Quand jétais chanteur
França
, 2006
- 112
Romance
Direção:
Xavier Giannoli
Roteiro:
Xavier Giannoli
Elenco:
Gerard Depardieu, Cécile De France, Mathieu Amalric, Christine Citti, Patrick Pineau
É excelente a inversão da qual parte Quando Estou Amando (Quand jétais Chanteur), produção francesa escrita e dirigida por Xavier Giannoli.
O filme desvirtua a idéia da grande maioria dos romances, em que a relação carnal é o objetivo. Logo nos primeiros minutos o sexagenário cantor de bailes de salão Alain Moreau (Gérard Depardieu) coloca os olhos sobre a bela e jovem Marion (Cécile De France), estagiária da imobiliária de seu amigo Bruno (Mathieu Amalric). O interesse imediato não é mútuo, mas o experiente Alain, artista de voz doce e jeito malandro, sabe como guiar uma mulher em direção aos seus lençois. Um corte seco depois os dois já estão se beijando nos corredores de um hotel. Outro e ela está despertando nua.
Acontece que a noite faz brotar algo mais em Alain - e ele passa a procurar a garota, buscando uma relação mais significativa. Ela, porém, recém-divorciada, resiste à idéia enquanto torna-se cada vez mais próxima de Bruno, sujeito bem-sucedido, mais jovem e bonito que o truculento cantor.
Ao colocar o sexo como início o cineasta propõe uma interessante - e moderna - abordagem do sexo como princípio potencial de uma relação e não como consumação.
Igualmente cativante é a ambientação do filme no universo dos cantores bregas, de bailes da terceira idade. As cortinas prateadas, camisas de seda, cabelos com mechas e óculos ray-ban causam estranheza a princípio, mas o carisma de Gérard Depardieu, que canta 14 canções ao longo do filme, logo nos converte em velhos fãs do gênero. Acompanhá-lo em seus altos e baixos, na luta diária pela sobrevivência, nos pequenos e significativos detalhes de sua existência e vê-lo no surpreendente, ainda que totalmente verossímil, desfecho é um deleite.
Não dá pra deixar de exaltar também o trabalho de Cécile De France, que já é uma das grandes atrizes de sua geração na França. A moça conseguiria carregar um filme inteiro só com aqueles olhões hipnóticos dela. Olhões, aliás, que servem de guia do público ao mundo de Alain. A maturidade transformadora pela qual Marion passa ao longo da história é também a do público.
E vivam Waldyck Soriano e Amado Batista!
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