Oi, Roberto: quanto ao Buscema, darei exemplos claros.
Criar o design de algo é especialmente difícil quando você não pode usar referências históricas. Isso não aparece em Conan, claro, mas nos cenários futuristas. Isso fica evidente em suas histórias dos Vingadores ou do Surfista Prateado, e nos uniformes de supervilões científicos. Nesse sentido, Kirby é insuperável. Romita Jr. é bom, e Frank Quitely, um monstro: veja com atenção as coisas que ele fez em All-Star Superman, as máquinas, os edifícios kriptonianos, tudo que seja pura invenção...
Kelley Jones tem um domínio forte do claro-e-escuro, de recursos de silhueta, que são raros. Sua inspiração é nitidamente Berny Wrightson. Mas eu prefiro o Deadman dele, antes da fase dele no Batman, que me parece mais caricatural. E, principalmente, destoante do personagem. Ele é bom para histórias de terror, não para as de um vigilante urbano. MacFarlane fazia muita pirotecnia narrativa, que nego achava sensacional, mas que escondia fragilidades de desenho (closes nos olhos, na boca, contorções, capas esvoaçantes, etc.). Liefeld é de uma pobreza lazarenta (cenário, narrativa, design geral, posições, anatomia, rostos, etc.).
Nunca gostei realmente do Curt Swan. Mas teria de olhar melhor suas histórias...
E, só para dar uma apimentada, acho bacana os últimos posts teus. Mas você, quando levantou esse tópico, não foi apresentando uma predileção, mas foi direto na qualidade em si do sujeito, com “impressão de arte mal feita” e afirmando que era “papo” isso de que “Kirby desenhava demais”. Kirby tem essa característica. Note que o processo de apreciar sua arte é, invariavelmente, de se considerá-lo tosco até perceber o seu vigor. Os maiores nomes da indústria o apreciam, hoje, não como um ancestral importante, mas como um gênio incompreendido, cujos conceitos e obras podem ser revisitados. Por sinal, todo o processo anterior a Crise Final e Crise Final era uma babação infinita em cima de sua obra: morticocus, os animais humanizados, os deuses de Apokolips, etc...
Para mim, esse é o ponto difícil de um debate desse: distinguirmos nossas predileções da qualidade de algo... ou seu reverso, que somos capazes de gostar de algo que não é tão bom assim. Por exemplo, gosto de Paul Gulacy, apesar de seu desenho ter tosqueirices anatômicas de amador (que se percebe que não são estilizações, mas um certo traço naif, ehehehe).
E, César... eu curto ver filmes dos anos 50 especialmente não porque são antigos, mas porque são MELHORES do que muita coisa recente, eheheh... situações mais engenhosas, diálogos inteligentes, personagens bem caracterizados. E estamos falando de produções feitas para o mercado, como filmes de Dean Martin, Shirley McLaine e Tony Curtis. O clássico, ao meu ver, tem que ser imortal por ser bom, não por ser véio... Buscema, nesse sentido, é bom até hoje, assim como Alex Raymond.