Para os que me desafiaram a explicar meu descontentamento com o filme:
Desconstruindo “X-Men First Class”
Porque para achar este filme bom, só estando na “primeira série” mesmo!
Há inúmeras diferenças entre os X-Men deste filme e os dos quadrinhos, mas pessoalmente não ligo para “liberdades autorais” em prol de uma boa história adaptada, que pode ser complementar à original, mantendo sua essência. No entanto, tomar estas liberdades e mesmo assim apresentar uma história fraca e cheia de falhas é algo que me revolta.
Ao sair do cinema me senti indignado, não só pelo filme ser uma porcaria, mas principalmente pela quantidade de críticas entusiastas e positivas que recebeu. A empolgação seria compreensível no caso de crianças e adolescentes, mas não no caso da mídia dita especializada... Há algo de muito errado com a humanidade, ou com os mutantes...
Em uma análise detalhada do filme exponho meus argumentos para defender a tese de que este é não somente o pior filme dos X-Men, mas também um dos piores filmes de super-heróis já feitos... E que quando os entusiastas o revirem com olhos mais maduros, poderão sentir vergonha de sua opinião prévia.
Vamos para análise, tentando respeitar a ordem cronológica das cenas:
01 – Charles Xavier e Raven (Mística) se conhecem logo no início do filme, ainda crianças, quando o pequeno Charles a flagra roubando comida na forma de sua mãe. Além da aparição de Raven ser gratuita (uma ladra faminta que aparece do nada e sozinha na casa) e uma coincidência das grandes (mutantes devem ter algum tipo de magnetismo, além daquele de Magneto), nos quadrinhos ambos vieram a se conhecer já adultos e há detalhes ou regras interessantes quanto à forma de manifestação dos poderes, que dão tempero à fantasia, tornando-a mais verossímil, como o fato de Mística poder se transmutar, mas obrigatoriamente mantendo a mesma massa corpórea. Então uma criança de trinta quilos não poderia obter a forma de uma senhora com 60 quilos, por exemplo...
02 – O pequeno Erik Lensherr (Magneto), ao observar sua mãe ser assassinada por Sebastian Shaw, tem um ataque de fúria que deveria ser extremo e, no entanto, é apenas extremamente mal dirigido, em ambos os sentidos. Ao invés de direcionar sua raiva ao assassino, ele primeiro amassa um sininho de mesa, depois detona um gaveteiro de arquivos, em seguida amassa os capacetes dos soldados que nada fizeram além de trazer a mãe dele pra sala, enquanto que a arma de metal que tirou a vida de sua mãe permanece intacta e pior, o “Sr. Nazista Shaw” ri e se delicia com a manifestação do poder de Erik sem sofrer nenhum ataque, nem um esbarrão com algo de metal, ou sua armação dos óculos entortar... Nada, simplesmente nada. Enquanto ele ri as peças de metal da “sala de tortura açougueira” dançam em puro exibicionismo que não convence, que não se encaixa com a dor, amargura e revolta de um garoto que acabou de assistir sua mãe ser morta. E se não bastasse Erik não direcionar nada de sua fúria ao assassino de sua mãe, ele se deixa abraçar por Shaw e sai caminhando ouvindo seus conselhos... Shaw deve ter aconselhado ele a trabalhar em versões live action da Disney, onde ele poderia fazer todo o mobiliário de metal dançar em “A Bela e a Fera”...
03 - De 1944, onde Erik aparenta estar por volta dos dez anos de idade, o filme pula para 1961, com Erik aparentando mais de trinta anos (o ator tem 33), deitado em uma cama, brincando com a moeda nazista do joguinho sádico de Shaw, e olhando para um painel munido de fotos e informações, onde se pressupõe que ele esteve trabalhando por muitos anos em uma vingança, a qual não se sabe por que não foi executada muito antes do momento atual...
04 – Xavier se importar esteticamente com a aparência real de Raven (Mística) vai na contramão de sua personalidade formada nos quadrinhos e contra a própria reação inicial dele quando criança, no momento em que a flagra furtando comida. Uma coisa é se importar em mantê-la escondida para protegê-la, outra é não “gostar de azul”. O conflito com a aparência de Mística nasce do nada, sem nenhum gatilho ou faísca, característica essa comum ao longo do filme: conflitos e motivos convenientemente tirados e colocados na cartola ao bel prazer dos roteiristas... Porque Xavier se importaria com isso exatamente neste momento, depois de mais de uma década de convivência? E não seria muito mais provável que viesse a ocorrer antes, talvez na adolescência, quando os hormônios estão em ebulição? Afinal, ambos agora já estão com cerca de 25 anos de idade (Xavier está se formando na Faculdade).
05 – Se Magneto tem tanto ódio por ter perdido sua mãe e sofrido no campo de concentração, e busca por vingança... Porque não matou o banqueiro nazista depois de extrair a informação dele? Porque o deixou vivo? E isso depois de uma década para conseguir a pista do banqueiro... Bem, quer dizer que Erik não ficou sentido com os milhares de judeus mortos em campos de concentração? Quer dizer que ele busca apenas uma vingança egoísta contra quem matou unicamente sua mãe? Quer dizer que arrancar o dente dele satisfaz o lema “olho por olho, dente por dente”?
06 – A gravação de entrada em Las Vegas de 1961 parece “real footage” e contrasta demais com a textura do filme. Porque não ajustar a textura? E veja que não estou falando do Kennedy falando em uma TV preta e branca, e sim de uma cena que deveria ser a chegada de Moira à Vegas...
07 – Os efeitos em computação gráfica são péssimos. Devem ter chamado a equipe responsável pela garra do Wolverine em frente ao espelho no “Origins”. O efeito de transformação da Rainha Branca em diamante, por exemplo, é pior do que o T-1000, fantástico para época (1991). Mas não basta os efeitos serem porcos... A concepção dos poderes, ou seja, como são quando utilizados, está realmente ridícula e inverossímil, com direito à rebolada plasmática. Uma coisa é ver e tocar, sentir o peso das asas do Anjo em X-men 3, outra é ver asas brotando do nada, das costas lisinhas de Angel...
08 – Azazel se teleporta de Vegas para o Pentágono, percorrendo em poucos segundos uma distância de quase quatro mil quilômetros. Uma distância completamente absurda, irreal e forçada, mesmo considerando-se o poder fantasioso dentro do universo de regras dos X-men. Para efeito de comparação, Noturno pode se teleportar não mais do que três quilômetros de distância normalmente, e isso o depaupera (forçaram a barra em X-men 2 ao mostrar Noturno se teleportando no mapa enquanto Xavier o localizava, e nos quadrinhos, quando ele se teletransporta de Vegas para São Francisco - pelo menos ficou na Costa Oeste!). Uma das regras bacanas para Noturno era ele não poder se teleportar para onde conhecia ou via, pois poderia se materializar em algo sólido, ferindo-se ou morrendo tragicamente. Tanto os quadrinhos quanto os roteiros modernos parecem não se preocupar com este tipo de “realismo” que dá tempero à fantasia. Pelo jeito os roteiristas quiseram bater o recorde com Azazel nas “Olimpíadas de Teletransporte”...
09 – Ninguém estranhou o Coronel chegar à reunião do Pentágono, para qual sua presença não estava prevista e, ainda por cima, com trajes elegantes de festa, sentado em meio aos fardados. O mais interessante a notar é o quão vital foi sua participação na reunião, já que ele apenas concorda com a decisão que o General já estava tomando, de colocar os mísseis na Turquia... Ou seja, mais uma viagem desnecessária da “Azazel Tour”...
10 – Depois de ter conseguido uma informação incrível com o banqueiro nazista (o nome de uma cidade na Argentina!), Magneto aparece já entrando em um bar qualquer, onde coincidentemente havia dois nazistas. Parece que Erik não se encantou muito com sua sorte conveniente e decidiu matar os dois nazistas e o bartender sem, no entanto, ter arrancado deles quaisquer informações! Tudo o que ele vê na parede do bar é uma foto com Shaw no meio de duas outras pessoas, escrito embaixo “Caspartina” e “Miami”. Com base em uma foto de um quadrinho que ninguém sabe há quanto tempo está lá pendurado, o cérebro avançado de Erik permitiu que ele desta cena já saltasse para um ataque a um barco em movimento chamado Caspartina, na costa de Miami...
11 – Xavier se mostra super preocupado com a possibilidade de Mística se revelar quando ela brinca com a heterocromia por ciúmes, e depois, sem mais nem menos, decide-se revelar para o Governo...
12 – Xavier usa seu poder como se fosse um Jedi utilizando a persuasão da força (“Jedi mind trick”), mas de forma leviana, sem charme. Até no poder sem computação gráfica conseguiram errar...
13 – Desrespeitando as regras de “Where in the world is Carmen Sandiego?”, Magneto acha o barco de Shaw em Miami graças ao quadrinho na parede… E quando o aborda, Emma Frost, além da telepatia e da transformação em diamante, também exibe super-reflexos, pois pega no ar uma faca lançada por Erik para matar Shaw (convenhamos, Magneto pode mover metais ao bel prazer, e mesmo assim traça uma trajetória retilínea para matar Shaw? Porque não fez a faca “piruetar” pelo ar? Porque não a lançou de fora do barco, mutilando os dois em um ataque surpresa?). Até o Neo teria tido dificuldades em agarrar a faca lançada, e muito mais se fosse devidamente lançada pelo mestre do magnetismo... Mas não bastam os super-reflexos, ela também é capaz de dar um golpe que lança Magneto voando para fora do barco... Acho que Emma pode mover carne humana com telecinésia, assim como Magnus move os metais... Mas neste caso não foi telecinésia, foi um baita golpe com “superforça” duro de engolir...
14 – Mas não só Magneto achou Shaw em seu barquinho facilmente como todo o governo, com Xavier e Moira, também acharam, e na mesma hora! A lição é: nunca se esconda em Miami! E depois que Magneto cai na água ele resolve tirar um cochilo, pois só depois de minutos é que emerge e decide brincar com as correntes...
15 – O governo dos EUA, nesta época, era bem pouco cauteloso, pois mal encontra Charles, Raven e principalmente Magneto, e decide dar uma base para eles, onde há uma porrada de coisas secretas: equipamentos e até dossiês em arquivos, como o de Shaw, que Magneto rouba.
16 – E se não bastasse a coincidência gratuita no encontro de Mística e Xavier, na base já havia outro mutante... Hank McCoy... De repente mutantes parecem estar em todo lugar! Nos quadrinhos Hank é grandão (não só seus pés que são grandes) e possui agilidade simiesca, próxima a de um gorila. Em “First Class” Hank tem pés não só grandes, mas deformados, assemelhando-se a mãos grandes e peludas. Nos quadrinhos ele não tinha vergonha de como era, apenas reclamava dos sapatos apertados quando saía com Bobby Drake (Homem de Gelo) para encontrar Zelda, e ele se dava bem com as mulheres mostrando seu pé (se é que você entende...).
17 – A explicação para o capacete de Shaw é: “os russos fizeram isso pra mim” (leia-se: os roteiristas tiraram da bunda). Provavelmente foi o “Whiplash” de “Homem de Ferro 2”, o russo inventor mais menosprezado pelo mundo...
18 – O submarino “high tech” de Shaw tem tudo (energia elétrica, TV, som, telefone, sala de espelhos para plutônio, etc.), mas não tem geladeira (como será que conservam os alimentos?), o que o força a pedir para sua empregada de luxo, a Rainha Branca, para sair lá fora e coletar gelo em um iceberg, compondo uma das cenas “jamesbondianas” mais ridículas do catálogo... Mas esperem que há mais referências à cenas toscas de James Bond no filme... Quanto à comida de bordo do submarino, Azazel deve fazer “compras” nos supermercados de todo mundo...
19 – O conflito de Hank é desejar se sentir normal, o que contraria sua personalidade nos quadrinhos, e ele está em busca de uma “cura”. Quando conhece Raven, vê em seu poder a oportunidade para formulá-la. Agora convenhamos, que idéia fraca a Mística reclamando de se esconder, sendo que ela pode assumir qualquer forma. As pessoas normais é que reclamam por não poder fazer o que ela faz! Quanto à cura de Hank, apesar de ainda não existir, ele já sabe que ela é mágica, pois não afeta a habilidade mutante, só a aparência! Outra “idéia de jerico”... Veja só que no caso de Raven, a cura não passaria de um placebo, pois o poder dela é justamente mudar a aparência! Ela poderia continuar se transformando como sempre fez, inclusive em sua forma normal antiga. Agora me responda, se os pés de Hank tivessem aparência normal, ele continuaria se pendurando de cabeça para baixo? Continuaria correndo mais do que os nigerianos (calculei a velocidade dele na cena com Xavier)?
20 – Convenientemente, na base da CIA, apesar de não saberem que existiam mutantes, e muito menos telepatas, Hank já havia construído um transmissor capaz de ampliar as ondas cerebrais e intensificar poderes telepáticos, para localizar outros mutantes... Ou seja, o “Handy Hank” criou o “Cerebro”, que nos filmes prévios era de autoria de Erik e Charles... A máquina é da CIA, mas as decisões de como utilizá-la são de Charles, que em pouco tempo se tornou o maioral da base secreta... E convenhamos: que diferença faria se as decisões não fossem dele? Só Charles é que poderia utilizá-lo... Ele mesmo brinca dizendo para o diretor da base para usar o Cerebro sozinho se não aceitar... Ou seja, mais um conflito inútil e desnecessário, alicerçado no nada... E ainda por cima, todo mutante que ele encontrou e convocou foi parar na base da CIA... Belo conflito... Pelo menos Xavier não convocou criancinhas, como Ororo e Scott Summers, escolhendo só os adolescentes e jovens para arriscar a vida... E pelo jeito ser mutante é o equivalente ao “passe livre da prisão” nos jogos de tabuleiro, pois Alex Summers sai da prisão no maior bem bom, sem explicações...
21 – A participação de Wolverine é curta, mas ele diz o que os realizadores deste filme merecem ouvir...
22 – Apesar de Emma não poder sentir Charles, pois ele está muito longe e com alcance amplificado pela engenhoca de Hank, ela magicamente (ou seria mais um poder? A super-intuição feminina?) descobre que estão recrutando, interrompendo Shaw durante sua sessão de bronzeamento na “sala de espelhos plutonizada” para informá-lo.
23 – A cena dos jovens mutantes na sala de entretenimento da CIA é patética. A escolha de condinomes surge gratuitamente, e “Mística” aparece da preferência pessoal de Raven (este surgimento é tão forçado que os roteiristas se viram obrigados a encaixar uma brincadeira com Banshee para amenizar...). Nesta cena vemos a péssima concepção dos poderes. O rebolado plasmático de Destrutor é um show (de axé) a parte. A cuspida de Angel é um poder extremamente mal escolhido para adaptar (como o teleporte de quatro mil quilômetros), ainda mais do modo como fizeram: na cena de batalha final, ela chega a cuspir uma rajada de bolas de fogo, afinal, “as metralhadoras cospem”... E voltando a sala de mutantes baderneiros: as asas de Angel surgem e desaparecem magicamente, não é algo físico que desencarna de sua tatuagem, por exemplo, e sim mais um CGI sem vergonha...
24 – Depois de assistir um show de irresponsabilidades mutantes, o plano genial é enviar a “molecada mutante” sem treino para impedir a Terceira Guerra Mundial...
25 – Chegando à Rússia, Moira e os demais agem como se fosse inesperado ter de cruzar uma guarita militar antes de entrar pela estrada que leva à “Casa de Campo do Escritório Militar da União Soviética” ou “Retiro das Forças Militares Russas”... “Isso não estava no plano”... Bem, se esta guarita não estava no plano, imagino o que mais eles não planejaram... Engraçado notar que os russos da guarita não estranharam um caminhão sem carga (“mind trick” de Xavier) entrando na base, não pediram identificação do motorista (agente aleatório da CIA que fala russo) e de Moira, e não avisaram no Retiro que havia um caminhão chegando, já que ninguém estranhou quando eles pararam no meio do caminho e ficaram praticando a observação ecológica de russos com binóculos... Aliás, para que diabos eles entraram lá afinal? Foram até lá por causa do Shaw? E só por não terem o visto brincando no jardim da frente decidem abortar a missão? O que o pretendiam fazer se ele estivesse lá, já que Moira diz a Erik que ele está louco por querer que a CIA invada a casa de um oficial russo, e que isso podia incentivar a terceira guerra... Putz...
26 – Emma Frost é estrangulada na forma de diamante por partes metálicas da cama e, quando retorna à forma normal, seu pescoço não está nem vermelhinho... Sem contar que o metal líquido do T-1000 de, pasmem, vinte anos atrás, se movia com mais naturalidade e capricho do que não só os metais, mas também todos os atores de First Class...
27 – Se reclamavam do plano de Magneto no primeiro X-Men, onde ele queria diminuir as diferenças transformando todos em mutantes com uma máquina impulsionada por seus poderes magnéticos, o que dizer do plano de Shaw? Praticamente o mesmo plano, mas sem a engenhosidade de uma máquina. O que ele quer é causar uma guerra nuclear, favorecendo a formação de mutantes e se tornando presidente. Um plano hiper clichê, que não só simplifica e denigre a correlação entre energia nuclear e mutantes, mas também deprecia a excelente frase de efeito: “filhos do átomo”. Se ele inventasse o celular talvez tivesse mais sucesso em sua empreitada... E se só queria explodir bombas atômicas por aí, porque Azazel não se teleportou de botão vermelho para botão vermelho?
28 – O modo como Angel muda de lado é patético, muito pior trabalhado do que a criticada mudança de lado de Pyro no segundo filme dos X-Men. E na falta de um Dentes de Sabre capanga mané, temos dois capangas estéticos que entram calados e saem mudos... Azazel e Maré Selvagem.
29 – Matar Darwin logo de cara só mostra duas coisas: que a tradição do “negro morre primeiro” (explicada no longa do South Park) permanece e que os roteiristas são muito preguiçosos, afinal, seu poder de adaptação tem enorme potencial criativo, permitindo imaginarmos inúmeras situações interessantes. No entanto resolveram limitar Darwin a guelras exibicionistas dentro de um aquário e a uma armadura ridícula, que faz dar saudade do figurino do Coisa, no primeira longa do Quarteto (antes ainda de Tim Story). Se Darwin tem o pode de adaptação, o mesmo não se pode dizer dos realizadores, que não conseguem adaptar X-Men para as telas...
30 – Em tese Shaw absorve um tipo de energia e depois libera este mesmo tipo de energia quando oportuno, mas neste filme não. Shaw absorve energia e a reprocessa, liberando do jeitinho que o roteirista quer. As rajadas plasmáticas de Destrutor são apresentadas como incendiárias, ao invés de se comportarem como as rajadas de seu irmão Ciclope, e quando absorvidas por Shaw, tornam-se um raio desintegrador. No entanto, alguém da equipe de CGI quis caprichar e fez o raio liberado por Shaw ser morfologicamente idêntico às rajadas de Alex, apesar de não ser incendiário e nem plasmático, e sim um verdadeiro botão de “delete”. Dentro da base da CIA, Shaw com um pisão no chão consegue liberar sua energia na forma de explosões em sequência circular... Que puxa...
31 – Xavier e Erik decidem treinar depois que Darwin morre junto com todos os agentes da base... Um treino bem “interessante”, pois antes eu achava que a sala de perigo é que era perigosa:
- Xavier acaba desistindo, mas por um momento considera atirar na cabeça de Erik com uma pistola, a poucos centímetros de distância, para que Erik teste seu poder...
- Destrutor se questiona quanto à segurança de disparar seu poder dentro de um abrigo nuclear, sendo que antes disparou em uma estátua ao ar livre e na direção de Angel e Darwin... Os anéis de fogo formados após sua rajada não fazem sentido algum, nem em relação à forma de manifestação do seu poder, nem em relação ao ambiente do bunker, que pegou fogo de forma eqüidistante, em um mero capricho estético-cenográfico.
- Eles têm uma teoria de que Banshee pode voar, então o arremessam do quinto andar da mansão...
- A cena da corrida entre o Hank e Xavier revela que Hank deve ser parente distante de Pietro Maximoff (mutante velocista, filho de Magneto nos quadrinhos). Ele está emparelhado com Charles, dá a volta na mansão, e aparece ao lado de Charles novamente em nada menos do que 13 segundos. Fiz uma estimativa conservadora da distância percorrida e cheguei a uma velocidade média em torno de 50 Km/h.
- Apesar de Alex ter errado todos os alvos prévios, Charles e Hank arriscam a vida para que ele se sinta confiante e motivado para acertar o alvo central... Até Alex pergunta “se isso é sério”... E este é o truque mais utilizado neste filme: transmitir o que seria a reação incrédula do espectador (caracterizando um filme ridículo) para os personagens (atenuando o roteiro porco e mascarando o ridículo), como em outro exemplo: “Isso é sério? Vocês querem mandar moleques não treinados para uma guerra na Rússia?”
- Mesmo Banshee não tendo conseguido voar, jogam ele de uma antena de radar gigante onde, caso ele não voasse, era morte na certa (o treino intensivo de Xavier e Erik se resume a colocar a vida de alguém em risco de verdade). O vôo de Banshee é tão mal feito que parece piada. O Super Herói Americano sem manual voava melhor, com efeitos mais impressionantes.
- Durante o treino Erik exibe dificuldade em mover uma grande antena parabólica (radar) que está distante, e só com a ajuda do professor “Xaveco” (nesse filme ele faz juz ao apelido, já que tenta xavecar garotas com a mesma cantada furada) despertando sua lembrança mais alegre é que consegue. No entanto, logo depois desta cena entra o tomo final do filme, onde só faltou Magneto mover a frota inteira de barcos, denotando uma desproporção muito grande em relação à manifestação do seu poder. Tudo bem fazer Magneto mega poderoso, isso é legal, mas não é legal não desenvolver um personagem...
32 – Angel substitui a capturada Emma Frost até nos drinks com Shaw dentro do Submarino. De repente Angel se tornou a nova “madame maligna” do filme...
33 – Quando Hank oferece “a cura” para Raven, novamente ele enfoca que o soro não afetará os poderes e habilidades, somente a aparência... Hank vai continuar a 50 km/h com pés normais e Mística, bem, Mística vai continuar igualzinha...
34 – Quando Hank injeta a cura em seu próprio pé, começa a se transformar em um tapete azul felpudo (azul, claro! Genial. A Mística é azul, a cura veio do sangue dela, então o Fera é Azul e o Noturno é azul). A cena busca fazer homenagem ao Dr. Jekyll / Mr. Hyde, mas acaba sendo mais tosca do que a aparição do Dr. Hyde no péssimo “Van Helsing”. O Fera, que havia sido muito bem caracterizado e concebido em X-Men 3 (e olha que já aqui ganha do Wolverine o apelido de “bola de pelos"), em First Class se parece com “a Fera” de uma peça infantil de baixo orçamento que adapta “A Bela e a Fera”... Um verdadeiro lobinho humanóide azul oriundo dos filmes de Scooby Doo... Imagino do que Wolverine chamaria este Fera...
35 – Raven vai direto do seu conflito com Hank para cama de Erik! E nem a brincadeira com Rebecca Romijn (a Mística dos filmes prévios) salva a cena.
36 – Charles, ao ver Raven nua, se incomoda não por ela estar em sua forma natural, mas por ela estar sem roupas, apesar da cena intencionar reforçar a impressão de que Xavier é contra Raven se aceitar da maneira que é naturalmente, o que contraria sua personalidade nos quadrinhos e o próprio personagem raso criado no filme. Mais tarde ele ainda chama a forma normal de Mística de “problema de estética”.
37 – Um apelido melhor que “Fera” seria “Handy Hank”. Cheque abaixo a lista de invenções e proezas do Dr. Henry McCoy, só neste filme:
- Inventou e construiu o “Cerebro”, antes de saber que existiam mutantes telepatas.
- Projetou o avião Blackbird (Pássaro Negro), pra ficar parado e sem dono em um hangar, como um passarinho solitário na gaiola, esperando o dia da insurgência mutante.
- Projetou e fabricou o aparelho que conduz a rajada de Destrutor.
- Inventou uma cura com base no sangue de Mística que, apesar de não ter dado certo, pode ser vendida como “tônico capilar”, ou “potencializador de mutação”...
- Sabe pilotar o avião Blackbird.
- Fez as “asinhas” de Banshee.
- Criou e fabricou os uniformes dos X-men.
38 – Xavier implica ironicamente que o uniforme protege contra balas e a força da gravidade no jato supersônico... Bem, sabemos no final que ele estava certo somente sobre um dos tipos de proteção...
39 – De repente, da mansão de Charles corta para todos os X-men uniformizados em um hangar que abriga o Blackbird... O governo realmente adora estes mutantes, pois os deixa pintarem e bordarem mesmo depois da chacina na base da CIA para qual ninguém prestou esclarecimentos, pois nenhuma investigação se sucedeu... Ninguém nem perguntou quem eram ou o que iam fazer quando resolveram pegar o Pássaro Negro para dar uma voltinha.
40 – O Fera finalmente aparece transformado (nesta hora geralmente uma grande parte do público nos cinemas ri, não sei por que), e diz que a cura não funcionou, mas a Mística insiste que funcionou, pois era isso que ele deveria ser... Bem, então porque ela e os outros não tomam a “cura” e descobrem o que deveriam ser?
41 – Na cena final, o grande dilema é não deixar o navio russo invadir o espaço americano, no entanto, o Blackbird invade ambos os espaços e os exércitos não fazem nada...
42 – Azazel se teleporta para um navio russo, mata toda a tripulação (geralmente são centenas de marinheiros, podendo chegar a mais de 700 em um cruzador nuclear) sem que ninguém consiga avisar os navios ao lado e, ao invés de erguer uma bandeira americana, disparar um míssil em qualquer navio ao lado, explodir o próprio navio, ou qualquer outra ação que levaria a uma guerra (ele podia até mesmo ter invadido o navio vestido de Capitão América), ele apenas fica navegando em direção à fronteira oceânica, praticamente cantando “Eu sou o marinheiro Popeye”... Além disso, nenhum russo achou estranho perderem o controle do navio. Precisou o navio ir sozinho até o limiar para começarem a notá-lo...
43 - Mais fácil ainda seria Shaw ter torpedeado os navios com seu submarino, que navegava em profundidade tranquilamente, atravessando os territórios, e não sendo detectado por nenhum sonar (que na época, em 1961, não só já existia, como era corriqueiramente utilizado em navios de batalha). Nenhum dos lados, nem o americano nem o russo, previu que poderiam usar submarinos neste impasse (e olha que os russos têm histórico com submarinos), por isso não os procuravam... E Shaw, ao invés de destruir navios dos dois lados, decide colocar em prática um plano vilanesco que beira fazer chá com Batman e Robin esperando o bule gigante ferver...
44 – Quando Xavier possui telepaticamente um oficial russo para impedir que o navio cruze a linha, tudo que o “Oficial-Xavier” faz é apertar um botão vermelho e disparar um míssil, que já estava convenientemente mirado no próprio navio russo... Ninguém precisou calcular e traçar nova rota antes de disparar, afinal, é um antigo costume russo brincar de “roleta russa”, então eles deixam as armas mirados nos próprios navios... E o roteirista poderia pelo menos ter feito Magneto guiar o projétil, explicando a alteração na rota, mas nem para isso se esforçaram...
45 – Shaw só descobre que os X-Men estão na área depois que o navio explode, porque o Blackbird desfilando no céu não era suficiente (além de geladeira, falta radar ao submarino de Shaw).
46 – Já que todos os exércitos esqueceram os sonares, o Blackbird voa em alta velocidade por cima da iminente batalha e Bashee cai na água para detectar Shaw. Logo de primeira o sortudo Banshee mira na direção do submarino e usa seu poder como um sonar (só não sabia que ele também conseguia interpretar ecos submarinos, afinal, não só sentiu a onda sonora voltando, como conseguiu diferenciar este tipo de ricochete de uma rocha ou de uma baleia...). Era mais fácil e factível Xavier ter possuído alguns peixes, ou quem sabe o próprio Príncipe Namor...
47 – “Automaticamente” Xavier transmite a localização do submarino de Shaw, de Banshee para o Fera, que leva o avião para perto, e Magneto por sua vez traz o brinquedinho pra fora d’água (com uma dificuldade que não bate com a dança magnética de mísseis que veremos depois). O submarino estava próximo de uma praia (onde cai logo após), e quando Maré Selvagem sai do submarino flutuante pela escotilha a cena é tão porca que me remeteu diretamente ao “Dentes de Aço” lutando com “James Bond” de Roger Moore em cima do bondinho do Pão de Açúcar... Entendi o que o diretor dizia nas entrevistas sobre o “estilo James Bond”...
48 – O Blackbird cai, se quebra, explode, se espatifa, e ninguém sai ferido... Pulam pra fora prontos pra ação. Vai ver que era isso que Xavier quis dizer sobre os uniformes, que protegiam contra a gravidade mesmo, e não contra a “g-force” do jato em movimento...
49 – Enquanto o submarino voava por aí e depois tombava, Shaw não largou os bastões nucleares...
50 – Xavier ordena que Mística fique guardando os destroços da aeronave, pois ele realmente tinha apego com o aviãozinho. Moira começa a falar aleatoriamente no rádio, informando que Shaw está tentando disparar algum tipo de bomba... Acho que era com Deus que ela tentava falar... Afinal, se ela queria denunciar para o governo a presença de Shaw e sua vontade de começar uma guerra, por que não o fez antes? E se esperava que não acreditassem, porque achou estranho não relevarem agora?
51 – Angel surge cuspindo bolas de fogo em Alex e o “afogado” Banshee emerge do nada para lutar com ela e cumprir a cota de batalhas aéreas do filme. Se colocar o Homem de Gelo contra Pyro era clichê (gelo contra fogo), então colocar dois alados pra brigar não sei o que é. A briga no ar não poderia ser pior, com direito a rajadas de bola de fogo saindo da boca de Angel (ela cospe sete a oito bolas no melhor estilo metralhadora).
52 – Magneto entra na sala de espelhos de Shaw e Xavier perde o contato telepático... Se a sala é contra telepatia, então porque Shaw usa o elmo made in Russia? E como é que com elmo e espelhos Xavier antes dá a entender que sabe a localização de Shaw? E já que espelhos atuam contra telepatia, será que veremos elmos espelhados em “Mutantes Velozes e Furiosos”?
53 – Banshee chega gritando para salvar Alex e todos os guardas tampam os ouvidos, menos Alex, que graças a nunca ter usado cotonetes, nada sente e pula para que Banshee o agarre (e que agarrão chocho...). Basta Angel furar a asa de Banshee com o “babaloo atômico” pra ele se estabacar no chão com Alex.
54 – Os espelhos na sala impedindo a “leitura” de Xavier me lembraram da cena de “Conan – O Destruidor”, onde para afetar o monstro do feiticeiro, Conan tem que acertar os espelhos...
55 – Azazel é sempre rápido e letal, menos quando se trata de finalizar o Hank. Por algum motivo ele apenas decidiu mirar seu rabinho no olho do Fera e ficar esperando algo acontecer... Deve ter se apaixonado, como é comum acontecer nestas lutas de rala e rola do estilo Vale Tudo...
56 – Magneto diz concordar com Shaw e o mata apenas porque ele matou sua mãe, e não porque ele matou inúmeros inocentes, incluindo o Darwin e provavelmente uma porrada de judeus durante a Segunda Guerra... E este diálogo transforma o personagem complexo, cinza e amargurado dos quadrinhos em um simples cara egoísta...
57 – Os russos e americanos concordam em se unir para eliminar a ameaça mutante que até pouco tempo ninguém sabia que existia... Como se matar os gatos pingados na praia fosse resolver o “problema”...
58 – Quando Magneto sai do submarino erguendo o cadáver de Shaw no ar, como se fosse um mártir crucificado, Maré Selvagem e Azazel estavam de “mãos dadas, passeando na praia, catando conchinhas”, e não no meio de uma batalha ou desacordados...
59 – Se antes Magneto não conseguia mover uma antena de radar ou tinha dificuldades com um submarino, agora, depois que matou Shaw, consegue parar mais de vinte mísseis em movimento, e não é só isso, redirecioná-los e lançá-los de volta... Acho que o roteirista se confundiu, se empolgou e achou que Magneto absorveu poderes mágicos de Shaw... Talvez tenham sido as barras radioativas, que como a cura de Hank, deram um upgrade em Erik...
60 – Provando que era mais egoísta do que supúnhamos, Magneto só queria matar Shaw e declarar guerra contra a humanidade ele mesmo, desde o começo. Então como que Xavier não notou isto na mente de Erik antes? E se não estava na mente dele, como que Erik mudou de opinião tão bruscamente, sem motivações novas?
61 – Quando Magneto perde o controle dos mísseis no ar por ter sido empurrado por Charles, alguns mísseis explodem sozinhos... Acredito que se a simples mudança de trajetória os explodissem, então quando Magneto primeiramente os parou todos explodiriam. Para provocar a explosão, em tese seriam necessários impactos ou colisões mais fortes, ou uma compressão dos metais por Erik, o que não foi o caso.
62 – Quando os X-Men tentam correr em auxílio de Charles, todos são lançados longe por Erik (malditos botões de metal), menos Mística, pois ele já anteviu a vontade dela em se juntar a ele e matar todos os humanos... Afinal, são poucos os que não querem matar todos os humanos com mísseis... É claro que Mística já tomou esta fácil decisão e também quer.
63 – Moira, ao ter Magneto de costas em sua mira, ao invés de atirar em qualquer parte do corpo desprotegida, escolhe fazer o mais difícil e atira no elmo metálico dele (ela é uma agente treinada e sabe o que estava fazendo), com o impacto da bala chamando atenção de Magnus, que se vira e, acredite se quiser, rebate as balas disparadas posteriormente por Moira com a palma da mão... Isso mesmo que você leu: ele não as desvia com poderes magnéticos, e sim as rebate com sua invulnerável palma da mão... O que reforça a tese do roteirista ter criado um “Super Magneto” depois que injetou as barras de “ooze” na veia... Bem, é com a mão que Erik ricocheteia uma bala para espinha dorsal de Xavier (e é aqui que notamos que os uniformes não eram a prova de bala coisa nenhuma). Bacana a idéia de correlacionar Erik com a paralisia de Charles (nos quadrinhos não foi assim), mas porque de forma tão patética?
64 – Diante do ferido Charles, os mísseis são abandonados por Erik e começam a explodir sozinhos no ar, inexplicavelmente. E, mesmo depois de Erik ter ferido Xavier, Mística não hesita em se juntar a ele, pois, pasmem, o próprio Xavier recomenda... Que meio-irmão amigão este Xavier: “Vá, é o que você quer, se junte ao lunático assassino, sua vida será muito melhor...”
65 – Todos os “evil mutants” dão as mãozinhas (Azazel, Angel, Maré Selvagem, Magneto e Mística) e Azazel os teleporta para os camarins... Na verdade deve ter levado eles para trás de uma moita da praia e perguntado: “E aí nova gerência, para onde agora?” E Magneto falou: Para Rússia, onde vou conseguir o resto do meu uniforme, agora escarlate, em homenagem à Praça Vermelha...
66 – Como que o Xavier paralítico, Fera, Moira e Destrutor saíram daquela praia cercada por inúmeros navios militares, sem um teleportador e sem veículo algum, isso é outra história... Ou eles realmente querem que acreditemos que os humanos nos barcos finalmente entenderem o que aconteceu e agora desistiram de se unir para acabar com os mutantes?
67 – Antes desta eca acabar, Magneto ainda aparece com um elmo rosa “tunado” (Bryan Singer hands) para salvar a Rainha Branca, afinal, ele precisa de mulheres para tomar drinks com ele, que ouçam seus planos mirabolantes e sua risada maquiavélica...
Conclusão:
Para explicar o número de criticas e opiniões positivas, desconfio que este filme seja parte de um experimento para medir o efeito “Maria vai com as outras” em escala mundial... Além de possuir um roteiro fraco vagabundo, os efeitos são péssimos, a maquiagem é ridícula e o pior, o filme é do tipo "emotionles”, não sendo bem sucedido em transmitir emoções... Quer dizer que basta criar um contexto de Guerra Fria, usar cenas reais de discursos presidenciais e o filme é encarado como bem trabalhado? “Watchmen” sim trabalhou esta idéia, nos quadrinhos e no cinema, com maestria. Aqui vemos um porqueira de filme com uma embalagem temática séria... E quase ninguém percebe? O mind trick de Xavier deve ser mais poderoso do que imaginava.