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Xingu | Crítica

Cao Hamburger defende a causa indígena em lição de antropologia para iniciantes

Marcelo Hessel
05 de Abril de 2012

Xingu

Xingu

Brasil , 2012 - 102 minutos
Drama

Direção:
Cao Hamburger

Roteiro:
Cao Hamburger, Elena Soarez, Anna Muylaert

Elenco:
João Miguel, Felipe Camargo, Caio Blat, Maiarim Kaiabi, Awakari Tumã Kaiabi, Adana Kambeba, Tapaié Waurá, Totomai Yawalapiti

Bom
xingu
xingu
xingu

Em 2011, o Parque do Xingu, a primeira terra indígena homologada pelo governo brasileiro, completou 50 anos. Meio século passou e o País do Futuro ainda continua lidando com grileiros, desmatamento e a paralisia da velha discussão: preservar a floresta ou abrir espaço para o crescimento econômico?

Fica a impressão de que não avançamos muito, no entendimento da questão amazônica, nesses anos que separam Transamazônica e Belo Monte. Nesse ponto, embora seja um filme didático e básico em sua defesa da cultura indígena, Xingu não deixa de ser atual.

O filme dirigido por Cao Hamburger (O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) conta, com algumas licenças, a história da expedição pelo Rio Xingu dos irmãos Villas-Bôas, os mais importantes indigenistas do país, responsáveis pela criação do Parque. No filme, os três são dispostos como uma gradação: numa ponta, o mais velho, Orlando (Felipe Camargo), faz o papel político pragmático; na outra, o caçula Leonardo (Caio Blat) representa a entrega emocional, a evidência de que é impossível se aproximar dos índios sem transformá-los (e transformar-se).

Não por acaso, o protagonista do filme é o irmão do meio, Cláudio (João Miguel), o desbravador. É ele quem mais sente o peso das duas responsabilidades, a pública (a promessa de uma terra demarcada para os índios) e a privada (o esforço utópico de impedir a aculturação, de não se envolver). João Miguel reage bem ao peso do papel, e a sua interpretação é o forte de Xingu, um filme cuja plasticidade tenderia a esvaziar a figura dos atores.

Ao mesmo tempo, é difícil esquecer que obras recentes como Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, e Habitante Irreal, de Paulo Scott, por exemplo, tratam de forma muito mais complexa essas questões de trocas de identidade entre o branco e o índio. Xingu só as toca transversalmente. É uma biografia meio chapa-branca que flerta com essa complexidade (nos dilemas de Cláudio), mas que termina simplificando coadjuvantes (o fazendeiro mau, o político negociador) e resgatando a velha ideia do Bom Selvagem, como se Hamburger atendesse a uma urgência de reorganizá-los do zero, como se o hoje histórico pedisse uma reintrodução à nossa história.

Mas será que pede mesmo? Ou a discussão já deveria estar em outro degrau?

Xingu | Trailer
Xingu | Featurette
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Comentários (32)

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sem avatar Marcio (26/04/2014 12:01:16)   -7 0
Cao Hamburger gosta de abordar temas importantes no Brasil. Neste filme ele narra a história dos irmãos Villas Bôas, que defenderam a construção do parque indígena Xingu. Um tema importante da história do Brasil, mas que ao ser contada teve uma excessiva economia na apresentação dos acontecimentos.
Os três irmãos Villas Bôas Orlando (Felipe Camargo), Claudio (João Miguel) e Leonardo (Caio Blat) resolvem largar seus empregos e se inscreverem no que foi chamado de desbravamento do oeste brasileiro nos anos 40. A missão para quem se inscrevia era adentrar mata adentro, marcar o território e expandir a fronteira agrícola do Brasil. Isso envolveria construção de pequenos aeroportos e estradas. Quando em sua expedição encontram com os Índios, acabam se interessando pelo modo de vida deles e passam a tentar defende-los da expansão agrícola.
É interessante ver como a chegada dos irmãos a tribo Xingu pode representar ao mesmo tempo uma salvação assim como uma descaracterização de sua cultura indígena. Compreendo que se não fosse a intervenção deles nada seria preservado, mas é interessante, enquanto o filme passa, conseguirmos ver uma transição da perda de suas tradições de por exemplo armas como arco e flecha para armas de fogo ou pouco vestimenta para roupas do homem branco. Quando há uma discussão entre os irmãos Orlando e Claudio sobre a importância do trabalho deles enxergamos e refletimos o quanto pode ser ajuda aos índios, auto promoção ou política.
O que faltou ao filme foi uma elaboração melhor do roteiro que cobre anos até a construção do parque nacional, porém se resume a um pouco mais de noventa minutos para nos narrar essa história. Assim tem a sensação de assistirmos fatos isolados daqueles anos em que os irmãos viveram, em vez de ser algo mais coeso. Em minha opinião há narrações totalmente desnecessárias e o uso do recurso Noite Americana acaba fazendo com que a noite pareça artificial. Uma câmera estilo documentário talvez ajudaria mais, pois faria com que sentiríamos uma maior autenticidade de um fato que realmente aconteceu.
Um filme que gera alguma reflexão, mas que poderia ter um rendimento melhor e não parecer que foi elaborado um produto mais para a televisão do que para o cinema.

http://embriagadospelocinema.blogspot.com.br/2014/04/critica-xingu.html



sem avatar Paulo Fernando (14/04/2012 20:11:00)   1 1
Sem medo de errar, esse é um filmaço!

Uma história que deveria ser obrigatória à todos os brasileiros, pra mostrar a saga desses grandes homens que mudaram o destino dos nossos índios.

E como ninguém comentou sobre a trilha sonora? simplismente primorosa, assim como a atuação de João Miguel.



sem avatar Fernando (10/04/2012 01:19:35)   -7 0
Gostei muito do que vi, principalmente por ser uma produção grandiosa que agrada por não enrolar, mas poderia ser melhor contada numa mini-série com mais tempo para poder mostrar tudo. Falei mais do filme no blog: http://temumcoelhonocinema.blogspot.com.br/2012/04/xingu.html



sem avatar Thiago (09/04/2012 19:29:06)   0 0
A todos que gostam de outras opiniões, sugiro o texto sobre "Xingu" que encontrei em um blog chamado Lumi 7.

www.lumi7.com.br.

Além de uma resenha, eles possuem entrevista com elenco, diretor e com o índio Tabata. Interessante!



sem avatar kauã (09/04/2012 17:29:29)   21 0
melhor filme da semana, otimos filmes nacionais em cartaz, resta o povo ir ao cinema assistir...



Red Leader Red Leader (09/04/2012 16:55:25)   -261 0
Quando esses "diretores" brasileiros vão aprender a deixar o roteiro por conta do roteirista?



Dark Dark (09/04/2012 15:10:41)   633 0
O problema é que Floresta e índio deviam ficar ali para serem preservados... os discursos pós-usina são sempre em tom de filosofia positivista, retrógrados, e reacionários , alguns quase fascista como o do próprio Aldo Rebelo que disse que floresta não serve para nada.
E alguns que dizem até que índio devia ser exterminado. Lamentável.
E sempre quem defende a usina é engenheiro de faculdade paulista... nop geral, essa usina só vai servir para encher o bolso do Sarnney e Eik Batistas com grana, destruir um eco-sistema, uma cultura indígena e criar uma cidade cheia de prostitutas de miseráveis... parabéns ao governo que de diz voltado para o povo. Acho que no fundo a Amazônia ficaria melhor na mão dos EUA como pinta aquela fabulosa teoria da conspiração criadas pelos neo-militaristas de 64.



Marlon Marlon (09/04/2012 10:58:33)   314 1
Mais um filme conferido e opinado no "Falando de..."

Link direto: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2012/04/cinema-opinioes-22-xingu.html

Não deixem de conferir tb sobre Heleno: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2012/04/cinema-opinioes-20-heleno.html


atenciosamente,
www.falandode.com.br

Aproveito para agradecer aos colegar omelenautas que estão lendo e comentando minhas opiniões sobre filmes e games. Obrigado pela força!



Danilo Danilo (09/04/2012 09:42:40)   7 1
essas críticas do Omelete estão parecendo aqueles folhetos que entregam pra gente na rua ou então aquelas redaçoes "pérolas de Enem"...só uns 5 parágrafos e fica por isso msmo...no caso dessa crítica, quase nada se fala do filme: dois parágrafos de "introdução", dois parágrafos falando sobre uma ou outra característica dos personagens principais e um último comparando o filme a outras obras com temas semelhantes...
fora que a gente sempre fica com um pé atrás com filme brasileiro, mas existem muitas obras realmente boas...



Punisher Punisher (09/04/2012 09:33:13)   39 1
Ao contrario do que estão dizendo, principalmente essa figura abaixo que nem deu pra entender se ela já assistiu ou não esse filme ou algum filme, ou se gosta de cinema, o filme Xingu é um bom filme e nos traz uma gama de cultura indigena e cinematografica, principalmente para os moldes do cinema nacional. Acredito que vale a pena ver esse filme por varios motivos, principalmente pela produção, gravar esse tipo de filme sempre foi um grande desafio e grandes produções hollywoodianas tentaram gravar com indios e outros povos e não conseguiram tendo que substituir por atores para dar continuidade as gravações.



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Gabriel Gabriel (08/04/2012 17:39:51)   1 -1
Tá ruim de sair um filme bom do Cao Hamburguer


sem avatar kauã (09/04/2012 17:28:23)   21 0
Castelo ra-tim-bum, o ano que meus pais sairam de ferias... acho que criticar e tao facil que qualquer idiota se arrisca a fazer um comentario exdruchulo.

sem avatar Bruce (11/05/2012 09:52:08)   141 0
@kauã

"Castelo Rá-Tim-Bum - O Filme"? Sério? Cara, você deve ser da área de audiovisual da USP pra prestigiar um filme nacional independente da qualidade.


Romualdo Romualdo (06/04/2012 05:29:17)   1617 0
É bom isso aí? Quero só ver... se sobrar grana nesse final de semana eu assisto.



sem avatar Maran (06/04/2012 02:28:26)   1379 1
Tenho uma amiga que trabalhou no filme e ela disse que os Índios cobraram pra permitir eles filmarem sem problemas.



Romualdo Romualdo (06/04/2012 05:28:41)   1617 2
Até os índios precisam de dinheiro hahaha!

sem avatar Eric (06/04/2012 11:33:23)   19 0
índios precisam, sim, de educação e antibióticos, como todos nós. A idéia de que eles vivem bem nas carências da mata é coisa de gente estúpida (no bom sentido!), desinformada ou cruel (no mal sentido mesmo!).

Confesso que gostei do texto do Hessel. Ele ficou em cima do muro até nas entrelinhas. Hehehe...

Anderson OXS Anderson OXS (11/04/2012 01:41:50)   1 0
Eric esse seu argumento é meio estupido (no bom sentido), pq a educação que vc quer que eles ganhem é só para tornar eles mais "brancos" e prepara-los para um mercado de trabalho e só, a educação que oferecemos é pra isso.

remedios eles precisam desses remedios pq os brancos levaram doenças que eles nao conhecem.

De espaço, de paz, de a garantia que fazendeiros nao vao queimar e atacar indios para roubar madeira e ter lugar para pasto.

Que te garando que eles preferem do que educação e antibioticos.


William William (05/04/2012 22:18:28)   -104 0
Assim como Hessel tem seu direito de opinar como crítico também me sinto no meu de discordar de sua opinião que por sinal achei bastante vazia, embora objetiva. Hessel que se mostra cada vez mais nerd americanizado não possui a menor preocupação em esconder isso, ao contrário levanta a colorida bandeira do velho Sam e evoca as forças estadunidenses para seu deleite. É isso ai Hessel assim vc vai longe kra.



DR. Zaius, ministro da ciência e defensor da fé! DR. Zaius, ministro da ... (05/04/2012 21:24:52)   1031 2
Bom, pelo menos esse filme se define por um assunto. Nos anos 80 QUARUP foi uma salada de frutas envolvendo discurso panfletário de esquerda frstiva, paisagens grandiosas, um romancezinho bem sem graça, um padre louco que não chegava a ser um alívio cômico, e um monte de desinformaçãoes sobre a cultura indígena. E o pior: tinha o Taumaturgo Ferreira...



Filipe Filipe (05/04/2012 20:51:42)   45 0
É o nosso Avatar : desbravadores q vao para uma terra desconhecida e acabam tendo feiçao pelos habitantes dessa terra.


Filipe Filipe (05/04/2012 21:18:37)   45 0
opa bem observado amigo, e o meu comentario ali foi em tom de ironia rsrs


Calebe Calebe (05/04/2012 19:55:49)   388 2
Acho que o Hessel deveria ter falado mais sobre o filme... '-'




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