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Crítica: Avatar - Edição Estendida de Colecionador

Extras panorâmicos e novas cenas à parte, o filme de James Cameron cresce na revisão em 2-D

Marcelo Hessel
25 de Novembro de 2010

Avatar - Edição Estendida de Colecionador

Avatar - Edição Estendida de Colecionador

EUA , 2010 - 177 minutos (edição estendida)
Ação / Ficção científica

Direção:
James Cameron

Roteiro:
James Cameron

Elenco:
Sam Worthington, Zoe Saldana, Stephen Lang, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi

Ótimo
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A Terra do futuro de James Cameron
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Jake no início alternativo
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Metrô do futuro e céu de LCD
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Neytiri no primeiro teste de CGI
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Zoë Saldana nas filmagens
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Not Kansas
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Caçada aos sturmbeests
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A importante cena do revide dos Na'Vi
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Tsu'tey se despede
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Show de um homem só

Em dezembro, Avatar chegará em Blu-ray em 3-D para quem comprar as novas TVs da Panasonic equipadas com a tecnologia (o longa em 3-D será vendido individualmente só em 2011). James Cameron diz, porém, que todo o material extra que tinha a oferecer já está neste pacote 2-D Avatar - Edição Estendida de Colecionador.

Sem o 3-D imersivo do cinema, a sensação de profundidade evidentemente não é a mesma, mas as cores são mais realçadas no 2-D, que é menos escuro. No Blu-ray, enfim dá para atentar com calma para toda a pintura no dorso dos banshees, por exemplo. Quando não estava satisfeito com as cores, Cameron fazia o diretor de arte Yuri Bartoli pintar de novo, em cima de uma imagem já renderizada, de 190 megapixels, novas tonalidades em cada poro das criaturas de quatro asas.

Essa é uma das curiosidades que constam nos extras. Ambas as duas opções de box triplo, DVD e Blu-ray, trazem três versões do filme: os dois lançamentos no cinema e a versão estendida, com 16 minutos inéditos. Além do diferencial da alta resolução, o Blu-ray tem mais extras (o material do documentário Capturando Avatar, presente também no DVD, é melhor esmiuçado em vários pequenos curtas no Blu-ray). Como consolação, quem compra o box de DVD leva um quarto disco de brinde, um Blu-ray contendo a primeira versão de cinema.

E a primeira versão continua sendo o melhor Avatar - que muitos reclamam ter história batida, mas que consegue estabelecer um universo muito particular de forma concisa e dinâmica, jogando com referências do faroeste mais ancestral e da ficção científica mais futurista. O filme cresce na revisão.

Como frequentemente acontece, o corte que acrescenta minutos só devolve gordura que todo cineasta com bom olho sabe detectar e eliminar na montagem, como a cena que explica por que flutuam as montanhas de Pandora. Seja na edição especial de cinema (com 169 minutos) ou na edição estendida (177 min.), o que temos é um apanhado de cenas que podem encher os olhos - como a caçada aos sturmbeests - mas são quase sempre dispensáveis do ponto de vista da dramaturgia.

Uma exceção: a partir da versão de 169 minutos, Cameron incluiu a cena em que os Na'Vi revidam uma ofensiva dos terráqueos queimando um tanque e matando uma tropa. Essa cena tem para o diretor uma função muito clara - imaginar um cenário onde os humanos, à George Bush, declaram guerra alegando auto-defesa - mas, antes disso, ela serve para diminuir o maniqueísmo juvenil que pega em alguns momentos Avatar de assalto.

Percebe-se que, na primeira versão, os Na'Vi são mais vitimizados do que nas seguintes. Fica muito claro que Cameron queria fazer o filme girar por completo em torno de Jake Sully, e isso significa esvaziar tanto coadjuvantes quanto, paradoxalmente, os próprios Na'vi que dão sentido à existência de Jake (que, afinal, é o salvador dessa pátria desamparada). As cenas em que a Dra. Grace fala do trágico fim da sua escola em Pandora e a morte de Tsu'Tey (o rival de Jake pelo amor de Neytiri) só aparecem na edição estendida. Podem ser importantes num contexto, mas subentende-se que foram cortadas inicialmente porque não adicionam nada ao arco de Jake.

E esse arco tão crucial para Cameron tem diretrizes bem específicas. Jake precisa ver o seu avatar não como um meio, mas um fim. Sem o avatar, Jake não é ninguém, resumindo grosseiramente. Então é por isso que ele desperta da criogenia (numa câmara azul...) no começo do filme como se não tivesse um passado. Ter um passado significaria enxergar o avatar como um meio de resgatar anseios deixados para trás - e não como uma identidade nova conquistada para construir um futuro do zero.

Nesse sentido, o começo alternativo que está anexado à versão estendida mudaria significativamente a carga dramática do filme. Nele, vemos Jake na Terra, muito antes do sono criogênico, numa metrópole parecida com a Tóquio dos animês, sendo surrado por começar um briga de bar. A cena é muito boa, e a ambientação faz salivar quem torce por um encontro de Cameron com a cultura pop japonesa, mas ela traz ruídos ao renascimento puro de Jake que o diretor desenvolve ao longo do filme. O único peso que o militar carrega do passado, para preservar o impacto da imagem, devem ser as suas pernas paralisadas.

As cenas deletadas - 47 minutos de material que Cameron não finalizou porque ficaria caro - só fundamentam mais esse renascimento de Jake. A descoberta dos mistérios de Pandora está condicionada à experiência do avatar, então faz sentido descartar uma cena como aquela em que o fuzileiro paraplégico chega à base e quase é atacado por um stingbat, uma espécie de morcego-arraia. É como se as criaturas do planeta se tornassem visíveis só diante dos olhos do Jake Avatar.

Da mesma forma, ficamos sabendo no material deletado que outros humanos do laboratório do Dr. Patel se juntaram com seus avatares à batalha final, mas isso reduziria o heroísmo do protagonista. Paralelamente, as cenas em que Norm, o amigo bobão, interage com os Na'vi (ele deveria ser o contato com a raça se Jake não tivesse sido escolhido por Neytiri) são eliminadas. Aliás, Norm não era um loser completo: ele leva Michelle Rodriguez pra cama. Mas como a ideia é que o espectador cole em Jake e não se distraia, Cameron cortou o barato de Norm na versão final.

Outra cena deletada, bem longa, é a celebração Na'Vi após a caçada aos sturmbeests (a celebração está de fora da versão estendida, embora a caçada tenha entrado). Ali, Jake se embriaga com Tsu'tey e outros avatares dançam com a tribo. Cameron suprimiu todo esse trecho de comunhão, que tem quatro minutos e meio. No discurso ambientalista contra o capitalismo, o diretor parece ser o manifestante mais socialista, mas no filme (ou nos seus filmes), e nessa cena cortada em particular, fica muito claro que Cameron acredita na jornada do herói mais do que na coletividade. Aliás, são frequentes entre as cenas deletadas os rituais dos Na'Vi, como a iniciação psicotrópica de Jake com uma larva tóxica que o leva às alturas. Talvez fosse necessário não assustar o público médio com um retrato contundente assim do tribalismo...

A crença de Cameron no coletivo acabou reservada para um extra discutível, o documentário da sua passagem pelo Brasil, contra a construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Aliás, de extras discutíveis os Blu-rays estão cheios, a começar pelo making-of duplicado (Capturando Avatar e os curtas que repetem parte do material) até o absurdo teatrinho da história de vida de um dos dublês de captura de movimento.

Por uma óbvia questão de segredo industrial, o cineasta abre o set para nós, mas não se aprofunda na explicação do seu revolucionário procedimento de filmagem. Somos apresentados às câmeras todas, mas momentos-chave, como a segunda montagem em que Cameron repassa sozinho num galpão as cenas com a câmera virtual às mãos, escolhendo planos como se estivesse num balé solo, permanecem um mistério mesmo depois de oito horas de extras.

Uma produção que levou tantos anos para se concretizar, e que alterou tantas certezas da indústria, merecia documentos menos protocolares e panorâmicos. Fica difícil saber se Cameron escondeu o jogo para lançamentos futuros... Em todo caso, a última cena deletada mostra Na'Vi grávidas, e Jake passa a mão na barriga de Neytiri enquanto sua voz em off diz que "a floresta vai se curar e novas vidas manterão a energia fluindo". Todo o pacote de extras de Avatar - Edição Estendida de Colecionador evita revelar demais a mágica do seu processo, mas entrega no final esse esboço de spoiler do que podemos esperar em Avatar 2 e 3.

Assista abaixo à cena das grávidas:


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Comentários (89)

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Vivian Vivian (09/05/2012 11:57:56)   2 0
é extremamente ridiculo como as pessoas gostam de comparar tudo! a mesma baboseira de sempre "aah avatar e copia de pocahontas" "aah é mistura disso com aquilo" quer saber e daí? eu gostei de pocahontas e gostei mt de avatar, aborda um tema popular atinge ao publico de todas as idades é tipico da ficção cientifica o futuro "catastrofico" e fã que é fã aceita esse clichê como caracteristica e passa a ver o filme como ele é em sim, esquecendo o resto que é passado!



Lauro Lauro (02/01/2012 16:47:16)   87 0
Comprei a versão em dvd(infelizmente não tenho Blu Ray) por 60 reais,e fiquei bem satisfeito com a edição.Acho que a edição já vale pelas versões estendidas do filme.Ainda ter um disco só de extras,é muito bom.Os extras são bem elaborados,apesar de ter menos do que o Blu Ray(mesmo com extras repetidos no Blu Ray),valem muito a pena e satisfazem qualquer um que queira saber mais do filme.A edição ainda vem um disco em Blu Ray,que quando eu conseguir um reprodutor de Blu Ray,terei prazer em usa-lo.
Assistir os extras só torna a experiencia de assistir Avatar mais satisfatória.COmo com o dvd de King Kong.Ver o quanto a produção teve cuidado,e carinho em fazer o filme.Só faz a critica de Érico Borgo ser justificada.Merece os 5 ovos.4 ovos aqui?Tudo bem!



Coruja Coruja (17/07/2011 21:23:53)   196 1
Aluguei a versão estendida por falta de opções mesmo e me surpreendi com alguns dos extras. Uma das coisas que mais gostei foi o início alternativo.

Filme excelente, digníssimo de 5 ovos.



Heineken Heineken (02/04/2011 13:48:38)   139 0
Hoje vi os extras de Avatar, e concluí que Cameron é um cara mais bacana do que eu pensava.

Ele é um cara muito inteligente em vários aspectos... antes eu achava que era apenas um grande tecnólogo e cineasta com grande inteligência em cinematrografia e marketing. Mas nos extras, percebe-se que o cara é um líder, não properiamente carismático, mas muito preciso, determinado e consciente do que aconteceu em mil setores ao mesmo tempo.

Alguns(poucos) dizem que Cameron clichezou seus filmes. Eu não acho. Eu acho que ele deixou o ego intelectual de lado, e hoje democratizou o cinema para TODO O MUNDO. TODO MUNDO MESMO. Chineses, americanos, índios. Ele não é bobo. Ele é consciente do poder do cinema. Achar que esse cara faz filmes por dinheiro é um erro. Esse cara é um louco apaixonado por cinema.

Há 2 anos atrás, Avatar era apenas uma extravagância fadada ao espetacular fracasso. Cameron ria, para ele, o objetivo já tinha sido conquistado: evoluir a técnica cinematográfica. O dinheiro que ele ganhou não mudou nada. Com dinheiro ou sem dinheiro, ele faria tudo de novo. Quem conhece um pouco desse cara, sabe disso.



DDanilo DDanilo (05/03/2011 07:53:16)   -162 1
Ótima critica e excelente filme!!!!!!!



Felipe Felipe (18/12/2010 02:22:36)   0 0
Não gostei do filme não... Porém, dá para trabalhar com Educação Ambiental com as crianças de 5º a 8º série tranquilamente, embora demore muito para isso... Muito blá blá blá... Muito efeito visual dá nisso: superficial demais! Daqui a uns cinco anos ninguém vai mais querer assistir esse filminho, porque os efeitos se tornarão defeitos na tela...



Carol Carol (10/12/2010 14:36:33)   -2 0
Uau, Hessel, essa crítica abriu minha mente... é ótimo ler opiniões de pessoas que se permitem envolver pelo enredo e pela proposta do filme. Depois do que você escreveu fica claro que você captou exatamente a representação real que Cameron quis dar ao filme, e graças a essa crítica agora eu também entendi.

Tive a mesma impressão quando assisti à versão estendida para cinema, e mais ainda quando assisti à versão de colecionador do DVD. É exatamente o que você explicou, esse negocio do filme ter que se passar em torno do Jake, que essa é a maneira mais fácil do expectador ser levado à viagem proposta pelo filme, caso contrário seria apenas um filme no cinema, e não um tour por Pandora.

E também a visão do avatar ser um meio, achei muito curioso essa parte porque de fato foi o que eu senti ao ver o filme, e que você conseguiu expressar muito bem na sua crítica. Ver o Jake antes faz perder aquela característica de herói épico que está na história apenas com o propósito de salvar aquele planeta; isso mostra que ele teve uma vida por fora, que aquela só é a missão dele porque ele escolheu ser, e não porque estava destinado, como um dom vindo do avatar dele.

Isso muda a visão que a maioria diz do famoso clichê de Avatar, porque de certa forma ele fugiu do formato clássico de escrever um roteiro do bem contra o mau, a jornada óbvia do bonzinho e a pouca exploração do ambiente externo e desenvolvimento dos personagens secundários. Quem pára de reclamar e assiste aos extras percebe que os cortes foram propositais. E para os que gostam de verdade merecem saber que o filme não é uma “Pocahontas Smuff 2000”.



Juliana Juliana (09/12/2010 18:02:04)   1 0
Sinceridade, a não ser pelos efeitos e o 3-D (que não vi, pois vi no cinema o filme em 2-D), o que Avatar tem pra ser tão ovacionado.

A história é um misto de Pocahontas com vários clichês já existentes no mercado além do "corante azul"... Achei muito justo não ganhar nada de realmente interessante no Oscar, pois seria um erro.

Não assistiria novamente, pois quando sai do cinema tive a impressão de achar o filme "3 ovos" e longo. Imagine então uma versão estendida disso. Tô fora.

Ainda prefiro o Cameron afundando Titanic.



sem avatar Mikhael (02/12/2010 00:17:03)   0 0
Cara,vou fazer uma critica à Avatar;continue lendo se vc tiver paciencia de ler mais uma critica de avatar:

Um filme muito bonito visualmente,otimo 3-D,acima da média mesmo,sem saltar muito aos olhos,sem exagero,mas o que atrai no filme mesmo é o visual,por que a história se me permite dizer[na minha umilde opnião]é uma mistura de filmes faroeste[em que que o cawboy vai lutar contra os indios]um filme de ficção cientifica,com um corpo clonado sendo usado pelo heroi,uma mistura de alien e smurf,e imita de certa forma os x-men,os navis não sendo aceitos,com a casa deles sendo destruida para pegar o que está no subterraneo[um bichão azul que os vilo~es queriam,no x-men]mas apsar dos defeitos o filme merece ser visto em 3-D.

Fim da critica...

agora enfim revelei como o cameron criou[criou?!Copiou!]e ficou mais rico que sei lá quem,não me interesso por esse ranking,só os das bilheterias e isso chamou atenção,escreva agora seu roteiro original[cof!cof!]agora!A formula é simples,heroi que só tem esse conteudo:ser heroico,mistura de maluco e em 3-D de preferencia...



O desertor O desertor (01/12/2010 18:25:36)   15 0
Não estou te trollando não Raziel, pode ficar tranquilo. Só comecei com as comparações pq o Nolan entrou no papo.

Mas, tem muitas teorias em A Origem, como disseram, que estão presentes na psicologia. Além disso os sonhos lucidos foram muito bem retratados no filme, na minha opinião.



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sem avatar Raziel (01/12/2010 12:42:57)   -3 0
Desertor, essa sua mensagem foi meio WTF. Você não está me trollando, né? Rsrsrs. Espero que a gente esteja tendo uma conversa de verdade aqui.

"Nolan não está a altura do Kubrick, mas está mais próximo deste do que o Cameron." O que diabos isso tem a ver com o que estamos falando? Eu nunca comparei Cameron com Kubrick. Quem gosta de comparações é você. Mas fazer esse tipo de comentário me parece infantil (tipo "meu pai é mais forte que o teu"), e logo abaixo, vc critica atitudes que julga infantis. É um caso de "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço?". Não, acho que é o típico caso de ser muito bom em apontar aquilo que pensa ser o erro dos outros, mas não ver os próprios.

Pra mim, Nolan não desconstrói nada em O Cavaleiro das Trevas, ele apenas segue a fórmula e entrega um produto de execução impecável. Isso já dá nota máxima ao filme, porém ele não passa disso: um filme de execução impecável (o que hoje em dia, é muito). Também acho que Avatar é um mero blockbuster de execução impecável. Ambos me divertiram, e nenhum causou grandes reflexões. Quando eu digo que há algo mais em Avatar, não estou falando em grandes questionamentos existencialistas, e sim outros fatores.

Em mais um momento WTF, vc vem e diz "Exatamente! É tudo questão de percepção, aceite isso." Cara, você bebeu? Não me venha com "exatamente" como se você quisesse me fazer ver isso, já que sei disso faz anos, e sempre deixei bem claro que é tudo questão de opinião, que é tudo subjetivo (veja que eu costumo usar palavras como "eu acho..." nas minhas argumentações). Se você não percebeu isso antes, então começo a compreender pq vc é tão fã de Nolan. Eu, ao contrário, não achei que por escrever as coisas como se fossem fatos, você realmente pensasse que suas opiniões são fatos. Eu não te subestimei... mas enfim, não posso esperar receber a mesma consideração que tenho pelos outros.

A única coisa que não é subjetiva é o fato de A Origem ser mastigadinho. Veja bem, filmes são a união de imagens com narrativa, sendo que uma não deve se sobrepor à outra, e sim se complementarem; se o filme já está mostrando uma coisa, então não precisa explicar o que já está sendo mostrado. E A Origem faz isso ad nauseam. Se você enxergou dezenas de subtextos em um mero blockbuster (meio pretensioso, mas que não tem grandes prentensões além de divertir), gooood for yooou! Pra mim, isso é masturbação mental, mas quem sou eu para criticar? Acho que A Origem dá margem a apenas duas interpretações, sendo que uma é bem fraca.

"Nolan não pode ser comparado ao Kubrick, mas PT Anderson pode ser comparado ao Scorsese, por quê?" Novamente, quem fez a comparação foi você, não eu. Mas não reclamei pq acho que não existe um abismo tão imenso entre esses dois cineastas, o que deixa essa comparação menos exdrúxula.

Abraço



O desertor O desertor (01/12/2010 00:35:22)   15 0
Nolan não está a altura do Kubrick, mas está mais próximo deste do que o Cameron.
O próprio Nolan desconstruiu o gênero de super-heróis em o Cavaleiro das Trevas, criou um filme com grandes nuances, dando uma aula de análise psicológica não apenas dos personagens principais, mas da cidade como um todo. A tensão existente na cena da barca, onde os ideais do Coringa e do Batman se confrontam, é um exemplo disso.
“Se eu não vejo subtexto nos filmes do Nolan, isso não significa que não exista? Da mesma forma, se você não vê algo mais em Avatar do que efeitos especiais, também não significa que não exista ;)”
Exatamente! É tudo questão de percepção, aceite isso. Nenhum de nós está certo, cada um defende um ponto de vista. E tudo isso pode ser fato, ou não. Afinal de contas, isso de “é fato”, é um argumento tão infantil e limitado quanto “você tem inveja dele” ou o famoso “vai lá e faz melhor”.
Isso de A Origem ser mastigadinho também é subjetivo, afinal de contas eu consigo enxargar inúmeras metáforas relacionadas ao cinema em relação aos personagens do filme e ao enredo em si, que quase não são vistas atualmente em muitas produções. Claro que não se trata de algo do nível de Fellini, mas o filme do Nolan traça muitos paralelos, à sua maneira, em relação à sétima arte. Só não enxerga quem não consegue...ou não!
E só não entendi uma coisa, Nolan não pode ser comparado ao Kubrick, mas PT Anderson pode ser comparado ao Scorsese, por quê?



sem avatar Raziel (01/12/2010 00:15:18)   -3 0
O desertor

Pode até hver coisas subentendidas nos filmes de Nolan (nada de muito interessante, mas pode haver...); mas os filmes de Kubrick dão de mil a zero nesse quesito. Mas é importante dizer que os filmes de Kubrick não se baseavam tão somente nisso (qualquer filmeco pode enfiar subtextos), havia toda uma desconstrução de personagens e gêneros em seus filmes, toda uma gama de fatores e nuances que o Nolan não é sequer capaz de sonhar. É quase como comparar a Monalisa com um pôster do Pokemon. Mas enfim, quer continuar comparando Nolan com Kubrick, seja feliz. Quem está queimando a cara é você.

Se eu não vejo subtexto nos filmes do Nolan, isso não significa que não exista? Da mesma forma, se você não vê algo mais em Avatar do que efeitos especiais, também não significa que não exista ;)

Nem todos os filmes do Nolan são mastigadinhos (Amnésia e O Cavaleiro das Trevas são muito bons, inclusive), mas tem alguns dele que francamente... A Origem é o filme mais mastigadinho e didático de todos os tempos. E isso nem é opinião, é um fato. Só não admite quem não quer.

Flow.



O desertor O desertor (30/11/2010 21:25:09)   15 0
Citei que Kubrick e Nolan usam a ambiguidade em seus filmes, deixando certas coisas subentendidas. Se você não vê isso no trabalho do Nolan não significa que não exista.

Vide o filme Amnésia como um todo, a dupla narração e o final de O Grande Truque: "Agora você está procurando pelo segredo. Mas não encontrará, porque, claro, você não está realmente procurando. Você realmente não quer saber. Você quer ser enganado.", e o final emblemático de A Origem.

Nolan não faz filmes mastigadinhos (talvez nos Batmans ele faça filmes menos complexos, devido ao fato do público-alvo ser diferente. Mas mesmo assim seus filmes de super-heroi possuem grandes qualidades ainda raras em outras obras do gênero no cinema). Como dito anteriormente, ele cria a fórmula mas deixa o espectador se envolver na trama e responder certas questões. Já o Cameron deixou de criar essas fórmulas à algum tempo, infelizmente Titanic e Avatar foram apenas manifestações de seu ego. Torço para que ele volte à se dedicar à projetos que não subestimem a inteligência do espectador.



sem avatar Raziel (30/11/2010 20:54:52)   -3 0
O Desertor

Você não vê nada de mais na comparação, mas deveria, já que está inventando uma semelhança que não existe. Kubrick nunca pegou a platéia pela mão e explicou "olha, isso acontece por isso e por isso... ah, não entendeu? Vou explicar de novo. E de novo e de novo e de novo...". Kubrick sempre respeitou a inteligência da platéia, e nenhum de seus filmes é mastigadinho.



O desertor O desertor (30/11/2010 20:15:02)   15 0
Raziel

Não vejo nada de mais em comparar Nolan ao Kubrick no ponto em que citei. Os dois tem esse ponto em comum, da mesma forma que Paul Thomas Anderson apresenta certos pontos em comum com o Scorsese, como determinados movimentos de câmeras e certos planos (vide Boogie Nights)!

Isso não significa que os dois diretores mais novos estejam à altura dos dois cineastas veteranos.

E, como argumentado no meu comentário anterior, O Último Samurai tem certas sutilezas e algumas interpretações sinceras que tornam o filme uma experiencia muito mais interessante do que Avatar (que só vale pelos efeitos e pelo visual).



sem avatar Raziel (30/11/2010 19:52:02)   -3 0
O Desertor

Você usa o péssimo O Último Samurai como um exemplo a ser seguido, o que me lembra de uma frase que li certa vez, que era basicamente assim: "como eu poderia ficar irritado por você achar idiotas as coisas que eu gosto, quando eu penso exatamente o mesmo sobre aquilo que você gosta?"

E comparar Nolan com Kubrick? Sério mesmo? Seria cômico se não fosse trágico.

Flow



O desertor O desertor (29/11/2010 21:43:40)   15 0
Raziel:

Não citei aquele ponto como um furo do filme. O que eu realmente quis dizer é que a transição de personalidade do Jake foi tão mal feita, que parecia que sua única motivação era conseguir o movimento das pernas, logo era mais fácil ele completar sua missão, pois a recuperação já era parte do trato dele.

O romance e a convivência dele com os Na’Vi se dá de forma extremamente forçada, e tudo muda muito bruscamente. Compare com O Ultimo Samurai e Danças Com Lobos, onde a transição de “lado” dos personagens principais ocorre de forma coerente, mostrando o embate entre as culturas, o papel dos personagens nesse embate. Em Avatar tudo ocorre sem sensibilidade, sem emoção, de forma fria e rasa. As coisas acontecem como mágica! A derrota dos humanos também ocorre assim, pois eles saem de uma posição confortável, de dominação, e são derrotados só porque apareceu um dragão laranja e um “Na’Vi fake” na jogada. Um final pessimista ou sem um clímax muito definido poderiam promover uma reflexão bem mais interessante.

Bom, sobre o roteiro, creio que você não percebeu até hoje, que ao contrário do Cameron em Avatar, o Nolan explicita as fórmulas dos roteiros de seus filmes, mas deixa sempre muita coisa subentendida, convidando o espectador à responder certas questões (coisa similar à que o Kubrick fazia).



sem avatar Raziel (29/11/2010 19:41:10)   -3 0
Bruce

Legal, Bruce. Pode ter certeza que nossa conversa também me deu o que pensar. Abraço



sem avatar Raziel (29/11/2010 18:57:51)   -3 0
O Desertor

Bem, eu não concordo que a mudança de postura do personagem tenha sido de forma automâtica. Você diz que a motivação do Jake parece ter sido apenas a capacidade de andar, mas horas, se assim o fosse, ele poderia muito bem completar sua missão e recuperar a capacidade das próprias pernas (ou seja, você pegou a explicação para o seu questionamento, que já está no filme, e a colocou como um "furo". Assim não dá...).

Eu não sei se você queria que fosse mostrado de forma mastigadinha ou extremamente bem explicada (ao estilo Nolan), mas fica entendido que Jake mudou de lado pelo convívio com aquele povo, pelo planeta, ainda mais por sua frase quando acorda no verdadeiro corpo ("parece que lá é a vida real e aqui é o sonho"). E é claro, o fato de ter se apaixonado por Neytiri deve responder por 80% de sua mudança de lado (é natural que quisesse permanecer ao lado da amada). É uma coisa romântica e clichê? É mesmo, mas que funciona (ao menos para mim) com perfeição. Que blockbuster não tem clichês? Cite um, se conseguir.

Também não acho que Sam Worthington esteja fraco em Avatar. Achei sua atuação bem correta, e seu personagem bastante carismático (o bobão irresponsável que cresce durante a típica jornada do herói). Mas isso é questão de opinião, cada um na sua.

Os Na'vi não conseguiram derrotar a tecnologia humana (de fato, levaram uma surra dos humanos); quem derrotou os humanos foi o planeta inteiro. Alguém comparou o momento em que os animais atacam os soldados com a batalha entre os Ewoks... mas que eu lembre, os Ewoks não eram centenas de criaturas maciças com mais de 20 toneladas. Outra pessoa ridicularizou o uso das flecas, mas essas pessoas viram o tamanho e a força dos Na'vi? Viram o tamanho daquelas flehas!?!? Rsrs.

Enfim, são detalhes claros que deixam a derrota dos humanos perfeitamente verossímil, mas quem não gosta do filme prefere ignorar (ou talvez, seja um pensamento arraigado demais, o de não aceitar que um povo civilizado poderia ser derrotado por um povo mais primitivo... o Vietnã é um bom exemplo que isso pode acontecer). Mas repito, os humanos não foram derrotados pelos Na'vi, e sim pelo planeta. Acho que já existem fatores a se criticar em Avatar, então não é preciso inventar.

Flow



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O desertor O desertor (29/11/2010 11:28:00)   15 0
Um ponto que irrita em Avatar é a forma anódina com que os personagens foram explorados ao longo do filme. Apesar de já ter sido utilizado em outros filmes, o argumento original não é bem desenvolvido. A mudança de postura do personagem principal é feita de forma automática, fatores como o tempo, por exemplo, não são explorados. Não existem as reflexões profundas à cerca do protagonista e do momento em que este se encontra. Jake praticamente não reluta em abandonar suas raízes, não há sentimento nenhum no personagem, tanto é que o único motivo crível para sua transformação talvez seja o fato de que com o Avatar ele consiga andar. Ou seja: o romance e a relação dele com os índios parecem gratuitos, só estão ali para preencher o filme, não se aprofundam de forma adequada, tomando rumos extremos de forma brusca e até certo ponto incoerente. Suas motivações só estão relacionadas com a sua recuperação, o que torna todo o papo ecológico uma grande bobagem, uma vez que ele poderia muito bem voltar a andar se completasse a missão que lhe foi dada, sem precisar trair seu planeta.

Outro fator que deve ser levado em conta é que Sam Worthington é fraco e inexpressivo como ator, e não consegue em momento nenhum explicitar as angústias e dúvidas do seu personagem; isso, aliado ao roteiro bobo e banal, condena o filme em certos momentos.

O longo desfecho do filme é cercado de momentos estrosos, como por exemplo o fato dos Na’Vi com todo seu primitivismo conseguirem superar o avanço tecnológico dos humanos. Quando Cameron abraça esse maniqueísmo, ele o faz da forma medíocre, e muitas vezes caricata.



G.Sully G.Sully (29/11/2010 10:26:34)   2 0
Raziel, concordo plenamente com todos os seus comentários!
Não existe e é impossível achar uma atuação tão Boa em CG como o Avatar, as expressões, a atuação, tudo em si transformaram Avatar em um filme 100% perfeito em técnicas!

Roteiro não se discute....engraçado é que vi todo seu argumento contra o do Bruce e vi que você tinha mais argumento que ele.......derepente quando Bruce ficou sem argumento começou a jogar tudo em cima do "roteiro clichê" e quem não tem argumentos para início como os do Bruce já vai direto reclamar do roteiro ou que James Cameron é louco por dinheiro!

Bruce, entendo o que quer dizer, mas acho que você desmerece muito os filmes de animação!
Na boa, 1 pequeno exemplo de que você está desmerecendo é Toy Story. Não só Woody mas Toy Story 3 conseguiu arrancar lágrimas de vários fãs de cinema! Aquile filme ficou tão real que jamais precisaria de algum ator live-action no meio!
Desmerecer Zoe, Sam e outros Na'vis por causa de CG você está totalmente errado. Você não tem conhecimento do que está falando!
Assista os Extras deste novo Dvd que lançou e depois venha aqui falar alguma coisa sobre atuação!

Desde o início destes comentários eu falo, as pessoas criticam sem ter conhecimento, é ai que está o erro!



Alexsandro Alexsandro (29/11/2010 09:37:29)   -18 0
O incrível é que essas pessoas que não gostaram de Avatar perdem tempo criticando essa obra-prima do cinema.

Quanto ao lucro de Csmeron. É isso mesmo! Tem que ter. Esse filme é o maior filme de americano, sede maior do atual capitalismo, tinha que render mesmo e muito.

O filme é perfeito. Nem preciso falar sobre os efeitos especiais e 3D, quem assistiu, ora se uma imagem vale mais do que mil palavras, imagem o planeta criado por Cameron.

Ele criou um mundo, deu lógica a esse mundo, é comparável ao que Tolkien fez no Senhor dos Anéis, na verdade supera, pois JRRT apenas amplificou ao extremo muitas idéias de Wagner no Anel do Nibelungo. E o mundo Cameron é mais fascinante.

Para mim a história em Avatar tinha que ser simples mesmo, para a mensage ser mais clara e imediata possível, e conseguiu seu feito.

Amo esse filme. Atualmente foi o único que me animou verdadeiramente a ir ao cinema (mas houve depois a A lenda dos guardiões). É o melhor de dos últimos dez anos.



sem avatar Raziel (29/11/2010 00:31:59)   -3 0
BRUCE

De fato, eu não tinha entendido a ironia. As aspas são mesmo o modo mais fácil de entender ironia (algo bem batido, mas infelizmente necessário em um debate na internet, eu acho... pra entender ironia sem as aspas, só em frases obviamente sarcásticas, ou já conhecendo previamente o estilo do autor da frase).

Bem, chegamos ao ponto em que não há muito mais para ser dito, pois caimos no campo subjetivo. Você valoriza coisas que, para mim, não têm grande relevância, enquanto eu valorizo coisas que não têm grande relevância para você.

Eu acho que não é preciso ir atrás das técnicas de animação para saber do valor da atuação de Zoe Saldana, ou do Andy Serkis para o Gollum, etc... basta ver que sem um bom ator envolvido, os animadores nunca conseguiram fazer personagens digitais tão expressivos. Só quis mostrar minhas razões para discordar que a atuação dos Na'vi é a mesma coisa que a do Megatron e similares; se você acha mesmo isso, não importa o que eu diga, que não vou te fazer mudar de idéia. Nem quero, aliás.

Provavelmente, essa visão tradicionalista (de que a atuação por captura de movimentos é algo "menor") vai continuar por muito tempo, e tal técnica jamais será tão valorizada quanto a atuação normal (nunca um personagem digital será indicado ao Oscar, por exemplo... por mim, não faz diferença). Felizmente (para mim e para quem se encanta com os bons personagens animados), os estúdios não vivem apenas de prêmios ou da crítica especializada, e os personagens digitais vão continuar evoluindo. É claro que para cada Neytiri, temos dez Jar-Jar-Binks, mas contanto que coisas boas apareçam de vez em quando, acho que estamos(estou) no lucro.

Abraço



edgar edgar (28/11/2010 17:36:50)   110 0
aff quantos ignorantes avatar eum dos melhores filmes que ja vi não só pelos efeitos muito pelo contrario a historia e personagens me peguaram.

primeiro:porra ficam reclamando que eles são azuis e que são smurfs de 3 metros! poupem-me é se eles fossem amarelos ía vir o que eles seriam os simpsons de 3 metros?é se fosse vermelho iriam ser diabos?,verde seriam os skrulls?AVA...

segundo:equanto vcs falam que a historia e cliche talz porra claro que é james cameron desenvolveu o roteiro a quase 15 anos!

terceiro:se vcs estão reclamando de buracos no roteiro assista avatar edição especial e divirta-se.

quarto: vcs não olharam a super interpretação do sam whortington ou a da zoe (que mesmo por CG convence e MUITO!)

quinto:se vcs reclaman dos dvd´s lançados porra não compre só sei que quando sair em 3D eu vou comprar ou quando sair com 40 MINUTOS a mais eu compro.

sexto:dúvido que vcs consiguam criar um palneta que nem pandora que nem cameron fez ele deu linguagem para os na´vi,deu animais,crenças,plantas,etc.
além da cidade que parece que estamos em akira.
além das naves,robos,é tecnologia apresentada não é pra qualquer 1 pensar nisso né?

bom em conta avatar e um otimo filme um dos melhores de 2009(senão o melhor) é quem não gostar não assista nem leia as noticias.



sem avatar Raziel (28/11/2010 16:04:27)   -3 0
BRUCE

Você chegou no ponto que eu queria que chegasse: você enxerga em Forrest Gump algo mais do que sua premissa batida. Você acha que enxerga isso por saber mais do que eu (seu direito) mas não é possível que seja tão arrogante a ponto de não aceitar que as pessoas possam enxergar algo mais em Avatar do que sua premissa batida. Eu vejo mais em Avatar do que a premissa, muito mais (da mesma forma que você vê em Forrest Gump). Talvez Avatar seja mais meu tipo de história, talvez Forrest Gump seja mais o seu (veja como, no final das contas, tudo cai na opinião subjetiva). Só acho curioso que alguém ache que "entende mais" do que aqueles que possuem opinião diferente.

Não acho que o processo de entrega do ator seja falácia, acho que falácia é desmerecer um personagem digital que emocionou o público de verdade só pq não é uma atuação tradicional. E olha que interessante: antes, quando falei de todo o processo de captura de movimentos de Avatar, você disse que não podemos ver além do filme; agora, quando é para falar de um aspecto que você acha interessante, você quer que eu veja além do filme (ou seja, quer que eu veja o laboratório que o ator fez para o personagem.

Não pense que não admiro o esforço dos atores em fazer todo esse laboratório; eu admiro, mas no final, o que importa é o resultado final, e só. Veja O Maquinista, por exemplo: Christian Bale emagreceu dezenas de kg para o papel; sua aparência fica perfeitamente coerente com a proposta do filme, com certeza, mas no final das contas, sua interpretação não teve nada de especial (ao contrário da interpretação de outros atores, que nem precisam fazer laboratório nem nada, só chegam no set, "ligam" a interpretação, fazem uma cena FODA e depois que o diretor grita "corta", esquecem o personagem e vão tomar um cafézinho). Cada um tem seu método, mas no final, o que importa é o resultado.

Interpretação boa (ou personagem bom), pra mim, é aquela que me faz esquecer por alguns momentos que estou vendo uma interpretação; é aquela interpretação que me deixa tão envolvido na história, que só vou pensar "putz, que ator excelente!" após ter visto o filme. Pra mim, interpretação boa é sutileza, não atuação estilo "hei Academia, olha eu aqui pegando água no poço como se estivesse interpretando Shakespeare!". Se essa "entrega" é tão importante para você, que acha que a animação esconde isso, bem, é sua opinião (imagino que muita gente pense assim). Cada um tem seus valore, o que é importante pra uma pessoa pode não ser para outra, e vice versa (não estou falando de vc, mas é incrível a enorme dificuldade que a maioria das pessoas tem para entender isso): para mim, o que me importa é o resultado do personagem, seja humano, digital, animal ou vegetal, he he. Me emocionou, tá valendo, e só me resta aplaudir.

Veja, não acho que você esteja sendo conveniente por maldade... talvez apenas não tenha percebido que seus argumentos podem ser facilmente voltados contra você. Por exemplo (e concluindo)vc vem lamentar que "resultado algum independe dos fatores usados no cálculo.", e eu repito: se você quer colocar dessa forma, uma grande atuação não independe de todo o trabalho que o ator teve para chegar ao resultado, da mesma forma que a emoção resultante dos diálogos dos Na'vi não independe de toda a técnica utilizada juntando todos os fatores envolvidos. Um desses fatores é justamente a interpretação magistral de Zoe Saldana, sem a qual os animadores não conseguiriam chegar ao resultado de uma Neytiri tão cativante. Nem todos precisam achar que ela foi cativante (direito de todos), mas quem achou não pode desmerecer o trabalho da atriz, que foi vital.

flw



sem avatar Raziel (28/11/2010 15:32:08)   -3 0
Adriano

Não, você está errado em tudo. (esse é o máximo de resposta que alguém que coloca opiniões como se fossem fatos merece).



sem avatar Raziel (27/11/2010 22:40:40)   -3 0
Bruce

Tenho que continuar criticando suas escolhas de exemplos... eu não gosto de Forrest Gump, não aprecio esse tipo de melodraminha grandiloquente que coloca deficientes como heróis, ou histórias sobre pessoas que passam por diversas dificuldades (enfrentando prenconceitos, obstáculos, etc) para no final venceram na vida. Aliás, é outro tipo de história que já foi contada "algumas" vezes antes, não? Mas aí, descem a lenha em Avatar, que conta uma história que lembra meia dúzia de filmes, enquanto Forrest Gump (que conta a mesma história de MILHARES de filmes) é aclamado e ainda serve de exemplo. Pfff... Forrest Gump usa uma história batidaça, mas que pelo visto, enganou o Sr. "Tenho culpa de entender tanto do assunto" e que "ouviu ou leu tantas variações sobre o mesmo tema." ;)

Enfim, respondendo sua pergunta: o Woddy (o de Toy Story, né?) me emociona muito mais que o Forrest (mesmo não tendo havido qualquer captura de movimento para o Woddy); pouco me importo com falácias estilo "entrega do ator" (aliás, você diz que não podemos ver além do filme, mas quer que a gente veja a "entrega do ator"? Você está sendo conveniente), ou se o ator sofreou ou emagreceu 50 kg pra um papel, etc... o que me importa é o resultado, e acho que o resultado de Avatar é excelente, sejam quais forem os métodos usados. O resultado de O Expresso Polar foi ruim, e não me emocionou em nada. A palavra chave é "resultado". Você generaliza e coloca tudo no mesmo saco (Toy Story, Avatar, Expresso Polar, Transformers), quando não é assim na prática.



Rubens Rubens (27/11/2010 17:09:18)   0 0
José: "eles deletam essas partes só pra depois que as vendas dos dvds cairem eles lançarem de novo"

Quando as vendas caírem? Parece que vc não sabe que o DVD e o BD só com o filme, bateu um número recorde de vendas. Um DVD sem extras, só com a versão de cinema, e era caro!



Marlos Marlos (27/11/2010 16:25:26)   381 0
Imagino que tipo de pessoa iria gastar tanto dinheiro nesse Box com duas versões a mais, com alguns minutos tão descartáveis quanto o resto do filme.



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José José (27/11/2010 14:41:49)   16 0
Outra versão?
Esse povo não se cansa de lançar esse filme não?
E o pior é que tem quem compre!!!!
Parem de ficar dando dinheiro pra esse povo gente,eles deletam essas partes só pra depois que as vendas dos dvds cairem eles lançarem denovo!!!!



sem avatar PAULO (27/11/2010 07:03:13)   -8 0
Não é por nada não, mas ler todo este texto na tela do computador é um porre.. Daria para ser mais objetivo e ter colocado a crítica em poucas palavras??



sem avatar Alexandre (27/11/2010 00:35:35)   -69 0
deviam é lançar uma "versao encurtada"..

tirar uns 20, 25 minutos de pura enrrolaçao, ja que nao passa de mais do mesmo, chupando principalmente dança com lobos e trocentos outros filmes com essa historia batida, que fosse mais curto, esticar o filme só pra tentar mostrar que nao é o mesmo de sempre nao cola

(bom, só pra alguns que acham Avatar exemplo de cinema, triste)



sem avatar Raziel (26/11/2010 23:40:31)   -3 0
BRUCE

Basta ver os making-ofs para ver o qual emocionada é a atuação da Zoe Saldana para fazer a personagem, e como a captura de movimentos reproduziu a atuação. Comparar com Optimus-prime é o típico sofismo de nivelar por baixo (pq vc não comparou a atuação de Neytiri com a de Gollum? Obviamente, pq isso não seria apropriado para sua "argumentação") E mesmo que não fosse tudo atuação da Zoe, então parte do mérito caberia a equipe de animadores (seria uma nova forma de atuação, inclusive, uma atuação em equipe. E não é qualquer equipe de animação que consegue fazer algo tão emocionante).

Enfim, a gente pode analisar de qualquer ângulo, que continua sendo mérito.

Agora, sua frase: "apenas se aproveita do fato de que a maioria não entende muito de cinema para ver que a fórmula foi reciclada." é hilária. Vcs não subestimam James Cameron, vocês superestimam o cara, imaginando que ele é maquiavélico o bastante para planejar milimetricamente o maior sucesso de todos os tempos. Particularmente, acredito que o sucesso vem naturalmente quando se executa algo com eficiência e capricho. Obviamente vc não é obrigado a achar que o filme é bom, mas se colocar acima de quem gostou do filme é apenas bobagem (infelizmente, uma bobagem bem comum ultimamente).



Fernando Fernando (26/11/2010 22:05:19)   -20 0
Parabéns pela crítica, Hessel! Excelente!



Matheus Matheus (26/11/2010 22:02:26)   7 0
Hessel, essa crítica está sensacional!
Você dissecou o filme de verdade, parece que leu os pensamentos do Cameron. Abraço!



DDanilo DDanilo (26/11/2010 16:51:22)   -162 0
FAÇO AS PALAVRAS DE RAZIEL MINHAS PALAVRAS! PRA MIN QUEM CRITICA AVATAR NÃO CONHECE O QUE É CINEMA E TODAS AS SUAS FORMAS!



sem avatar Raziel (26/11/2010 00:12:04)   -3 0
O Desertor

Creio que o mérito é da equipe e de James Cameron como um conjunto, sendo ele a pedra fundamental que fez tudo funcionar. Ou seja, se ele não pode ser exaltado, tampouco pode ser diminuído. A invenção e o design de diversas criaturas, paisagens, etc, são do James Cameron, que é especialista no assunto (sabia que James Cameron é responsável por parte da aparência do Predador?). Além do mais, ele deu o veredicto sobre cada aspecto criado por sua equipe, o que também não é fácil. E reunir diversas equipes diferentes e manter a reunião coesa é algo que merece todo nosso respeito, já que nem todo diretor consegue isso.

Agora, sobre as atuações e o roteiro que "subestima a inteligência do expectador", creio que assistimos filmes diferentes. Sobre as atuações, não vou nem perder tempo: somente o pranto desesperado da Neytiri após a perda do pai esmaga qualquer argumento nesse sentido.

Mas sobre "ofender a inteligência do expectador", fiquei curioso: poderia exemplicar alguma cena que faça isso?

Particularmente, acho que apenas um detalhe ficou explicadinho demais, mas é só um, e que só notei na terceira vez que vi o filme. Vamos ver se concordamos no que é ;)



ChloMoLover ChloMoLover (25/11/2010 23:47:24)   -200 0
@G.Sully, honestamente, onde você aprendeu a ler?

Você quotou meu primeiro comentário dizendo que eu xinguei o filme. Agora quota dizendo que falei mal do site.

Poderia me apontar exatamente em que parte do comentário eu fiz isso? Não to achando.



O desertor O desertor (25/11/2010 21:56:11)   15 0
O visual de Avatar realmente é incrível, muito bem feito e original. Mas creio que é exagero dizer que todos os méritos são do Cameron por ter "criado" tudo isso, na verdade o mérito dele é o de ter reunido e liderado uma equipe competente para realizar a obra em questão!

Mas nos outros aspectos o filme realmente decepciona, as atuações são fracas, sem emoção, no automático; assim como o roteiro, que além de óbvio e pouco denso, subestima em alguns momentos a inteligencia do espectador.



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Rubens Rubens (25/11/2010 21:15:04)   0 0
Eu gostei muito da edição especial de SPARTACUS - que tem cenas excluídas, entrevistas, cenas da repercussão do filme na mídia em 1960, esboços do Kubrick, storyboards... Quer dizer, é disso que os fãs gostam. Eu sou um fã do Kubrick e se eu encontrasse um material parecido de 2001, não pensaria duas vezes antes de comprar.

Também sou fã do Cameron e esperei ansiosamente por este box de AVATAR. Em se tratando de home video, considero esta a melhor compra que eu já fiz.



sem avatar aloisio (25/11/2010 19:25:28)   -4 0
engraçado depois de tanto malhar a obra bem antes de estrear ,vejo o pessoal desfiando as multiplas qualidade da obra de cameron ,tanto no aspecto tecnologico como artistico ,james cameron é um dos maiores cineastas vivos ao lado de clint estwood,poderia citar martin scorcese mas sua produção atual não deixa ,não estou afirmando isso por ser fã do cineasta ,longe disso ,sua imaginação não tem paralelos o homem parece que não faz parte dessa era e sim de um futuro distante ,avatar é uma constatação de sua genialidade ,nunca desde a ascensão da tecnologia digital se viu tamanha organicidade em imagens geradas por computador é coisa de muito poucos essa sensação de possivel e até palusivel em obras visuais de fantasia ,vejo neguinho reclamando que ele ´so faz isso ,mas é fato que só isso lhe interessa ,ou seja ficção cientifica ,mas sabemos que faria outros generos com igual desenvoltura ,david lynch provou isso com o filme historia real ,calando a boca de seus detratores que dizia que ele não sabia fazer uma pelicula de narrativa simples ,a constatação é james cameron é figura impar no cinema fantastico ,assim como moebius é na ilustração futurista .



sem avatar Raziel (25/11/2010 18:35:33)   -3 0
Otoniel

Muito pelo contrário. A cena é considerada "gordura" pq o público não precisa dela para concluir o motivo das montanhas flutuarem. Em uma cena anterior, já vimos o unobtainium flutuando, então, a conclusão lógica é que as montanhas são feitas (ao menos em grande parte) desse material magnético, o que explica a flutuabilidade. Não explica todos os mínimos pormenores, apenas o suficiente para deixar um pouco para a imaginação. Pronto, não precisa mais. Isso se chama respeitar a inteligência da platéia.

Sim, talvez ficasse interessante a explicação no filme, mas eu achei a escolha de não explicar mais acertada nesse caso. Na minha opinião, a cena explicativa seria necessária apenas para aqueles que tem preguiça de pensar, que precisam de tudo mastigadinho.



otoniel otoniel (25/11/2010 18:06:38)   0 0
a cena que explica as montanhas flutuantes só é considerada "gordura" por quem não quer pensar no cinema. Informação num filme também é bom.



sem avatar Raziel (25/11/2010 17:52:17)   -3 0
Isso sim é filme de verdade. E FUCK INCEPTION!!! AHAUHAAUAH



G.Sully G.Sully (25/11/2010 17:06:25)   2 0
Concordo com o Adriano, é exatamente isso!!

Só que em minha opnião eu vi algo no Avatar que em milhares de histórias "parecidas" não mostraram nesta essência! Ele soube pegar um pouco de cada história e construir a dele perfeitamente bem

Isto sim é uma crítica construtiva meu amigo! Obrigado por não ser 1 a mais que diz que Avatar é clichê mas não tem conceito algum sobre o que diz!



Adriano Firefox Adriano Firefox (25/11/2010 16:53:27)   97 0
O fato de tecnicamente Avatar ser maravilhoso, esplendoroso e fantástico, ainda assim não o torna um filme bom, eu acho ele muito bom, mas existem filmes que não tem um centésimo do poder tecnológico dele e são imensamente melhores. Lógico que se você considerar tudo, nota 10 pra técnica, 2 pra roteiro, teria uma média 6! Todos tem o direito de não ter gostado de Avatar, mas negar a contribuição dele para o cinema, seria como negar a importância de filmes como Star Wars, 2001, etc.
Lógico que é fácil achar referências de um monte de outros filmes em Avatar! Mas eu se fosse o Cameron, faria o mesmo, como colocar uma história profunda, complicada, complexa, sendo que o filme custou os olhos da cara? Ele poderia ter sido um fracasso e James Cameron seria o cara mais falido de Hollywood! Avatar foi o filme que deu mais um passo na evolução do cinema, não é o melhor filme do mundo, mas vocês acham que o Cameron está preocupado com isso?



G.Sully G.Sully (25/11/2010 15:42:21)   2 0
"Por que o omelete tem tanta babação de ovo pra esse filme? "

Engraçado é você vim aqui comentar e falar mal do próprio site ao invés de fazer uma crítica contrutiva do Filme!

Aqui estamos discutindo sobre o filme e não sobre o site se não percebeu!



ChloMoLover ChloMoLover (25/11/2010 15:24:40)   -200 0
"Eu disse inveja de Avatar porque todo mundo fica ai enchendo o saco falando que é cópia de tudo, mas cadê o fodão que foi lá e fez um filme de quase 3 Bilhões de dólares??"

Engraçado você fazer um comentário assim baseado em um pensamento de criança em um SITE DE CRÍTICOS.



Renan Pacheco Renan Pacheco (25/11/2010 14:58:40)   -4 0
Eu não achei o filme ruin, quando eu sai do cinema gostei do que tinha visto. Literalmente, o que eu tinha visto era sensacional, um dos filmes mais belos visualmente falando, e o 3D aplicado de uma otima forma. Mas não vou ser hipocrita, para ai, será que isso sem o 3D vai ficar legal? Talvez. E o roteiro é sim chupinhado de outros e raso, bem raso. Não entendo como o Hessel tira essas sua filosofias até de cenas deletadas. Não há siginificado ali, o roteiro é basico, não dá espaços para simbolismos.

OBS: Eu sei que vcs precisam de ganhar dinheiro, mas precisava de merchã até na critica? E dai que a Panasonic lança sua TV com o Avatar 3D. Eles que anunciem.



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