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The Notorious Bettie Page - Festival do Rio 2007

História da pin-up girl mais famosa do nosso planeta finalmente no Brasil

Mário "Fanaticc" Abbade
21 de Setembro de 2007

The Notorious Bettie Page

The Notorious Bettie Page

The Notorious Bettie Page
EUA , 2005 - 91
Drama

Direção:
Mary Harron

Roteiro:
Mary Harron e Guinevere Turner

Elenco:
Gretchen Mol, Chris Bauer, Jared Harris, Sarah Paulson, Cara Seymour, David Strathairn, Lili Taylor

Bom
1
2

The Notorious Bettie Page (2005) conta a biografia da pin-up girl mais famosa do nosso planeta. Bettie ganhou essa notoriedade pela sua relação visceral com a câmera. Ela posava com uma impressionante descontração e naturalidade. Suas fotos foram responsáveis por diversos fetiches que até hoje são copiadas exaustivamente pelas revistas masculinas. Vale explicar que pin-up girl é uma modelo ou atriz cujas imagens sensuais são produzidas em grande escala, constituindo em um tipo leve de pornografia. E Bettie Page habitou a imaginação de milhares de homens nos anos 50, em uma época que revistas como Playboy ainda não tinham invadido o mercado.

O filme dirigido por Mary Harron (Psicopata Americano) conta a história de Bettie em um período que vai dos anos 30 aos 50. Bettie nasceu numa família interiorana, muito religiosa. Decidida a mudar de vida, a jovem partiu rumo a Nova York. Um dia, passeando pela praia, encontrou um fotógrafo amador, e aceitou fazer algumas poses despretenciosas. Sua beleza e sensualidade chamaram atenção, e Bettie iniciou uma carreira de modelo fotográfica. Rapidamente tornou-se uma das mais famosas pin-up's do país, esbanjando alegria e erotismo. Mas, em 1955, um senador americano iniciou uma dura investigação sobre a influência da pornografia na juventude do país. E Bettie acabou sendo transformada num exemplo de imoralidade.

No filme, Harron abusa do preto e branco para criar uma estética noir, ao mesmo tempo em que reproduz o formato das fotos de Bettie Page. Um estilo que sempre teve a pin-up girl fazendo o papel da mulher fatal. As únicas cenas coloridas são as realizadas na Florida, para contrastar e marcar as primeiras fotos coloridas da modelo.

O trabalho da cineasta procura desmistificar certos aspectos da vida de Page. Ela sempre foi associada erroneamente como uma mulher pornográfica. Bettie era uma mulher comum e inocente que nunca se arrependeu de ter posado, pois seu trabalho nunca teve essa conotação. A imagem de uma mulher devassa foi criada pelos consumidores na tentativa de aumentar a sua satisfação pessoal ao apreciar as fotos. Um claro caso de que a imagem se tornou maior que a figura real.

O roteiro do filme segue essa trajetória, demonstrando os nostálgicos anos 50, repleto de ingenuidade. Nota-se que Bettie Page era uma garota cristã que aos poucos foi aflorando seu lado exibicionista, mas sem perder sua aura inocente. Sua imagem foi explorada por uma sociedade machista, ao mesmo tempo preconceituosa que a levou a comparecer em uma seção comandado pelo senador Estes Kefauver (David Strathairn), para explicar sobre suas supostas práticas pornográficas.

O filme explora esses contrastes buscando explicar o que torna algo realizado com inocência em produto pornográfico. O formato utilizado para apresentar essa transformação é a comédia leve. Através do humor, a diretora Mary Harron demonstra que o erotismo é um atributo produzido pela mente e não pelo ato em si.

Muitas das idéias de Harron funcionam graças à interpretação fantástica da atriz Gretchen Mol, que faz Page no filme. Interessante que Mol conseguiu reproduzir com perfeição a inocência de Page que rivalizava com sua imagem lasciva. A diretora cobre todas essas nuances com destaque para os ensaios fotográficos que reproduzem com extrema fidelidade as poses mais famosas de Page. São dezenas de fotos com a modelo vestindo couro preto, nylon e salto alto como se fosse uma dominatrix, entre outras fantasias. Para aumentar a dose de erotismo, Page aparecia amarrada, algemada, ou presa, às vezes em companhia de outras mulheres. Percebemos nessas fotos de onde veio a inspiração para a criação da estética gótica e punk.


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