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Um ato de coragem

Um ato de coragem

Érico Borgo
29 de Maio de 2002

Reflita comigo... se aqui no Brasil uma pessoa armada invadisse uma propriedade privada, fazendo reféns e exigindo mudanças nas leis, como você a classificaria? Como criminosa, não? Então... nos Estados Unidos, pelo menos na moral distorcida hollywoodiana, tal pessoa seria considerada um herói.

Em Um ato de coragem (John Q, 2002), o vencedor do Oscar Denzel Washington interpreta John Quincy Archibald, um operário, pai de família enfrentando sérios problemas financeiros. Apesar dos infortúnios, John é tão bem-intencionado e bondoso que sua esposa, Denise (Kimberly Elise), não consegue brigar com ele, nem mesmo quando seu carro é levado pela financiadora.

A maior crise da vida de John começa quando ele está torcendo pelo seu filho Mike (Daniel E. Smith), num jogo de baseball infantil. O pai assiste desesperado ao menino desmaiar no campo, aparentemente, sem motivo. No hospital, a família recebe a notícia de que o garoto tem um sério problema de coração e que precisa de um transplante urgente. Caso contrário, morrerá em algumas semanas. O problema é que o seguro de John não cobre uma operação dessa magnitude, culpa da redução de sua jornada de trabalho meses antes. O custo da cirurgia, segundo a diretor da Hospital, Rebecca Payne (Anne Heche), chega a 250 mil dólares e ela nada pode fazer a respeito.

Claro que John se recusa a aceitar a morte do filho e tenta desesperadamente achar uma saída para a situação. Vende todas as suas parcas posses, pede ajuda aos órgãos do governo pertinentes e conta com a colaboração de amigos. Mesmo assim, os esforços provam-se inúteis com a notícia de que Mike terá alta no dia seguinte. Faça alguma coisa, brada sua esposa ao telefone. E ele faz.

O ato de coragem do infeliz título brasileiro (Desde quando apontar uma arma a alguém é sinônimo de coragem?) é a decisão que John toma de entrar armado no hospital, dominando a ala de emergência, fazendo reféns e trancando todas as portas. Em poucas horas, o cerco da polícia e o circo da mídia estão ao redor do local, junto a centenas de manifestantes.

O resto da história é absolutamente previsível. O próprio filme dá as dicas do que vai acontecer durante algumas cenas costuradas aleatoriamente. A única dúvida que resta é se o diretor Nick Cassavetes (Loucos de amor) terá um ato de coragem e terminará o filme de uma maneira que não ofenda a inteligência dos expectadores.

Infelizmente, a solução mais covarde é aplicada e o filme acaba como tantas outras produções cinematográficas... digno, no máximo, de um aluguel em vídeo ou de uma quarta-feira com meia-entrada. Agora, assistir de graça pelo Omelete vale muuuuito a pena (clique aqui para participar da promoção). Assim, você pode checar a interpretação de Denzel, um ator capaz de tornar real qualquer personagem, por mais fraca que seja.

Um ato de coragem
(John Q) EUA, 2002
Direção: Nick Cassavetes
Elenco: Denzel Washington, Robert Duvall, James Woods, Anne Heche, Eddie Griffin, Kimberly Elise, Shawn Hatosy, Ray Liotta

Imagens © New Line Cinema


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Comentários (1)

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Gabriel Rodrigo Gabriel Rodrigo (17/05/2011 13:26:44)   -2 0
Sinceramente fiquei muito feliz de não levar em consideração a crítica antes de ver o filme. Pra começar não sei se é crítica, comentário ou sei lá o que, que o Borgo fez, mas foi péssimo.

Em primeiro lugar um dos filmes mais emocionantes e melhores da carreira do Denzel Washington, pois retrata a realidade e um amor verdadeiro entre os pais com o filho que encontra-se doente.

Apenas acho, que exagerei ao dizer que foi um dos melhor da carreira do Denzel, pois pensando bem foi um dos mais fracos de sua carreira (porém até os filmes fracos do Denzel são de qualidade) e por isso eu aconselho e recomendo esse filme, mas pra mim faltou mais emoção paterna e mais ação materna com a situação no filme. Então pra mim, mesmo sendo muito emocionante falta algo pro filme ser melhor, pois poderia ser.

4 ovos




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