Drei
Alemanha
, 2010
- 111 min.
Drama
Direção:
Tom Tykwer
Roteiro:
Tom Tykwer
Elenco:
Sophie Rois, Sebastian Schipper, Devid Striesow, Annedore Kleist, Angela Winkler, Alexander Hörbe, Winnie Böwe, Hans-Uwe Bauer
"Não existe arte sem contexto", debate a protagonista de Trângulo Amoroso (Drei, 2010), vivida por Sophie Rois, logo no início do drama.
Tom Tykwer, diretor conhecido por Trama Internacional e O Perfume, está interessado profundamente essa ideia na história de Hanna (Rois) e Simon (Sebastian Schipper), casal junto há 20 anos, que, sem desconfiar, começam a se relacionar com o mesmo homem, Adam (Devid Striesow).
Adulto e exploratório dos sentimentos de uma faixa etária pouco representada no cinema, o longa discute ideias deterministas de biologia e as estruturas sociais que vivemos, que deixam pouco - ou nenhum - espaço para aceitação de novos formatos de relacionamento, mesmo nas maiores e mais permissivas cidades do planeta. Mas no caso da moderna Berlim, retratada aqui, o problema não é a sociedade em si, mas a autoaceitação e que fazer com o resultado de tamanha liberdade, de tantos debates filosóficos iniciados por tanta arte e mídia.
Tykwer é corajoso ao propor suas ideias da forma que faz. Esta é sua obra mais madura e incisiva, conseguindo ao mesmo tempo ter uma relação estética com o filme que lançou-o para o mundo, Corra Lola Corra. Apesar do tema sisudo, o cineasta emprega edição moderna e retoma o uso da música como um metrônomo, mas desta vez o ritmo não é para estabelecer suspense, mas como uma contagem em direção ao fim.
Esse tema, a morte, é bastante presente no filme, explorado através de dois cânceres - ou três, se contarmos o figurativo, que se apresenta na forma de um comodismo conjugal. Tais questões parecem afligir o diretor, que frequentemente externaliza certos sentimentos de inadequação e contestação nos diálogos de seus personagens.
Mas enquanto o diretor parece divertir-se com seus temas e estilo e os atores realizam um trabalho impecável, a história é simplista demais para suportar as quase duas horas de duração do filme. A necessidade de debater assuntos demais e a ausência de eventos significativos que avancem a trama diminuem a experiência e diluem o foco. Uma montagem que acompanhasse um pouco mais o ritmo da edição aumentaria significativamente o impacto do filme.
De qualquer maneira, é o longa mais contestatório de Tykwer, e sugere uma nova fase para o cineasta que parece casar perfeitamente com o tema da ficção científica que ele está dirigindo com os Irmão Andy e Lana Wachowski (que mudou de sexo há alguns anos), Cloud Atlas. "Um dia você fica velho demais para o cinema", diz em determinado momento em Triângulo Amoroso. Fica a expectativa, portanto, pelo que ele fará a seguir...
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