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Tony Manero

Em filme chileno, sociopata é obcecado por personagem de John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noi

Cíntia Bertolino
09 de Abril de 2009

Tony Manero

Tony Manero

Tony Manero
Chile , 2008 - 97
Drama

Direção:
Pablo Larían

Roteiro:
Alfredo Castro, Mateo Iribarren, Pablo Larrain

Elenco:
Alfredo Castro, Paola Lattus, Hector Morales, Amparo Noguera e Elsa Poblete.

Ótimo
tony manero

Raúl Peralta (Alfredo Castro) conhece todos os trejeitos de seu ídolo. Sabe quantos botões há em sua calça branca, conhece melhor que ninguém a forma correta de usar a camisa estrategicamente aberta no peito e, embora não fale inglês, é capaz de repetir diálogos inteiros de seu filme favorito.

Quase todas as tardes ele vai até o cinema ver pela enésima vez Tony Manero brilhar mais que a pista de dança faiscante de Os Embalos de Sábado à Noite (1977).

A exemplo de seu ídolo, tudo o que ele quer é dançar. Isso é o que se imagina até que Raúl, o Tony Manero do título, mostra até que ponto ele está disposto a chegar para atingir o inatingível.

Nesse momento, o filme de Pablo Larían, o candidato chileno a uma indicação ao Oscar deste ano - que não vingou -, fica verdadeiramente interessante.

O sonho de Raúl é se tornar Tony Manero. Pouco importa que isso seja impossível. Inabalável, ele tinge o cabelo de preto - o vigor da juventude não acompanhou seus cinqüenta e poucos anos - e ensaia com afinco os passos imortalizados por John Travolta na boate, nas noites de sábado. Logo, um concurso esdrúxulo de TV para escolher o Tony Manero chileno parece ser a resposta aos esforços desmedidos do protagonista.

O sonho pueril, a dedicação obsessiva a um herói cinematográfico desperta piedade, reforçado por um cenário degradado - o Chile aterrorizado por batidas militares, em 1978, cinco anos após Augusto Pinochet se instalar confortavelmente no poder.

O filme não explora o golpe militar, porém tampouco deixa os espectadores esquecerem o que há do lado de fora do prédio decadente em que vivem Raúl, a dona de um restaurante fuleiro, sua namorada de meia-idade e a filha dela.

Como se refletisse o exterior, na intimidade dos quartos, na cozinha, no salão, as relações são doentias, mesquinhas, pontuadas pela crueldade de um homem amoral, patético e violento. E todos se mostram fascinados por ele.

Tony Manero é um bom filme. Tem lá seus maneirismos exagerados, bem visíveis nas cenas de assassinatos, mas isso se releva em favor da grande atuação de Alfredo Castro. Em determinados momentos ele chega a lembrar um Al Pacino, do terceiro mundo, evidentemente. O curioso é que em diversas ocasiões, Tony Manero também compartilha uma grande semelhança com outro Tony, o Montana de Scarface (1983).


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