Depois
da chuva de e-mails bomba que recebi no ano passado pela resenha de Xuxa
Pop Star, decidi voltar ao cinema este ano para procurar pontos
positivos no produto nacional mais visto na telona nos últimos anos, a Xuxa.
Nos dois últimos anos, a Rainha dos Baixinhos colecionou recordes seguidos com
Xuxa Requebra (2.1 milhão de pessoas) e Xuxa Pop Star (2,4
milhão de espectadores). A produção foi uma das apostas da Warner Bros. para
dezembro, tanto é que a distribuidora acabou adiando a estréia brasileira de
O Senhor dos Anéis em alguns dias... hã, será que alguém realmente
imaginou que uma pessoa trocaria um filme pelo outro&qt&&qt&&qt&
Apesar
da boa intenção, a missão logo se mostrou impossível. Quer saber como o filme
começa&qt& Com a mesma música que atormentou todo mundo que foi ver Harry
Potter e a Pedra Filosofal e teve que assistir ao trailer... duuuuuueeeeendiiiiiiissssss...
eca! Depois aparece a voz da Xuxa tentando imitar uma velha (ela tinha um quadro
destes numa das versões do programa dela e não aperfeiçoou nada desde então).
A vovó está contando a história preferida do neto, sobre os elementais e os
duendes. Enquanto rola a naração os pequeninos de orelhas pontudas aparecem
dançando uma quadrilha. Veja bem, não é uma espécie de quadrilha, é uma coreografia
exatamente igual às que vemos nas festas juninas! E eis que num take
aparece aquilo que faria 8 de 10 pessoas desistirem de tudo e irem embora: Carlinhos
Brown está lá batucando! Sim, ele é um doente, ops, duende!!! Para mim,
a cena funcionou como aquela seqüência do MIB em que vários atores
famosos são mostrados num telão, fazendo alusão de que são ETs. Eu sempre desconfiei
que o Brown não era humano!!
Resisti
bravamente ao olodum, à gritaria das crianças e às mães que não paravam de conversar
do meu lado e continuei no cinema. Pior não pode ficar, pensei. Errei. O filme
se mostra inconstante, com atuações mais fracas que as piadas da Playboy,
um roteiro extremamente infantilizado e diálogos incoerentes. Quando o rei Mika
(Emiliano Queiróz) usa um jogo de tabuleiro para passar os ensinamentos
ao seu herdeiro, ele fala que, assim como na vida, um principiante deve pensar
muito antes de jogar. Só assim poderá vencer. Daí o moleque, sem gastar meio
neurônio, apenas joga uns dados e grita ganhei! Ganhei!. Ué, mas não tinha
que pensar&qt& Ou com penso é mais caro&qt&
Seguindo
o padrão de qualidade xuxiano de elenco, estrelas do quilate de Ana Maria
Braga, Luciana Gimenez, Luciano Huck, Angélica e Vanessa
Camargo enchem a tela (e o nosso saco) com suas atuações. Até Gugu
Liberato tem lá o seu papel de empresário dominado por forças malignas (Guilherme
Karan) que vai destruir a floresta onde moram os tampinhas de chapéu engraçado.
Xuxa, com o perdão do S P O I L E R, é Kira uma duende que veio ao mundo dos
humanos para não deixar as pessoas esquecerem de acreditar no poder da natureza
e da magia, e desta forma garantir que os filhotes de papai Smurf continuem
existindo. Não dá para entender o que a Dona Benta (Zilka Sallaberry)
e o Visconde de Sabugosa (André Valli) fazem perdidos no meio deste povo.
Mas o mais chato de todos é o tal do Damiz (Leonardo Cordonis). O ator
mirim não tem dicção, logo não deveria trabalhar nesta profissão. Parece até
um locutor da rádio paulistana Brasil 2000 que tinha a língua p´esa. Vai fazer
fono, rapaz!
Há de se destacar, porém, que houve uma evolução sem precedentes na carreira da loira. Diferente do merchandising sem-vergonha dos filmes anteriores, desta vez só na hora dos créditos é que uma atriz aparece falando maravilhas do Natucor - uma tintura para cabelos. Que progresso!!! Diria que está DEZ VEZES MELHOR! Sabe como é, né&qt& 10 x 0 = 0, certo&qt& :D
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