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A Dama de Ferro | Crítica

Filme não acompanha a qualidade da atuação de Merryl Streep

Marcelo Forlani
16 de Fevereiro de 2012

A Dama de Ferro

A Dama de Ferro

The Iron Lady
Reino Unido, França , 2011 - 105 min.
Biografia

Direção:
Phyllida Lloyd

Roteiro:
Abi Morgan

Elenco:
Meryl Streep, Jim Broadbent, Olivia Colman, Anthony Head

Bom
A Dama de Ferro
A Dama de Ferro
A Dama de Ferro
A Dama de Ferro

Meryl Streep merece todos os elogios e prêmios que recebe por três motivos básicos: a qualidade de sua atuação, a entrega aos personagens e também pela sua capacidade de escolher os papéis que vai interpretar. Sem dar aquela olhadinha no imdb, tudo o que vem à mente são seus filmes bons, as performances que se destacam e lhe renderam cada uma das 17 indicações ao Oscar - recorde absoluto. A Dama de Ferro (The Iron Lady) é mais um destes projetos.

Mas, a exemplo do que aconteceu com Marion Coutillard quando encarnou Edith Piaf, a Margareth Thatcher de Streep é a única coisa que realmente se destaca no longa. Tanto a parte histórica quanto a política ficam em segundo plano na trama do filme, que prefere martelar a doença e a solidão da ex-premiê britânica, que comandou o país com "mão de ferro" por mais de uma década e está lá, ainda viva, em Londres.

A famosa greve dos mineiros britânicos, um dos divisores de água do governo Thatcher, é melhor explicada em Billy Elliot do que aqui e é apresentada totalmente fora de cronologia. No filme, Thatcher primeiro é quase linchada pelas greves e seus cortes orçamentários, para então ser ovacionada pelo povo quando as tropas britânicas voltam vitoriosas da Guerra das Malvinas (que aconteceru dois anos antes) para, em seguida, aparecer ao lado de grandes líderes políticos em papel de destaque. O longa dá a entender que a batalha em terras sul-americans fez o povo esquecer todas as suas medidas autoritárias que afetaram as vidas de milhões de pessoas e a catapulteou ao mais alto degrau da política mundial - e não foi bem isso.

Mesmo assim, sobram momentos para Streep brilhar. A primeira cena, com a ex-primeira ministra em uma lojinha de conveniência, é sem dúvida uma das melhores do filme justamente porque dá uma visão macro do cenário sem se preocupar em focar apenas na personagem principal. Mostra ao mesmo tempo a fragilidade em que a protagonista se encontra, a falta de caráter da sociedade atual e a sua indignação de viver nestes dias. Mas infelizmente não dá para parar por aí e começam os flashbacks que vão mostrar a vida pregressa da biografada, desde o tempo em que Margareth (interpretada em sua versão mais jovem por Alexandra Roach) passou de filha de um pequeno comerciante do interior a mulher mais poderosa dos anos 1980.

No papel, A Dama de Ferro poderia ser O Discurso do Rei deste ano - tem até mesmo um treinamento vocal -, mas o roteiro se perde mais do que a protagonista que eles quiseram inventar, uma senhora doente, que sofre com o Alzheimer e tem alucinações com o marido morto há muitos anos. Sem este ritmo, as três épocas diferentes vão se alternando sem conseguir empolgar de verdade e criar com o público a empatia necessária para que nos preocupemos com a personagem. A superação, o clímax aparecem lá no meio, deixando para o terceiro ato a decadência política e o seu estado de saúde, sem o desfecho digno para uma pessoa que rompeu barreiras ao entrar em um mundo controlado por homens e se manteve firme ao tomar decisões polêmicas - o que a tornou uma figura política ora idolatrada, ora odiada.

Os altos e baixos do soluçante roteiro, a direção apenas regular e a insistência pelos desvairios de Margareth com seu marido (Jim Broadbent) serviriam para afundar qualquer outro projeto. Mas contra tudo o que não funcionou entra em cena a irreconhecível Meryl Streep, toda envelhecida e escondida atrás da prótese dentária, uma irretocável peruca enlaquezada e um tom de voz quase Julia Child para salvar o dia. Ainda hoje, Thatcher está longe de ser uma unanimidade, enquanto a onda de elogios à atriz que a interpretou parece estar longe de acabar.



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Comentários (35)

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Gil Gil (18/07/2012 17:19:24)   3 0
Ótima atuação, mais filme muito fraco e história chata e nem um pouco cativante.
Realmente dá sono.
Mereceria 2 estrelas no máximo.



sem avatar clarck (27/03/2012 03:47:15)   6 0
A dona do filme é Meryl Streep, sua atuação faz amenizar a história fraca.

3 Testiculos



Raul Raul (25/02/2012 19:48:47)   1069 1
O filme é bom! Não ótimo, obviamente não excelente. Agora, Meryl Streep o leva facilmente nas costas. Ela segura o filme sozinha. Como grande fã que sou dela, afirmo que essa é uma das melhores atuações de sua extraordinária carreira. Se existe um pingo de bom senso no Oscar, Meryl Streep tem que levar essa estatueta. Sua grande concorrente, Viola Davis, apesar de também ter tido uma excelente atuação em Histórias Cruzadas, não chega aos pés da Margaret Thatcher de Streep. E como Histórias Cruzadas também não é isso tudo, o filme não deve ser levado como motivo de desequilíbrio. Enfim, torço para que a justiça seja feita.



Marlon Marlon (22/02/2012 14:01:10)   314 -1
Excelente crítica do Forlani.


Opinião sobre "A dama de Ferro" já está no site (www.falandode.com.br)

Link direto: http://blogdofalandode.blogspot.com/2012/02/cinema-opinioes-11-dama-de-ferro.html

Obrigado!



sem avatar David Duchovny (20/02/2012 19:55:06)   4 1
Bem , fui precavido ao ver o filme , mas não me decepcionou . Realmente , praticamente , tirando Meryl Streep , nada funciona no filme. Uma historia descabida , em que os fatos e acontecimentos são jogados sem uma minimo de coerência onde os personagem se alternam sem o menor critério , fazendo perder qualquer respeito que o filme possa desejar
Nada combina com nada , uma fotografia pobre e roteiro extremamente preguiçoso. Quanto a Meryl Streep podemos falar que foi uma atuação digna , em que não deixou nada escapar a atriz com relação a sua fonte , desde dos trejeitos ate , principalmente , impostação da voz . Se ira ganhar o Oscar , fiquei na duvida pois o filme faz de tudo para não merecer absolutamente nada ...



sem avatar Piters (20/02/2012 13:07:43)   41 1
"Margareth de Ferro e de Podridão" diria o grande Lobão.

Pelo que li da crítica o filme não abordou a crise em que a "Tia Margareth" colocou os ingleses.

Os níveis altos de analfabetismo, desemprego e empobrecimento da população por exemplo.

Os mais engraçado é sobre isso da "Guerra" das Malvinas. Os ingleses conseguiram perder dois Destroyers, um Porta Aviões chamado de "Invencible" e várias embarcações para a capenga e pobre Força Argentina. A Dama de Ferro era e sempre foi uma farsa.


sem avatar Guilherme (22/02/2012 00:10:24)   12 1
Os problemas de analfabetismo, desemprego, etc, até são citados, numa das discussões políticas, mas não tem tanto aprofundamento. Acho que isso foi feito de propósito, pra deixar o filme com uma visão "imparcial" da primeira ministra, se os problemas não são melhor apresentados, as coisas, supostamente, boas também não são tão destacadas.


sem avatar Fernando (18/02/2012 20:44:19)   -7 -2
Um ótimo filme, que conta uma bela história de vida. E conta com uma atuação memorável de Meryl Streep. Recomendo e falei mais sobre o filme no blog: http://temumcoelhonocinema.blogspot.com/2012/02/dama-de-ferro.html



Heineken Heineken (17/02/2012 15:20:01)   241 0
A Marvel sempre inovando... nem bem anunciaram Homem de Ferro 3, já colocaram no cinema A Dama de Ferro. Assiti o filme ontem e gostei. Conta as origens da Dama de Ferro, desde a prisão em Alcatraz, passando pela construção da armadura na prisão e depois enfrentando vários vilões do espaço. Muito show!



Cesar DS9 Cesar DS9 (17/02/2012 12:01:33)   765 1
Cade a critica do Motoqueiro Fantasma?



Igor Igor (17/02/2012 15:25:07)   239 0
acho que o filme é tão ruim, que não exibiram para a imprensa, por isso não tem critica.


Romualdo Romualdo (17/02/2012 07:38:25)   1617 -2
Pow... não sei a necessidade de se fazer um filme de uma pessoa que ainda está viva... digo, nesse caso que a pessoa em questão é uma figura política e tals. Streep sempre me atrai pra ver seus filmes e é a maior atriz dos nossos tempos... não adianta que papéis ela interprete, ela sempre vai fazer com o máximo de perfeição. Vou assisti-lo pq quero ver mais uma performance dessa mulher nas telonas.


Rhumas-Jetzer Rhumas-Jetzer (17/02/2012 11:57:14)   1332 2
"Pow... não sei a necessidade de se fazer um filme de uma pessoa que ainda está viva..." a frase mais idiota que eu já vi nos comentários do Omelete.


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Eduardo Eduardo (17/02/2012 02:37:45)   0 -2
Ela ja ganhou o globo de ouro. é meio caminho andado para ganhar o oscar.


Rhumas-Jetzer Rhumas-Jetzer (17/02/2012 11:57:48)   1332 4
Hoje em dia é mais fácil confiar no SAG do que no Globo de Ouro.


Nelson Nelson (17/02/2012 02:20:13)   181 2
Quando um ator ou uma atriz é tão maior do que o próprio filme, a qualidade desse fica em cheque, mesmo que Meryl Streep siginifique perfeição. hahaha



Fábio Henrique Fábio Henrique (16/02/2012 23:41:59)   42 3
Sou fã da Meryl (como 90% das pessoas que gostam de cinema), mas é uma pena que ela esteja com grandes possibilidades de levar o Oscar ao interpretar uma figura tão espúria quanto Tatcher. Podem colocar na conta dela e do amiguinho Reagan esse mundo em que vivemos hoje, em que banqueiros quando quebram recebem ajuda do Estado (leia-se: povo) e quando cobram do Estado (leia-se: povo)o obriga a tomar medidas de desrespeito com a população. Tatcher foi uma cretina autoritária. Só isso.


Audrey Audrey (17/02/2012 09:20:39)   271 3
Concordo com você. Essa Tatcher foi- e ainda é- uma cretina. Nada contra a Streep ou o filme, é só que com o filme muitos falam de Tatcher como uma heroína, digo porque vi varios programas de tv e etc. agindo dessa forma, e digo uma coisa a Tatchaer pra mim pode ser tudo ,menos uma heroína.

Márvio Márvio (17/02/2012 10:42:48)   17 3
Filme é Filme gente. Com este raciocínio, atores que interpretam vilões nunca poderiam ser reconhecidos.

sem avatar Leonardo (17/02/2012 12:46:03)   1 2
Sem dúvida ela é uma crétina... parafraseando Matrix Reloaded, se Reagan é o pai do Neoliberalismo, Tatcher é indubitavelmente a mãe. Mas curiosamente o filme remete a um tempo em que direita e esquerda tinham seus contornos e idéias mais bem definidos. Hoje, o mundo produto do neoliberalismo, nivelou por baixo até mesmo quem acreditava que a retomada da utopia liberal faria do mundo um lugar melhor. O que renderia um bom filme é a dificuldade bizarra dos Republicanos em escolher um candidato para enfrer Obama nas eleições. Indecision 2012!!!

Belial Belial (17/02/2012 15:41:43)   63 -2
Ela prezava pela liberdade de expressão, pela cultura e pelo direito ao capitalismo p/ todo mundo(apesar de ser cretinice),nos sabemos que no fundo comunismo e socialismo são inúteis! tanto que ela foi apoiada pelo povo por quase 12 anos! Neo-liberalismo? faça o favor, o escambal!



Márvio Márvio (16/02/2012 23:11:07)   17 0
Merryl Streep despensa comentários, como sempre ela está fenomenal. Só lamento a oportunidade perdida de se criar um verdadeiro épico sobre a figura política que foi Thatcher. Com elementos riquíssimos que motivariam qualquer roteirista a escrever um roteiro desafiador sobre a vida da ex-primeira ministra, a produção insistiu em escrever sobre os devaneios e alucinações de uma mulher próxima da morte. Parabenizo Merryl, mas ela como em outras vezes não teve um diretor e uma produção a sua altura.

Eu já torço para Glenn Close no Oscar.



KaKater KaKater (16/02/2012 22:47:48)   693 3
Dessa vez a Merryl Streep não ganha o oscar, quem vai ganhar será a viola davis.Pelo menos eu acho!



Alerson Alerson (16/02/2012 22:20:37)   1334 1
To querendo ver esse filme,mas vou continuar torcendo pra Viola Davis como Melhor Atriz




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