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Um Verão Escaldante | Crítica

Depois de A Fronteira da Alvorada, Philippe e Louis Garrel voltam à relação trágica de um artista e sua musa

Marcelo Hessel
31 de Maio de 2012

Um Verão Escaldante

Um Verão Escaldante

Un Été Brûlant
França , 2011 - 95 minutos
Drama

Direção:
Philippe Garrel

Roteiro:
Marc Cholodenko, Caroline Deruas-Garrel, Philippe Garrel

Elenco:
Louis Garrel, Monica Bellucci, Céline Sallette, Jérôme Robart, Vincent Macaigne, Vladislav Galard, Maurice Garrel

Bom
um verão escaldante
um verão escaldante

Artista apaixonado por uma estrela de cinema - mais precisamente pelo ideal de beleza de uma estrela de cinema - perde o norte quando esse ideal se desfaz na realidade. Esse resumo de A Fronteira da Alvorada, filme de 2008 do diretor Philippe Garrel com seu filho, o ator Louis Garrel, serve também para o trabalho mais recente dos dois, Um Verão Escaldante (Un Été Brûlant, 2011).

Desta vez Louis Garrel não faz um fotógrafo, e sim um pintor, o francês Frédéric, mas continua dando sua interpretação artística da imagem de sua musa - agora vivida não pela frágil Laura Smet, mas pela intimidadora Monica Bellucci. Ela é Angèle, célebre atriz italiana casada com Frédéric. Em um verão, os dois hospedam em sua casa em Roma um casal de amigos do pintor - também atores - e de um dia para o outro a esgarçada relação se rompe.

À exceção de Bellucci, o elenco principal e o roteirista Marc Cholodenko já haviam trabalhado com o diretor em Amantes Constantes, e o vaivém temporal de Um Verão Escaldante também não é atípico no cinema de Philippe Garrel. Aqui, o roteiro volta e avança no tempo para contar como o casal de atores se conheceu (na "guerra", trágico presságio) e como Frédéric os conheceu - é um filme sobre expectativas, então registrar as primeiras impressões uns dos outros é fundamental.

Quando Bellucci surge em cena, por exemplo, ela é antes de mais nada um corpo de mulher. Como Laura Smet em A Fronteira da Alvorada, a câmera a pega de cima pra baixo, sobre a cama, como se posasse ciente de sua condição de musa. Na primeira interação entre Frédéric e Angèle, ela tira uma farpa do pé dele, a submissão impressa na perspectiva do plongée. É nessa submissão, na relação vertical do artista e da musa, que o pintor se afiança - e novamente, como no filme anterior, Louis Garrel sente o baque ao perceber a irrealidade dessa equação.

Na comparação, A Fronteira da Alvorada é não só mais bem resolvido como parece, com sua luminosa fotografia em preto e branco, tão etéreo e efêmero quanto a própria imagem da musa - e daí vem sua força. Já Um Verão Escaldante parece mais cerebral, menos poesia e mais prosa; é um filme que, ao se fragmentar, evita elaborar um discurso só sobre a relação do artista com a musa, embora paradoxalmente seja um filme cheio de diálogos discursivos (particularmente, sobre o estado das coisas pós-Sarkozy e sobre ideiais da esquerda que sempre se reciclam no pensamento francês).

Não dá pra dizer que os dois filmes se complementam, ou mesmo que há de um a outro uma evolução, mas são sem dúvida dois retratos complexos da apropriação da musa - que, no mais, sempre foi a grande especialidade do cinema da França.

Um Verão Escaldante | Cinemas e horários


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Comentários (7)

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sem avatar Rafael (01/06/2012 08:37:08)   222 0
Monica Bellucci é uma ótima atriz. Era quem eu torcia para ser a Mulher Maravilha nos cinemas.

Era, aí apareceu a Gina Carano...



nilton nilton (01/06/2012 00:59:01)   -898 0
como na minha cidade nao passa esses filmes vou piratear, quer dizer, assistir por meios alternativos


sem avatar mauro (11/06/2012 10:29:18)   -2 -1
não pratique um ato ilegal e muito menos perca seu tempo assistindo a esse lixo de filme.


Mariana Mariana (31/05/2012 22:45:44)   1581 0
Adorei a crítica. Eis minha sessão deste fim-de-semana.

A fronteira da Alvorada é bom, espero que esteja no mesmo nível.


sem avatar mauro (11/06/2012 10:29:46)   -2 -1
Ó filme é péssimo


Raul Raul (31/05/2012 20:31:49)   2203 1
Parece interessante. Não conheço os trabalhos desse Philippe Garrel. Vale a pena da uma conferida?


Nelson Nelson (01/06/2012 02:52:08)   176 0
Os dois filmes mais recentes dele, citados no texto do Hessel, Amantes Constantes e Fronteira da Alvorada, que são ótimos. Se curtir, pode pesquisar sobre o filho dele, Louis, que também se mete em coisas interessantes.



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