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Samuel Fuller | 100 anos

Controverso cineasta é influência de gerações de diretores

Érico Borgo
12 de Agosto de 2012

Samuel Fuller
Park Row
White Dog

Antes de lançar-se ao cinema, Samuel Fuller (1912-1997) já era dono de uma carreira prolífica como repórter policial, jornalista, escritor de romances pulp e soldado da Segunda Guerra Mundial. Foi aos 36 anos, porém, que Fuller foi contatado pelo produtor Robert L. Lippert, que era fã dos seus textos, para iniciar sua carreira no cinema como cineasta. Até então, Fuller só havia tratado alguns roteiros (inclusive como ghostwriter) e adaptado outros - e não havia se impressionado com a visão de diretores como Douglas Sirk para seu trabalho.

Ao lado de Lippert, Fuller realizou três filmes, I Shot Jesse James (1949), The Baron of Arizona (1950) e The Steel Helmet (1951) - o primeiro longa-metragem dos EUA sobre a Guerra da Coréia e um dos primeiros a falar de racismo, o que o colocou na mira das autoridades da época. Logo depois fechou um contrato com o estúdio Twentieth Century Fox, mas conseguiu manter sua integridade, cinismo e crueza de estilo na gigante. Na época fez Fixed Bayonets! (1951) e Pickup on South Street (1953).

Também lançado na época, Park Row (1952) era considerado pelo cineasta seu filme favorito. A história de um jornalista dos EUA era imaginada pelo estúdio como um musical, mas Fuller negou-se e o lançou de maneira independente. Um tributo aos jornalistas que ele conheceu em seu início de carreira, Park Row é considerado por alguns críticos como "o Cidadão Kane de Fuller".

Mais tarde, já incensado pelos franceses da Nouvelle Vague - que o declararam uma inspiração de estilo -, Fuller retornou ao cinema independente. Nos anos 1960 dirigiu dois de seus filmes mais aclamados, ambos sátiras da cultura estadunidense: Shock Corridor (1963) e The Naked Kiss (1964).

Fuller, porém, aprenderia que mesmo uma carreira estabelecida não é garantia de tranquilidade. Aos 70 anos, um de seus últimos filmes, o horror dramático White Dog (1982), foi engavetado por mais de uma década. O estúdio acreditou que o tema provocativo - uma investigação do racismo nos EUA - era controverso demais. Na trama, uma família decide tentar remover de seu cão de guarda anos de condicionamento violento contra os negros. O cachorro, totalmente branco, é entregue a um treinador negro, que assume a missão de extirpar do animal seu ódio.

Fuller morreu em 1997, aos 85 anos, e inspirou várias gerações de cineastas, como Martin Scorsese, Quentin Tarantino e Jim Jarmusch.

Trailer White Dog


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Comentários (13)

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Nelson Nelson (13/08/2012 20:54:08)   176 0
Bacana o Omelete lembrar sobre esse mestre. O maior dos marginais.

Faltou citar umas das maiores influências dele: Jean-Luc Godard, o francês chato bebeu legal dessa fonte. Outro é o Rogério Sganzerla.


sem avatar Rodrigo (13/08/2012 22:15:54)   0 0
O Sganzerla fez um curta em 66, salvo engano, em que dois caras andam pelo centro de São Paulo procurando algum filme para assistir, enquanto reclamam da vida. Um dos filmes que eles queriam ver era dele, provavelmente era "O Beijo Amargo" (The Naked Kiss)

Pena que a matéria não colocou os títulos nacionais para os filmes dele. Alguns, como Agonia e Glória, já devem ter sido lançados em DVD.


sem avatar Santos D. (13/08/2012 14:14:31)   960 0
Em 1951 Samuel Fuller esteve no Brasil e pretendia fazer um filme sobre indigenas no interior do Mato Grosso.
O diretor chegou a filmar algumas cenas dos indios brasileiros mas o projeto não foi adiante.
Em 1992 ele retornou ao Brasil e mostrou aos indios dessa mesma aldeia as imagens feitas na década de 50.
Essa historia de Fuller no Brasil e relatada no documentario Tigrero(1994) dirigido por Mika Kaurismaki e tem participação de Jim Jarmusch.



sem avatar Bruce (13/08/2012 10:52:06)   127 0
Borgo, boa parte desses filmes já teve nome traduzido para o português. Só uma dica.



IgorLiraVox IgorLiraVox (13/08/2012 10:00:10)   1331 0
Melete também é historia.....

Legal, não conhecia o legado deste Senhor.....

Vivendo e aprendendo.....



Ozir Ozir (13/08/2012 07:10:42)   1640 1
Otimo filme The White Dog.

A morte de Fuller será sentida.

Ele era um grande profissional , seus trabalhos foram bons e White Dog está entre eles sosssegadamente.

Lembro de tê-lo assistido à muito tempo também e gostie muito do filme.

Que ele descanse em paz.


Ozir Ozir (13/08/2012 08:03:24)   1640 1
PS: Antes de tudo sei que ele morreu em 97 mas é sempre bom desejar que a pessoa descanse em paz.


Pinto Pinto (12/08/2012 23:09:41)   202 0
White Dog é muito foda!

Tem um take sensacional, já no final, depois que o domador "converteu" o cachorro, em que, se não me falha a memória, está abraçando o canino, mó feliz com a linguona pra fora... A câmera vai girando em torno dos dois, até quando, ao voltar ao ponto inicial, mostra o cachorro com a verdadeira cara do "cão chupando manga".

Simplesmente irado.



DR. Zaius, ministro da ciência e defensor da fé! DR. Zaius, ministro da ... (12/08/2012 22:50:56)   802 -2
Cacilda!!! Assisti esse filme na sessão da tarde!!! E com a Christy Mcnichol, a guria do seriado "Família"!!!!


Fabiano Fabiano (12/08/2012 23:57:32)   340 1
Também assisti esse filme na Sessão da Tarde há muito tempo. O filme tinha o ator Paul Winfield (O EXTERMINADOR DO FUTURO 1) como o treinador do cão. E o Sam Fuller dirigiu AGONIA E GLÓRIA, um filme de Guerra com Lee Marvin, Robert Carradine e Mark "Luke Skywalker" Hamill.

DR. Zaius, ministro da ciência e defensor da fé! DR. Zaius, ministro da ciência e defensor da fé! (13/08/2012 10:16:57)   802 -2
Agonia e glória foi um filme sensacional! Especialmente por não glamurizar a segunda guerra e pelo sargentão Lee "carne de pescoço" Marvin em um de seus últimos grandes filmes.


Emerson Emerson (12/08/2012 15:11:03)   1784 1
MAX - Fidelidade assassina




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