas, não raro, trocávamos fotos e artigos encontrados do espécime africano de nome afrescalhado e tamanho colossal, com impressionantes 12 metros de comprimento.

O programa mostrava uma equipe de televisão que vai até a África do Sul em busca de Gustave, um crocodilo do Nilo gigante - provavelmente o maior de todo o continente, talvez do planeta. Eles tentam capturá-lo, sem sucesso, e precisam lidar com a burocracia local e o medo de uma guerra civil em curso.

O filme de ação Primitivo (Primeval) se aproveita dessa história verídica. Dominic Purcell, famoso pelo bom seriado Prison Break, é um jornalista na corda bamba que é enviado ao lado de seu cinegrafista (Orlando Jones - o coadjuvante negro e engraçado, adivinha o que acontece com ele?) para acompanhar a repórter gostosona (santo clichê...) Aviva Masters (Brooke Langton) e um ambientalista na captura de Gustave (gerado por decente computação gráfica), que já comeu quase 300 pessoas.

A trama sabiamente busca exagerar os fatos - o documentário é mesmo meio chato, não há captura, tampouco conflitos senão os políticos -, mas é um tanto equivocada. Pra começar, os marqueteiros tentam vender Gustave como "o mais prolífico assassino serial da História". Lamentável - como um animal irracional pode ser comparado a um psicopata calculista? Além disso, o texto de John Brancato e Michael Ferris (Exterminador do futuro 3) exagera na guerra civil, dividindo a atenção entra a caça ao animal (que adquire aqui uma selvageria espalhafatosa) e as milícias armadas que dominam a região. Dessa forma, o longa de Michael Katleman (egresso da TV em seu primeiro filme no cinema) não sabe se quer ser Tubarão ou Diamante de Sangue, Orca ou Hotel Ruanda.

Dá até pra entender a intenção, mostrar a dualidade do "primitivo" do título, comparar homens e fera em sua fome, seja ela por carne ou poder, mas é pretensão demais para uma historinha fraca dessas.


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